Calçoene voltou ao centro do debate sobre a expansão do setor de petróleo e gás no Amapá após publicações do governador Clécio Luís e do prefeito Toinho destacarem a visita de empresários ao município, tratados como potenciais investidores “visando a vinda iminente do petróleo e gás” para a região. Nas mensagens, as autoridades afirmam que a cidade está “na rota” do novo ciclo energético e que a gestão municipal estaria de portas abertas para receber empreendimentos associados à cadeia de serviços e infraestrutura.
O movimento ocorre num momento em que a exploração na Margem Equatorial, faixa marítima que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, volta a ganhar tração e também controvérsia. A área, em especial a Bacia da Foz do Amazonas, é considerada estratégica por seu potencial geológico, mas enfrenta questionamentos ambientais e exigências rigorosas de licenciamento. Em outubro de 2025, a Petrobras informou ter recebido autorização do Ibama para perfurar um poço exploratório na Foz do Amazonas, em águas profundas a cerca de 175 km da costa do Amapá, com foco em pesquisa e avaliação de viabilidade econômica.
É nesse contexto que municípios do norte amapaense tentam se posicionar para atrair empregos e receitas. Calçoene, localizada entre Macapá e Oiapoque, é citada em reportagens e declarações do governo estadual como um dos locais avaliados para receber uma base logística de apoio às operações, junto com Santana, que já conta com estrutura portuária. A definição de um polo de suporte tende a impulsionar demanda por serviços como transporte, hospedagem, alimentação, capacitação profissional, manutenção e fornecimento de insumos, além de abrir discussões sobre ordenamento urbano e regularização de áreas.
Ao mesmo tempo, especialistas lembram que a “rota” do petróleo depende de decisões técnicas e ambientais ainda sensíveis, e que a atração de investimentos precisa caminhar com transparência, planejamento e salvaguardas, sobretudo em uma região de alta biodiversidade e grande presença de comunidades tradicionais. A visita de empresários e o discurso político, portanto, sinalizam ambição de desenvolvimento, mas também inauguram uma fase em que Calçoene terá de conciliar expectativas econômicas com governança territorial e responsabilidade ambiental.
