O Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), por meio do Centro de Justiça Restaurativa (Cejure/TJAP) e do Centro Judiciário de Soluções de Conflitos e Cidadania (Cejusc/TJAP) da Comarca de Santana, promoveu, na manhã desta terça-feira (25), o Encontro de Aprofundamento dos Facilitadores Restaurativos, ocorrido no Plenário do Fórum da cidade. A iniciativa integra a programação da Semana da Justiça Restaurativa (SJR), movimento internacional realizado anualmente, na terceira semana de novembro.
O encontro foi voltado ao fortalecimento da prática restaurativa e ao estudo de metodologias que qualificam a atuação em diversos contextos, como unidades judiciais, escolas, comunidades e instituições parceiras. Nesta edição, os facilitadores dedicaram atenção especial aos Círculos de Fortalecimento de Vínculos Familiares, com foco na atuação direta no Cejure e no Cejusc com famílias em conflito e com vínculos fragilizados.
A supervisora do Cejure e do Cejusc, Neide Santos, destacou que o momento foi marcado por autocuidado, aprofundamento teórico e troca de experiências.
“Esses profissionais precisam se aprimorar continuamente, pois as demandas são intensas e complexas. Com mais uma metodologia da Justiça Restaurativa, poderão reconectar pessoas e restaurar relações de forma qualificada”, afirmou.
Ela acrescentou: “a rotina e a dinâmica da vida moderna acabam afastando as pessoas e criando choques dentro da própria família. Aqui, desenvolvemos, com amor e sensibilidade, habilidades para atender quem chega com vínculos rompidos.”
A programação incluiu debates sobre escuta sensível, desafios cotidianos da prática restaurativa e análise conjunta de situações reais, ampliando a compreensão sobre responsabilização, reparação e restauração de laços.
O professor aposentado de História e facilitador restaurativo, Jorge Carmona, ressaltou o orgulho de atuar voluntariamente em um trabalho que transforma vidas. “Nós, facilitadores, favorecemos a construção ou reconstrução de relacionamentos. Reconstituímos o que foi quebrado a partir das práticas restaurativas”, destacou.
Facilitadores Restaurativos
De acordo com a Resolução nº 225/2016 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o trabalho de facilitador é voluntário e requer, no mínimo, dois anos de formação superior, além de capacitação específica de 70 horas teóricas e práticas para condução de Círculos Restaurativos.
Justiça Restaurativa
A Justiça Restaurativa é um conjunto sistematizado de princípios, métodos e atividades que promovem a conscientização sobre fatores relacionais, institucionais e sociais que levam a conflitos e violências. Mais do que uma técnica, trata-se de uma abordagem transformadora, que cria espaços de escuta qualificada, responsabilização ativa e fortalecimento dos vínculos humanos e institucionais.
No âmbito do Poder Judiciário, representa uma ferramenta concreta de transformação das relações e das instituições, o que estimula cultura de diálogo, reparação e reconstrução de laços.
A Política Pública Nacional de Justiça Restaurativa, estabelecida pela Resolução CNJ nº 225/2016, assegura a consolidação da identidade e da qualidade da prática no Brasil, garantindo sua implementação com integridade, seriedade e compromisso institucional. (TJAP)
