Calçoene se revela como um reduto onde a natureza, a história e a cultura se entrelaçam na forma mais intensa e autêntica. Com uma população estimada em cerca de 11 493 habitantes e território de mais de 14 000 km², este município banhado pelo Atlântico e imerso na floresta amazônica é território de chuvas abundantes e memórias profundas.
A exuberância começa nas praias litorâneas: a Praia do Goiabal, a 14 km da sede, se estende por até 70 km, com águas barrentas no início e salgadas em sua vastidão — um verdadeiro oásis natural ainda pouco impactado pelo turismo de massa. Eventos recentes como o “Veloterra” e o “Race do Tatu”, integrados ao programa “Goiabal Verão”, têm mostrado o potencial esportivo e recreativo do local, atraindo competidores e visitantes e contribuindo para a promoção do turismo esportivo no Amapá.
Além do país das águas, Calçoene guarda misteriosas joias arqueológicas: o Parque Arqueológico do Solstício, conhecido como o “Stonehenge do Amapá”. Formado por 127 imponentes blocos de granito, cada um com até 4 metros de altura e dispostos em círculo com mais de 30 metros de diâmetro, o sítio teria função astronômica, com alinhamentos solares durante o solstício, indicando a sofisticação dos povos indígenas pré-coloniais que ali viveram.
A vila de Cunani, antiga capital da autodeclarada República do Cunani na virada do século XIX, ainda preserva história e ancestralidade. Com cerca de 38 famílias vivendo na comunidade certificada como remanescente de quilombo, Cunani mantém vivas tradições como o zimba, dança afro-indígena única que reverencia os santos São Benedito e Santa Maria. Recentemente, tanto a dança quanto a Festa de São Benedito foram reconhecidas como patrimônios culturais imateriais pelo Governo do Amapá.
A produção artesanal local, o manejo qualificado de açaí e cacau, e a visita de equipes do governo estadual reforçam o compromisso em apoiar a economia familiar de Cunani e preservar sua identidade. Esses saberes ancestrais ganham forma nas mãos habilidosas dos artesãos e nos ritmos da capoeira, dança, teatro e música que ecoam pelas comunidades.
Para o prefeito Toinho Garimpeiro, "em Calçoene, cada rio é uma trilha de esperança, cada tambor é narrativa de luta, e cada sorriso reflete a força de um povo que floresce em meio à floresta. É lugar onde o sol beija a terra, onde o atlântico e o tempo se misturam, e onde o coração da Amazônia pulsa em cada gesto, som e memória", ressaltou.
