As férias escolares de julho representam um período de lazer para crianças e adolescentes, mas também exigem atenção das famílias quanto à segurança durante as brincadeiras. Entre as atividades mais comuns está “empinar papagaio, rabiola ou curica” (nomes populares no Norte do Brasil para “Pipa”). O Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) alerta que o uso de cerol e linha chilena transforma essa diversão em uma prática criminosa, capaz de provocar acidentes graves, danos materiais e até mortes. O alerta foi reforçado nesta sexta feira (3), durante entrevista coletiva concedida pelo titular do Juizado Especial Criminal da Comarca de Macapá e presidente da Associação dos Magistrados do Amapá (Amaap), juiz Augusto César Leite.
Na ocasião, o magistrado destacou que a brincadeira tradicional deve ser preservada, desde que ocorra de forma responsável e sem a utilização de materiais cortantes.
Segundo Augusto Leite, o cerol, produzido a partir da mistura de cola com vidro moído, torna a linha extremamente cortante e coloca em risco não apenas quem participa da brincadeira, mas qualquer pessoa que passe pelo local. "A partir do momento em que o cerol vai para a linha, ela se torna extremamente cortante. Isso pode atingir qualquer pessoa. Já registramos casos de motociclistas com o pescoço cortado, inclusive com mortes", pontuou o magistrado.
O juiz explicou que o problema vai muito além dos cortes provocados pelas linhas. O contato com a rede elétrica pode causar desligamentos no fornecimento de energia, prejuízos materiais e acidentes fatais. Crianças e adolescentes também se expõem ao risco de choques elétricos e quedas ao tentar recuperar pipas presas em postes, telhados, árvores ou na fiação.
"A pipa pode virar um condutor de energia. Quem tenta recuperar o brinquedo em locais perigosos corre risco de choques elétricos e de quedas que podem ser fatais", explicou Augusto Leite.
Durante a entrevista, Augusto Leite ressaltou que empinar pipa continua como uma atividade saudável e importante para o desenvolvimento infantil. Entretanto, destacou que toda brincadeira deve respeitar limites impostos pela legislação e pelo direito à segurança de outras pessoas.
"É uma brincadeira que faz parte da infância de muitas gerações. O problema surge quando a diversão passa a colocar terceiros em situação de risco. Nenhuma diversão justifica expor a vida de outra pessoa”, comentou o juiz.
O juiz também chamou a atenção para o papel das famílias durante o período de férias escolares. Conforme explicou, cabe aos pais e responsáveis acompanhar onde as crianças brincam, quais materiais utilizam e com quem permanecem durante as atividades.
"Nós precisamos saber o que nossos filhos fazem, com quem eles brincam e com o que eles brincam. Educar, orientar e fiscalizar também faz parte da responsabilidade dos pais”, orientou o magistrado.
Além da responsabilidade criminal, Augusto Leite destacou que quem provoca acidentes com cerol ou linha chilena pode responder civilmente pelos danos causados. Em situações mais graves, o responsável poderá ser obrigado a indenizar vítimas e familiares, conforme as consequências do acidente.

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