Na falta de infraestrutura e competência da gestão da prefeita Kelly, o jeito foi apelar para o divino: no município do Amapá, as aulas da rede municipal agora são ministradas dentro de uma capela improvisada. O espaço foi cedido pela comunidade para salvar as crianças do relento.
O caso reflete o completo abandono denunciado por moradores da região. A estrutura original da Escola Municipal Vulcão do Norte, localizada a 30 km da sede do município, está totalmente deteriorada e interditada. Diante do teto caindo aos pedaços, a prefeitura transferiu a obrigação do Estado para o espaço religioso, onde uma placa com o nome da instituição foi fixada na fachada para oficializar o improviso. “A gente agradece à igreja, porque se dependesse da prefeitura nossos filhos estariam estudando no sol. A escola original está podre. A prefeita esqueceu que o Vulcão do Norte existe", protesta o pai de duas crianças que agora assistem às aulas ao lado do altar.
O Município de Amapá conta com R$ 14.042.767,54 em receitas previstas do Fundeb para o exercício de 2026, conforme dados oficiais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. O montante inclui R$ 13.477.112,02 provenientes da contribuição de estados e municípios ao fundo, além de R$ 565.655,52 em complementações da União, distribuídas entre as modalidades VAAT e VAAR. Também há registro de investimento vinculado ao FNDE/CAIXA para a construção da Creche Pré-Escola Tipo 1 – Pimpolho, com contratação no valor de R$ 5,76 milhões.
O Milagre da Infraestrutura Terceirizada
Graças à solidariedade da igreja local, os alunos do 1º ao 4º ano não ficaram sem teto. Enquanto isso, o prédio original construído pelo município virou um depósito de lixo em ruínas. Moradores ironizam a situação, afirmando que a gestão Kelly inovou ao criar a "infraestrutura por oração".
Se o espaço das aulas mudou para o templo, a viagem até ele exige uma dose extra de perigo. O transporte dos estudantes é uma verdadeira jornada de sobrevivência realizada em duas etapas:
Etapa Terrestre: As crianças são transportadas em motocicletas, a maioria sem o uso obrigatório de capacete.
Etapa Fluvial: O perigo aumenta nas rabetas (canoas motorizadas), onde os pequenos embarcam em embarcações em péssimo estado de conservação, sem coletes salva-vidas ou qualquer item básico de segurança.
Ministério Público Ignorado
O caso mais grave é que a situação não acontece às escondidas. O Ministério Público já realizou inspeções no local e constatou formalmente o risco iminente à integridade física das crianças. Porém, as determinações parecem não surtir efeito na administração municipal.
O Ministério Público veio aqui, olhou, mas a prefeita parece que não liga para a lei", relata uma moradora da comunidade. Enquanto a prefeitura se omite, os alunos da comunidade Vulcão do Norte seguem dependendo da caridade religiosa para ter uma sala de aula e de milagres diários para conseguir voltar vivos para casa. Entre rabetas velhas e motos sem proteção, fica o reflexo de que para estudar na atual gestão, o aluno precisa mais de um colete salva-vidas do que de uma caneta.

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