Durante anos, Conceição Mendes Canuto aprendeu o significado da distância. Aos 62 anos, a moradora do bairro Marabaixo precisou deixar sua casa, sua rotina e sua família diversas vezes em busca de tratamento de saúde. Foram anos de idas e vindas para outros estados, carregando na bagagem a esperança de voltar para casa o mais rápido possível.
Desta vez, porém, a história foi diferente.
Nesta terça-feira, 9, Conceição tornou-se a segunda paciente a iniciar o tratamento de braquiterapia no Centro de Radioterapia do Amapá. Mais do que um procedimento médico, o momento representou algo que ela jamais imaginou vivenciar durante a luta contra o câncer: permanecer perto de quem ama.
Ao chegar para mais uma etapa do tratamento, ela carregava consigo um sentimento que define em poucas palavras.
"É uma satisfação muito grande fazer meu tratamento aqui. Estou na minha cidade, perto da minha família. Antes, a gente precisava viajar, ficar ausente e deixar tudo para trás. Agora não. Posso voltar para casa, estar com meus filhos e receber o carinho de quem sempre esteve comigo", conta emocionada.
Diagnosticada com câncer e em tratamento desde o início do ano, Conceição já enfrentou sessões de quimioterapia e radioterapia. Apesar dos desafios, ela afirma que encontrou força no acolhimento recebido ao longo da jornada.
"Eu sempre digo que aqui a gente não vem apenas se tratar. A gente é acolhida. As profissionais são muito humanas e preparadas. Todos os dias somos recebidas com carinho, respeito e atenção. Isso faz toda a diferença para quem está passando por um momento tão delicado", afirma.
Ao seu lado, acompanhando cada consulta, exame e sessão de tratamento, está a filha, Letícia Canuto. Ela lembra que a família já se preparava para enfrentar uma nova separação quando recebeu a notícia de que a braquiterapia passaria a ser oferecida no estado.
"Quando descobrimos que minha mãe poderia fazer o tratamento aqui, foi um alívio enorme. Já estávamos organizando tudo para sair do Amapá, pensando nos custos, na moradia e em como seria ficar longe da família. Receber essa notícia mudou tudo", relembra.
Para Letícia, permanecer em casa tem sido tão importante quanto o próprio tratamento.
"A gente percebe o quanto ela está melhor. Não apenas fisicamente, mas emocionalmente também. Ela está perto dos filhos, dos netos, da família. Isso dá força. Isso ajuda na recuperação. Saber que ela pode lutar contra a doença sem abrir mão da convivência com quem ama é algo que não tem preço", destaca.
Entre uma sessão e outra, Conceição encontrou no Centro de Radioterapia um ambiente que ajuda a tornar os dias mais leves.
"Aqui a gente conversa, brinca, ri junto. As meninas são muito animadas. Claro que ninguém escolhe passar por um tratamento como esse, mas, quando você encontra pessoas que cuidam da sua saúde e também do seu coração, tudo fica mais fácil", diz.
O médico radio-oncologista do Centro de Radioterapia do Amapá, Mathes Paes, explica que a implantação da braquiterapia representa uma conquista importante para a oncologia no estado.
"Estamos vivendo um momento muito gratificante para a oncologia do Amapá. A braquiterapia é um tratamento essencial para pacientes com câncer ginecológico e, até então, essas mulheres precisavam sair do estado para realizar esse procedimento. Iniciamos o primeiro tratamento sem intercorrências e agora seguimos atendendo novas pacientes. O Governo do Estado está conseguindo oferecer um tratamento curativo, com qualidade e segurança, sem que elas precisem se afastar de suas famílias", ressalta.

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