Penitenciária do Amapá tem alta de 140% no número de celulares apreendidos em 2021

Penitenciária do Amapá tem alta na apreensão de celulares no 1º trimestre de 2021.
Balanço divulgado pelo Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) revelou que o número de celulares, carregadores e chips apreendidos dentro do presídio mais que dobrou no 1º trimestre de 2021 em comparação ao mesmo período do ano passado. Na contramão dos itens telefônicos, houve redução de 12% nos encontros de arma branca, entre facas e estoques.
Em números absolutos, foram apreendidos entre janeiro e março deste ano: 291 celulares, 172 carregadores e 261 chips. No mesmo período de 2020, o total foi de 121 celulares, 67 carregadores e 107 chips.
Em relação ao encontro total de armas, houve redução. No ano passado, foram apreendidas no 1º trimestre: 4 armas de fogo, 27 facas e 28 estoques. Em 2021, até o mês de março, não foi apreendida nenhuma arma de fogo, porém, os agentes localizaram 16 facas e 32 estoques.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/m/N/4xGgTIQYuEjJB4e5DKMA/whatsapp-image-2021-01-05-at-14.31.05-1-.jpeg)
Foto: Iapen/Divulgação – Material apreendido em janeiro no Pavilhão F1.
Entre as maiores apreensões, está a de 5 de janeiro durante uma revista de rotina onde os agentes encontraram 58 celulares e 48 carregadores dentro do presídio.
O material estava escondido nas celas do Pavilhão F1, destinado a presos sentenciados, no qual segundo o diretor do Iapen, Lucivaldo Costa, é um dos locais onde as apreensões mais acontecem.
“Acontece mais nos pavilhões fechados, F1, F2, F3 e F4. É sempre onde a gente encontra o maior número de celulares. O material é escondido nas paredes, pisos, recentemente encontramos um esconderijo de 40 centímetros embaixo de um vaso sanitário”, relatou.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/B/k/DM3i7FSQaPi5RjFvx5kw/montagem.jpg)
Foto: Divulgação – Materiais arremessados para dentro do Iapen.
Em fevereiro, as equipes conseguiram interceptar um pacote com celulares, carregadores e outros itens que seriam arremessados para dentro do Iapen. Um homem tentou passar os pacotes, mas foi flagrado e fugiu abandonando o material ilícito.
Com o uso do aparelho celular, detentos conseguem comandar facções criminosas de dentro da penitenciária, realizam golpes de estelionato e organizam até mesmo o tráfico de drogas na região metropolitana.
No início de março, a polícia identificou uma quadrilha comandada por um interno do Iapen que aplicava golpes de estelionato com comprovantes de transferência falsos. O grupo conseguiu enganar 5 vítimas e obteve cerca de R$ 20 mil em mercadorias.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/w/h/xWcmJ6SSK1tG6uQLbR9w/whatsapp-image-2021-01-06-at-13.41.34.jpeg)
Foto: Victor Vidigal/G1Lucivaldo Costa, diretor do Iapen.
Para o diretor do Iapen, a alta na apreensão de celulares na comparação com 2020 acontece em função do grande número de intervenções realizadas em locais pontuais do presídio.
“Quando chega a informação para a gente de que existe alguma coisa ilícita em determinado local, a gente consegue descobrir a “toca” onde eles escondem e apreende um número bem razoável. Por exemplo, em uma das últimas intervenções foram encontrados aproximadamente 40 celulares, e desses, 20 estavam em apenas um local”, detalhou.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/W/Y/dd3NeASXqVBmtrdK5YQw/whatsapp-image-2021-04-19-at-11.49.14-1-.jpeg)
Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica – Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen).
Para reforçar a segurança no sistema penitenciário, foram instalados cerca de 40 bloqueadores de celular em 2020, entretanto, detentos ainda continuam recebendo e fazendo ligações de dentro das celas.
Entre os motivos que dificultam o bloqueio total das redes de telefonia móvel, está a interferência de uma torre de transmissão instalada a menos de 300 metros do presídio. De acordo com a direção, a estrutura dificulta que 100% da área seja protegida das chamadas clandestinas.
“Os bloqueadores de celulares são um problema bem serio. Conseguimos bloquear em torno de 60% e 70%, mas tem muitos espaços lá dentro descobertos. Exigimos que a empresa responsável desse cobertura total, mas ela alega que uma torre joga uma frequência muito forte pra cima do Iapen e que teríamos que acionar as empresas para que reduzissem isso”, justifica.
Com a falta total do serviço, o diretor do Iapen completa que a empresa contratada não recebeu valores em função de não oferecer totalmente o bloqueio. Disse ainda que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deve intermediar o imbróglio entre empresa e responsável pela torre de tranmissão.
“Que a Anatel faça a conciliação para que a gente possa ter no futuro um serviço de qualidade para que a gente possa tirar 100% o celular das mãos dos presos. Enquanto isso, nós não recebemos o serviço, o estado não pagou nenhum centavo para essa empresa, o Iapen não pagou. Até o momento, se a empresa não oferecer o serviço não vai auferir lucros. Os passos seguintes, dependendo do rumo que tiver nessa negociação, pode ter o cancelamento do contrato porque ela tem que fazer todo o bloqueio, de 100%”, completa.
