O prefeito interino de Macapá, Pedro DaLua (União Brasil), anunciou a criação de um Gabinete de Emergência Administrativa e Financeira com a missão de avaliar a situação das contas públicas e organizar a gestão municipal após a mudança no comando da prefeitura. A proposta será formalizada por meio de um projeto de lei encaminhado à Câmara Municipal e deve ser votada nos próximos dias pelos vereadores.
Segundo a proposta apresentada pela prefeitura, o gabinete terá duração inicial de 60 dias, podendo ser prorrogado conforme a necessidade dos trabalhos. A equipe será formada por secretários de áreas estratégicas da administração municipal, com a responsabilidade de levantar informações sobre contratos, pagamentos, investimentos e execução de serviços públicos considerados essenciais.
Pedro DaLua assumiu a chefia do Executivo municipal após o afastamento do então prefeito Dr. Furlan e do vice-prefeito Mário Neto, investigados pela Polícia Federal na Operação Paroxismo. A investigação apura suspeitas de irregularidades em processos licitatórios relacionados a obras do Hospital Geral Municipal de Macapá. No dia seguinte à operação, Furlan anunciou a renúncia ao cargo, afirmando que passaria a se dedicar à pré-campanha ao governo do estado.
De acordo com o prefeito interino, a criação do gabinete emergencial se tornou necessária devido à ausência de um processo formal de transição administrativa. Ele afirma que os antigos secretários deixaram os cargos sem apresentar relatórios detalhados sobre contratos, pagamentos e situação financeira da prefeitura, o que dificultou o acesso da nova gestão às informações básicas da administração.
Segundo DaLua, essa falta de dados tem impacto direto na continuidade de serviços públicos. Ele afirma que a atual equipe enfrenta dificuldades para acessar sistemas e contas administrativas, o que impede decisões imediatas sobre obras, investimentos e pagamentos. Por esse motivo, diversos projetos e contratos em andamento permanecem temporariamente paralisados até que a comissão conclua o levantamento das informações.
O gabinete emergencial será composto por representantes das áreas de saúde, finanças, procuradoria-geral, gestão municipal, comunicação e Macapá Previdência. Entre os nomes indicados estão Renilda Costa, Harlam Aguiar, Nilzelene Galeno, Gisele Fernandes, Joyce Freitas e Lucélia Quaresma.
A proposta também prevê que o grupo trabalhe em articulação com a Câmara Municipal e, se necessário, com o governo do estado para garantir apoio institucional durante o processo de reorganização administrativa. Os relatórios produzidos pela comissão deverão ser encaminhados a órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado, Controladoria-Geral da União, Polícia Federal e Ministério Público, com o objetivo de assegurar transparência e permitir a análise da situação financeira da prefeitura.
A iniciativa ocorre em meio a um cenário de instabilidade política na capital amapaense, que possui mais de 500 mil habitantes e concentra cerca de 60% da população do estado. Nesse contexto, a criação do gabinete emergencial busca restabelecer a normalidade administrativa e garantir que serviços essenciais continuem funcionando enquanto a gestão municipal passa por um processo de reorganização.

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