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Quarta-feira, 03 de Junho 2026
Notícias/Assembléia Legislativa AP

Bailique: 80% dos moradores estão com restrições por conta de dívidas com a CEA Equatorial

Estão impedidos de contratarem empréstimos por estarem inadimplentes com a CEA Equatorial.

Bailique: 80% dos moradores estão com restrições por conta de dívidas com a CEA Equatorial
Texto e fotos: Emerson Renon
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Bailique: 80% dos moradores estão com restrições por conta de dívidas com a CEA Equatorial

“Não queremos nada de graça. Queremos o mínimo de dignidade e uma energia de qualidade.” O desabafo foi feito pelo comerciante Garibalde dos Santos Barbosa, que mora no Arquipélago há 54 anos, aos parlamentares da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Amapá sobre a atual situação dos populares que estão impedidos de contratarem empréstimos por estarem inadimplentes com a CEA Equatorial.

 

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“Eu descobrir que estava com restrições após tentar um empréstimo bancário. Fui obrigado a negociar um débito de mais de R$ 6 mil com a empresa para ter direito a ajuda financeira”, contou. “O pior de tudo é que o serviço não foi prestado com qualidade, aqui ficamos mais tempo sem energia do que com energia e ainda temos dificuldades em acessar o boleto para honrar o compromisso assumido”, arrematou Garibalde Barbosa.

João Carlos Lobato Fonseca, de 35 anos, também morador, foi além. Disse que se sente lesado ao ter que negociar um débito por um serviço praticamente inexistente. Segundo ele, a cobrança chega mensalmente com valores exorbitantes. “Tem pessoas que devem mais de R$ 10 mil para a companhia e como todos podem observar não temos energia. É muito complicado assumir uma dívida que não contraiu e ainda ficar impedida de fazer um empréstimo que é a forma de nos mantermos aqui”, contou.

 

Ressaltou ainda que os donos de comércio estão perdendo renda e acumulando prejuízos. “Os barcos pesqueiros trocaram o Bailique pelo o município de Amapá porque aqui não temos mais como fazer gelo; deixamos de ter uma fonte de renda que é fundamental para a permanência de muitos; quem trabalha com venda de polpas teve que encerrar as atividades porque não tem como manter o produto congelado e sem condições a solução encontrada por alguns foi deixar o distrito”, disse João Fonseca.

Os problemas pontuados pelos moradores foram anotados pelo Líder da Manutenção e da Rede de Distribuição da CEA Equatorial, Patrick Matos, que prometeu encaminhar à diretoria para que seja encontrada uma solução quanto ao endividamento dos populares. Quanto a falta de energia, ele explicou que parte da rede fica dentro da mata, o que ele denominou de faixa suja, o que causa constantemente a interrupção no fornecimento de energia por conta das fortes chuvas que caem na região.

 

“Normalmente as chuvas chegam com rajadas fortes de vento e, na maioria das vezes, ocasionam a derrubada de árvores que destroem a fiação”, explicou Patrik Matos. “Outro grave problema detectado é quanto ao fenômeno das terras caídas que tem ocasionado a derrubada de postes e com eles a fiação. Hoje, estamos substituindo os postes de concreto pelos de fibra, considerados mais leves, uma forma de garantirmos que eles se mantenham em pé”.

 

Os membros da Comissão de Direitos Humanos da Casa Legislativa, Dr. Jaci (Cidadania), Paulo Lemos (Psol), Aldilene Souza (PDT) e Raimunda Beirão (PMB), foram unânimes ao afirmarem a necessidade de encontrar uma alternativa para a amortização da dívida ou mesmo o perdão para que os moradores possam ter condições de buscarem auxílio financeiro para manter os seus negócios e assim permanecerem no Bailique.

 

“Iremos acionar o nosso jurídico para saber a legalidade de uma solicitação junto ao Governo do Estado para o perdão da dívida, uma vez que os moradores têm razão em questionar a cobrança por um serviço deficiente e é complicado ter que negociar um débito que não fez e acredito que na Justiça podemos chegar a uma solução onde ela poderá dizer se a dívida deve ser paga pelo estado ou mesmo perdoar, que é o mais correto porque não se pode pagar por aquilo que não teve”, explicou o deputado Dr. Jaci, presidente da CDH. Texto e fotos: Emerson Renon

Reinaldo Coelho

Publicado por:

Reinaldo Coelho

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