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‘SONHO DA CASA PRÓPRIA’

Déficit habitacional leva 400 famílias a ocupar terreno abandonado na Zona Norte de Macapá 

‘SONHO DA CASA PRÓPRIA’
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‘SONHO DA CASA PRÓPRIA’


Déficit habitacional leva 400 famílias a ocupar terreno abandonado na Zona Norte de Macapá 
 
Terreno usado por bandidos como esconderijo para assaltos, furtos e estupros preocupava os moradores do entorno   e a ocupação traz alivio para esses moradores.


Além do mato alto trazer insegurança, para quem vive na região Norte de Macapá, fica preocupado com riscos à saúde física e mental, pois poderão ser atacados pelos vírus da dengue a da coronavírus, do estrupo ao assalto. Esta situação vivenciada por moradores do Bairro Brasil Novo no fim da Avenida Pinhal está sendo amenizada a partir do início da ‘invasão’ do terreno que vinha servindo de cenário para crimes, em setembro de 2020, esses moradores já ali residentes apoiaram a vinda dessas famílias.

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Essas 400 famílias que decidiram se assentar em uma área considerada abandonada e utilizada por criminosos. se deve ao sonho da casa própria, e ao grande déficit que persiste na capital amapaense, que há mais oito anos não tem executados programas de construção ou definição de loteamentos para beneficiar famílias que vão se formando anualmente.
 
Em Macapá o último projeto de um Conjunto Habitacional, realizado pela gestão passada, foi o Conjunto Janary Nunes, porém localizado no Distrito de Fazendinha é há mais de dois anos está com suas obras paralisadas e sem justificativa do poder público municipal. A empresa responsável pela construção retirou todas máquinas e trabalhadores do canteiro, que, portanto, foi abandonado.
 
O Conjunto Habitacional Miracema contemplando, inicialmente, 500 moradias que serão destinadas a famílias que atendem às exigências do Programa Minha Casa, Minha Vida; moradores de áreas de ressaca que vivem em condições insalubres e demanda dirigida pela Justiça Federal. Ou seja, já tem moradores cadastrados. E os demais?

 
A dona de casa Patrícia Palmeira, filha de um casal que mora na região, disse que tem medo de viver no local. A casa da família, que fica em frente ao terreno, já foi invadida pelo menos três vezes por bandidos.
"Já levaram relógios, celulares, sem ninguém dentro de casa. Entram, pulam o muro, tem até cerca elétrica, mas mesmo assim pulam e vão embora pelo fundo, porque tem o matagal", disse a dona de casa.
"Recentemente, uma adolescente foi estuprada, mas não é só ela. Eu moro aqui há 20 anos e durante esse período, que é extenso, nós temos esses mesmos problemas, nessa mesma região e o índice de violência na localização é muito grande de assaltos e estupros", também denunciou Maria de Fatima Miranda
O terreno localizado atrás do Bairro Brasil Novo, é patrimônio da União, sob a responsabilidade do IBAMA e que está em transição para passar a posse ao Estado do Amapá. E de acordo com informações dos moradores do Bairro Brasil Novo o local já sofreu diversas invasões, mas dessa vez os atuais ocupantes, não estão sendo importunados e já tem famílias morando e residências construídas.
 
Muitos moradores costumam passar pelo local durante o dia para diminuir o caminho e se transportar de um bairro para outro. À noite, ninguém se arrisca a fazer a mesma coisa.
Para a equipe que lidera e organiza a instalação das famílias, o local escolhido fica localizado no final da Avenida Pinhal, e o primeiro passo foi formar um grupo de pessoas para não deixar virar bagunça, e uma das líderes é Elizete Trindade.
 
Elizete Trindade 

De acordo com a líder Elizete Trindade foi feito a medição de lotes e feitas as ruas muito bem organizado. Cada a famílias se reuniu pra pagar um topografo e um engenheiro para realização dos projetos de posteamento, lotes e ruas.
 
“O primeiro passo foi constituirmos uma equipe para organizar e distribuir os lotes, contratamos um topografo que fez a medição da aérea e fez os traçados das ruas e dos lotes para cada família. Obedecendo esses traçados foram entregues a cada um e começaram a construir suas residências.”, informou Elizete Trindade.


A maioria das famílias invasoras, necessitam de uma casa própria e devido a pandemia, essa necessidade cresceu, devido o desemprego e muitas famílias que vivem de aluguel, sem recursos para cumprir com os pagamentos, estão ameaçadas de despejos ou já despejadas.
“Assim fomos nos unindo para suprir essa necessidade que é um direito de todos os brasileiros, ter uma residência digna para morar com seus familiares. Temos famílias com no mínimo oito meses de aluguel atrasado e outros despejados. Claro que não é 100% de todos que estão nessa situação. Muitos ainda não construíram pois não tem recursos para comprar madeira e construir um barraco”, explica Elizete. 
A líder explicou que a equipe de ação composta para organizar a locação dessas famílias, teve o cuidado em que isso acontece sem causar problemas para os moradores do entorno, os que estão querendo residir no local e nem as autoridades.
 
“As ruas e lotes foram medidos de acordo com o que acontece no município de Macapá, lotes com medidas de 10 x 25 m e cada família recebeu o seu. Começou a construção das residências após conclusão do serviço de marcação. Não consideramos um local de ‘invasão’, mas um assentamento.”, descreve.
 
De acordo com a equipe o serviço foi feito com todo os detalhes técnicos. “Recebemos dos dois profissionais um projeto de Bairro, com as ruas, lotes e locais de posteamentos todos demarcados, o que facilitará e dará uma organização do local e que deverá ser futuramente conhecido como Brasil Novo 3”, ressalta a Elizete esperançosa em ter o sonho da casa própria realizado pelas 400 famílias ali sendo instalada.
 
Para o pedreiro CS, 31, que não quis ser identificado um dos motivos para a ocupação é a necessidade das famílias. Segundo ele muitos comunitários do bairro moram de favor na casa de parentes ou de aluguel. “Nós estamos ocupando esse terreno por não termos onde morar, eu vivo de favor na casa da minha sogra. Já que o está abandonado porque não construir aqui?”, questionou.
Um dos assentados no futuro Bairro Brasil Novo 3, o senhor Manoel Fernandes, é que já conquistou seu lote e construiu seu pequeno barraco explicou que residia com da família de um irmão e que devido ao grande número de pessoas.
 
“Eu residia com um irmão e devido ao grande número de membros da família dele, e tomei conhecimento dessa invasão e vim até aqui e consegui um lote e construí meu barraco e já estou residindo. Eu vim de Calçoene atras da minha aposentadoria e até o momento não consegui terminar esse processo, então fiquei ilhado aqui em Macapá. Pois, não tenho condições de manter a ida e vinda até o INSS para resolver. Esse local já foi palco de criminalidades diversas e hoje como assentamento espero que mude essa situação e possamos viver em paz.”, declarou o esperançoso Manoel Fernandes.

 

 

Reinaldo Coelho

Publicado por:

Reinaldo Coelho

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