A Prefeitura Municipal de Amapá acaba de inaugurar uma nova categoria de eficiência administrativa: a gestão por viagem no tempo. Segundo a placa oficial instalada pela prefeita Kelly na Comunidade de Sucuriju, uma obra que deveria ter começado em janeiro de 2025 e ter sido bizarramente entregue em apenas cinco meses (em junho de 2025) continua exatamente do mesmo jeito. Estamos em junho de 2026 — ou seja, um ano após a data fantasiosa de inauguração — e nem um único tijolo foi assentado no local. Enquanto os prazos imaginários evaporam no calendário, os moradores enfrentam a dura realidade de serviços básicos precários em canteiros de obras que viraram conceituais monumentos ao abandono
Dizem as más línguas que, para a próxima campanha eleitoral, a equipe de marketing da prefeita jogou a toalha da hipocrisia e decidiu adotar um tom mais realista. O novo slogan oficial que já ecoa pelos corredores vazios das secretarias é:
Afinal, para que gastar com cimento, tijolo e mão de obra real se uma lona colorida gera o mesmo impacto visual nas fotos das redes sociais?
Monumento do Sucuriju: um posto fantasma
O exemplo mais nítido dessa engenharia de lona e vento funciona na prática como um belíssimo testamento do descaso com a saúde do povo:
•Objeto: Reforma do Posto de Saúde do Sucuriju (CNES 2021919)
•Investimento anunciado: R$ 203.528,00
•Parceria: Ministério da Saúde e Prefeitura de Amapá
•Início planejado: 29/01/2025
•Término prometido: 30/06/2025
O cronograma impresso na placa merece um prêmio internacional de ficção literária. É um verdadeiro fenômeno sobrenatural: o tempo passa, o dinheiro de mais de 200 mil reais some na burocracia, a data de entrega vira passado distante, mas a reforma continua sendo uma lenda urbana na comunidade. No endereço, a única coisa que realmente "trabalha" é a lona da placa, que segue desbotando calmamente sob o sol e a chuva
Se na saúde a situação é de abandono completo, na educação a prefeita Kelly resolveu aplicar o mesmo método de ensino baseado em promessas invisíveis. Escolas tradicionais viraram verdadeiros laboratórios de paciência para crianças e professores:
Escola Municipal Pipoca: O nome, que deveria lembrar infância e alegria, hoje serve perfeitamente para ilustrar como a paciência dos pais está "estourando". As promessas de melhorias e manutenção na estrutura parecem ter virado fumaça, deixando os alunos em um ambiente que desafia o direito básico ao estudo digno.
Escola Municipal Vulcão do Norte: Uma instituição com nome imponente, mas cuja estrutura está em constante estado de "erupção" devido ao desleixo. Os prazos de reforma dessa unidade esticaram tanto que já ultrapassaram anos letivos inteiros. A comunidade escolar aguarda sentada que a prefeitura mude a rota do descaso, mas até agora, só receberam promessas frias.
O padrão ouro do desgoverno
A letargia que paralisa o Posto de Sucuriju e as escolas Pipoca e Vulcão do Norte não é um caso isolado, mas sim a identidade visual da atual administração. O cenário de paralisia se repete em um rodízio macabro por todo o município: fachadas de Unidades Básicas de Saúde (UBS) aguardam reformas intermináveis enquanto a população precisa se deslocar quilômetros atrás de um simples analgésico.
Com recursos federais carimbados e garantidos, o verdadeiro mistério da gestão Kelly continua sendo a total incapacidade de erguer uma parede dentro do prazo estabelecido. Para o amapaense, resta o consolo de saber que, se faltam médicos, remédios, professores e telhados seguros nas salas de aula, pelo menos as placas de sinalização continuam firmes, fortes e muito bem pintadas, servindo de decoração para as ruínas do município.

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