O CAMINHAR LENTO DA VACINAÇÃO
Os prefeitos avançam na vacinação encarando os gargalos e desafios

Com poucas vacinas, interrupção na entrega e lentidão na aplicação. Estes são os gargalos e agora? Assim mesmo os prefeitos Márcio Serrão (Laranjal do Jari- 78,10%) e Bala Rocha (Santana - 73,24%) estão liderando no Ranking de vacinação do Estado do Amapá.
Reinaldo Coelho
São mais de 10 milhões de pessoas que receberam a primeira dose nesses dois meses da Campanha Nacional de Imunização contra o COVID 19, ritmo inferior a outras campanhas no país. Nesta velocidade, país levaria mais de três anos para completar imunização. Vácuo na coordenação nacional faz Estados agirem de forma desarticulada
Em ritmo considerado lento por especialistas, mesmo diante do problema de escassez de doses que o país enfrenta. Considerando que a ambição é imunizar 90% da população, na atual velocidade o país levaria três anos e meio para concluir o trabalho.
Um ponto de comparação apontado por especialistas é o histórico do país, que já conseguiu vacinar em média 1 milhão de pessoas por dia durante a pandemia de H1N1, por exemplo. A atual campanha de imunização enfrenta problemas particulares: há o desafio de realizá-la em uma grave pandemia com tendência de elevação de casos e diante de um quantitativo ainda pequeno de doses disponíveis.
E a situação fica mais críticas, pois quem está no front desse combate e responsáveis diretamente pela saúde e imunização dos habitantes dos municípios são os prefeitos de cada uma das mais de cinco mil municipalidades brasileiras.

O Amapá recebeu 45.306 doses de vacina e aplicou 33.262 na primeira dose e 12.044 na segunda dose nos 16 municípios amapaense, sendo que os prefeitos amapaenses lutam em diversas frentes, vacina, imunizar, cuidar de outras doenças, falta de leitos, falta de insumos, logística, dar continuidade econômica e financeira municipal, manter a rede de educação funcionando, enfim... Além de ter de enfrentar o negativismo e a revolta dos setores de prestação de serviços que são os mais atingidos com os rigores dos decretos e agora do lockdown.

Agora, muitos prefeitos e governadores estão céticos sobre o que o Palácio do Planalto pode oferecer, e correm por conta própria atrás de vacinas. Caso do prefeito de Mazagão e o de Santana, que estão em tratativas para aquisição de doses de vacinas de empresas produtoras.
e prefeitos a comprarem vacinas
sem aval da Anvisa
De acordo com decisão do STF, em plenário virtual, no dia 23 de fevereiro, estados e municípios podem comprar vacinas para Covid-19 desde que a União não cumpra o plano de vacinação ou se o número de doses for insuficiente.
Sem dinheiro federal, os estados e municípios têm condições de arcar com a aquisição de imunizantes?
Depende. Alguns estados, como São Paulo e Paraná, afirmam ter reservado recursos para comprar lotes de vacina, caso seja necessário. Em outras unidades da federação, as assembleias legislativas estão ou já votaram projetos para criar esse espaço no orçamento.
No caso dos municípios, a proposta da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) era usar recursos da União para fazer a compra. Caso não consigam acesso à verba, os prefeitos, que têm o caixa mais restrito que os estados, ainda estudam alternativas, como pedir acesso a financiamento internacional.
E a luta continua, os prefeitos represados pela falta de recursos, o povo morrendo devido ao aumento de contaminação e do surgimento de novas cepas de vírus SARS-CoV-2, como o do Amapá, denominado P1, e que já contaminou duas pessoas em Macapá em Laranjal do Jari e com força e letalidade maior.
Vamos lembrar o início da lenta caminhada da vacinação
Desde que a enfermeira Mônica Calazans, 54 anos, em São Paulo, recebeu a primeira dose da vacina contra a covid-19 no dia 17 de janeiro e recebe 2ª dose da CoronaVac dia 12 de fevereiro de 2021.

E no Estado do Amapá no dia 19 de janeiro de 2021, a Enfermeira Kátia Regina Marinho de Araújo, 55 anos, o indígena e enfermeiro Demétrio Amisio, de 36 anos e a idosa Brasiliana Trindade, 68 anos. A aplicação foi da CoronaVac, vacina do Instituto Butantan feita em parceria com o laboratório chinês Sinovac, foram os primeiros no Amapá vacinados contra Covid-19 e também já receberam a segunda dose da vacina.

Dados publicados apontam que 10.984.488 pessoas tomaram a primeira dose e 4.027.123 a segunda, num total de mais de 15 milhões de doses aplicadas no Brasil. Nesses dois meses de vacinação o Amapá já imunizou com a 1ª doses 33.245 (3,86%) e com a 2ª dose - 11.919 (1,38%) amapaenses.

Em todo o Brasil levantamento aponta que 10.984.488 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19. O número representa 5,19% da população brasileira. A segunda dose já foi aplicada em 4.027.123 pessoas (1,90% da população do país) em todos os estados e no Distrito Federal. No total, 15.011.611 doses foram aplicadas em todo o país.
O número pode até parecer alto, mas está bem abaixo das expectativas e da capacidade de nosso sistema de saúde, de acordo com especialistas ouvidos pela Jornal dos Municípios Ap Online.
"O ritmo de vacinação no país está simplesmente péssimo. Nós já deveríamos ter utilizado pelo menos todo esse primeiro lote de 6 milhões de doses da CoronaVac, do Instituto Butantan e da Sinovac", analisa o epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Falta de planejamento, desafios de comunicação, problemas na coleta das informações e falhas no sistema do Ministério da Saúde ajudam a explicar essa lentidão.
O Governo do Estado já distribuiu até esta quarta-feira, 17, mais de 52 mil vacinas para os 16 municípios do Amapá. Macapá é o município que mais recebeu doses dos imunizantes, já Laranjal do Jari lidera como o que mais vacinou para a primeira dose.

Na manhã desta quinta-feira, 18, foram entregues mais 2.890 novas doses para Macapá, totalizando 31.816 vacinas para a capital amapaense até agora. Entretanto, o município ocupa a 6ª posição em vacinas aplicadas na primeira dose.

O município que mais vacinou para a primeira dose até agora foi Laranjal do Jari, alcançando 78,10% da população; em seguida vem Santana com 73,24%; depois Cutias do Araguari com 71,53% de cobertura vacinal. Já Macapá, que lidera em número de vacinas recebidas, tem somente 63,02% de cidadãos do público alvo que receberam a primeira dose.

Entre os municípios que mais têm avançado na vacinação da segunda dose, Pracuúba lidera com 44,67% de pessoas com o ciclo completo de imunização; em seguida Serra do Navio com 42,65% e Cutias do Araguari com 37,50%. As cidades da região metropolitana marcam baixos números de vacinação, sendo Macapá 17,30%, Santana 13,27% e Mazagão não iniciou a segunda etapa.
O quantitativo de doses recebidas pela capital até esta quinta-feira (17) é o suficiente para imunizar 78,7% dos trabalhadores da saúde, 39,7% para pessoas idosas entre 75 e 79 anos, 100% para pessoas idosas na faixa etária acima de 80 anos e 100% para o grupo de pessoas idosas institucionalizadas e cuidadores.
A vacinação seguirá ocorrendo de acordo com a chegada de novos lotes de doses. Dentro dos padrões estabelecidos pelo Plano Nacional de Imunização, todas as vacinas serão encaminhadas imediatamente, assim que recebidas pelo Estado através do Ministério da Saúde.
Veja o ranking dos municípios que mais vacinaram:
1ª DOSE:
- Laranjal do Jari: 78,10%
- Santana: 73,24%
- Cutias do Araguari: 71,53%
- Calçoene: 66,94%
- Serra do Navio: 64,34%
- Macapá: 63,02%
- Pracuúba: 59,39%
- Ferreira Gomes: 56,97%
- Oiapoque: 56,55%
- Amapá: 56,08%
- Tartarugalzinho: 49,04%
- Vitória do Jari: 48,55%
- Pedra Branca: 45,10%
- Porto Grande: 40,76%
- Mazagão: 31,78%
- Itaubal: 29,60%
2ª DOSE
- Pracuúba: 44,67%
- Serra do Navio: 42,65%
- Calçoene: 38,57%
- Cutias do Araguari: 37,50%
- Amapá: 29,48%
- Ferreira Gomes: 27,87%
- Laranjal do Jari: 26,34%
- Porto Grande: 22,17%
- Itaubal: 20,00%
- Tartarugalzinho: 17,62%
- Macapá: 17,30%
- Oiapoque: 14,66%
- Santana: 13,27%
- Pedra Branca: 11,17%
- Vitória do Jari: 6,40%
- Mazagão: 0,00%
Com que rapidez as vacinas COVID-19 poderiam interromper a pandemia?
O impacto das vacinas COVID-19 na pandemia dependerá de vários fatores. Isso inclui a eficácia das vacinas; com que rapidez eles são aprovados, fabricados e entregues; o possível desenvolvimento de outras variantes e quantas pessoas são vacinadas
Embora os ensaios tenham mostrado que várias vacinas COVID-19 têm altos níveis de eficácia, como todas as outras vacinas, as vacinas COVID-19 não serão 100% eficazes. A OMS está trabalhando para ajudar a garantir que as vacinas aprovadas sejam tão eficazes quanto possível, para que possam ter o maior impacto na pandemia.
