O município de Mazagão marcou presença no XXIII Congresso da Sociedade Brasileira de Arqueologia, realizado em Brasília, por meio de uma importante parceria com o Museu de Arqueologia da Universidade Federal de São Paulo (USP). O pesquisador Adervan Lacerda, coautor do estudo “Arqueogenética como ferramenta de reparação histórica: reflexões sobre os sepultamentos da Igreja Antiga de Mazagão Velho”, apresentou os avanços da pesquisa que investiga remanescentes humanos encontrados no sítio arqueológico da antiga igreja da comunidade.
A participação no evento reuniu arqueólogos de todo o país e reafirmou o compromisso da administração do prefeito Chico Nó com a valorização da cultura local, especialmente com a história de Mazagão Velho, reconhecida como um dos mais importantes redutos históricos do Amapá. A iniciativa fortalece a integração entre ciência, memória e identidade cultural.
Com o aprimoramento das técnicas de extração e sequenciamento de DNA, a arqueogenética tem se tornado uma ferramenta essencial para compreender o povoamento do continente americano e as relações entre diferentes populações indígenas. No caso de Mazagão Velho, os estudos revelam também potencial para aprofundar a compreensão da diáspora africana e suas repercussões na formação social da região.
A pesquisa ganhou novos contornos a partir de escavações realizadas em 2005, que resultaram na exumação de 61 esqueletos na Igreja Antiga de Mazagão. Esses remanescentes estão atualmente preservados no Mausoléu do Cemitério Municipal São Benedito. Em janeiro de 2025, pesquisadores realizaram uma consulta pública com a comunidade e iniciaram um levantamento osteológico detalhado, identificando lacunas documentais e indícios de vínculos diretos entre os antigos sepultados e moradores atuais da vila.
Essas evidências sugerem uma história muito mais complexa e diversa do que a tradicionalmente registrada, mesclando trajetórias de portugueses, indígenas, africanos, afrodescendentes e populações mestiças desde o século XVIII. A apresentação em Brasília amplia a visibilidade dessa linha de pesquisa e reforça a importância da arqueologia como instrumento de reparação histórica e valorização das identidades locais.
