A Câmara Municipal de Calçoene, no Amapá, foi tomada por um clima de reverência nesta data com a visita de dois ex-vereadores constituintes que ocuparam cargos de liderança entre 1989 e 1993: Irrael dos Santos Farias, que presidiu a Câmara naquele período, e Ivan Guimarães, que atuou como presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Eles estiveram acompanhados pelos vereadores atuais Pucuiu (Partido Liberal) e Nildo Motos (PDT), num encontro que foi marcado por discursos de gratidão, reconhecimento do passado e reflexão sobre o presente político do município.
O encontro teve caráter simbólico, mas também representou um gesto concreto de valorização institucional. Ao receber ex-lideranças, a Câmara de Calçoene reforçou a ideia de que a experiência acumulada é fundamento para nortear as práticas legislativas atuais. Irrael e Ivan são nomes lembrados por muitos habitantes do município como figuras que ajudaram a estruturar a vida política local após a promulgação da nova Constituição Federal, contribuindo para a consolidação das câmaras municipais no Brasil. Embora registros históricos mais detalhados sejam escassos, sua trajetória remonta a momentos de transição democrática, nos quais a participação popular e o fortalecimento do poder local assumiram papel central.
Os vereadores Pucuiu e Nildo Motos representaram o novo ciclo político de Calçoene, eleito para gestão 2025-2028. Nildo Motos, por exemplo, com 51 anos, já figura como voz ativa, filiado ao PDT, e com atuação legislativa reconhecida. Pucuiu também compõe a representação jovem, buscando dar continuidade e inovação nas pautas municipais. A presença de ambos ao lado dos veteranos sugere uma tentativa de combinar firmeza institucional com inovação, respeitando tradições, mas abrindo espaço para novos enfoques de gestão participativa.
Para muitos moradores, essa reunião significa mais do que cortesia: é sinal de que memória e política podem caminhar juntos. Em municípios como Calçoene, onde distâncias físicas e logísticas se somam ao desafio de recursos limitados, ter lideranças que lembram o passado institucional ajuda a reforçar o sentimento de pertencimento. Isso pode se refletir no engajamento popular, no resgate de legislações locais esquecidas, no fortalecimento dos processos democráticos de fiscalização e no estímulo a políticos mais responsáveis com compromissos históricos.
Outro desafio para os vereadores atuais será equilibrar demandas imediatas com visões de longo prazo. Inspirar-se nos líderes de ontem é valioso, mas o eleitor espera resultados tangíveis: projetos de lei que atendam às periferias, fiscalização mais eficaz, transparência real e gestão que dialogue com comunidades isoladas. Em muitos casos, jovens vereadores têm diante de si a tarefa de inovações tecnológicas, comunicação direta com cidadãos, participação popular — tarefas que não estavam formuladas nos anos 80 e 90, mas que são indispensáveis hoje.
