Mais um fiasco na aplicação da D2 da CoronaVac em Macapá

Desencontro de informações e atraso na 2ª dose da CoronaVac deixam macapaenses confusos e revoltados sobre data de vacinação

Da Editoria
Após muita espera a vacina da CoronaVac finalmente chegou ao Amapá em doses insuficientes para imunizar toda a população que já tinha sido vacinada com a primeira dose. O problema da vacinação em Macapá, não é somente a falta da vacina e sua aplicação da segunda dose, mas o calendário que é mudado a bel prazer de quem organiza e deixa a população sem base com as informações contraditórias.
Entretanto, para os moradores de alguns municípios amapaense, o processo de imunização não está sendo simples… muito pelo contrário, está confuso e desorganizado. E este é o caso da capital amapaense, que vem claudicando na execução da imunização dos macapaenses.

A falta de organização do Ministério da Saúde no envio das doses aos estados e municípios complicou o calendário da vacinação na capital amapaense há quase um mês. Mas é preciso admitir que há um erro no processo na organização e na comunicação do município de Macapá e a população. Então isso precisa ser revisto urgentemente, é preciso garantir a segunda dose com organização e sem mudanças drásticas que confunde mais as pessoas que estão ansiosas para completar a imunização.
Além disso, informações contraditórias da prefeitura de Macapá ajudaram a deixar tudo ainda mais confuso. Pois, após atraso na aplicação da segunda dose para os vacinados com o imunizante da CoronaVac desde o mês de abril, as duas remessas recebidas foram insuficientes para atender os que precisavam receber a D2 e a organização feita para a prefeitura complicou mais ainda
Desde o início da madrugada foi grande o movimento de idosos em busca da vacinação contra a Covid-19 com o imunizante da CoronaVac na segunda dose no único posto fixo em Macapá que ofertou a vacina terça-feira (11). Com apenas 300 doses, e sem orientação o Posto na Quadra da Igreja Jesus de Nazaré, registrou tumulto, grandes filas e aglomeração.
Essas situações vexatórias já vêm acontecendo em todas as programações da prefeitura de Macapá. Na semana passada a secretaria de Saúde, montou um calendário para vacinar os idosos nas UBS que tomaram a primeira, não deu certo, depois fixaram a idade de 75 anos para receber a vacina e complicou mais ainda.
Nesta segunda-feira (10) foi fixado o calendário de que seriam vacinados com a D2 da CoronaVac os idosos a partir de 64 anos e com comorbidade, porém somente com um ponto fixo na Quadra da Igreja Jesus de Nazaré.
Um ponto fixo para um número de mais de 6 mil idosos? E o Ministério Público Estadual, através da promotora Fábia Nilci, em vista da situação surreal na UBS São Pedro, que houvessem mais pontos para atendimento de um maior número de pessoas que precisam completar o esquema vacinal.

SITUAÇÃO DA VACINAÇÃO NA QUADRA JESUS DE NAZARÉ, O POVO CHEGOU A PARTIR DAS QUATRO HORAS DA MADRUGADA E AS -7 HS NÃO TINHA MAIS SENHA, SOMENTE 300 FORAM ENTREGUES E MAIS DE MIL PESSOAS NA FILA

Foram estabelecidos cinco locais de drive-thru e um fixo para toda a população acima de 64 anos na capital, resultado: Na quadra Jesus de Nazaré, às 04:00 da manhã, com chuva, estava a fila dobrando na Avenida Mãe Luzia e as 07 hs foram distribuídas 300 senhas e suspensa a entrega o que revolto os mais de 2 000 cidadãos que estavam esperando.
Às 07:45 da terça-feira (11) a Secretaria de Saúde expediu um Comunicado onde declarava que tinha em seu estoque 1.300 doses da vacina CoronaVac para a ação desta terça-feira (11), de aplicação de 2a dose em idosos acima de 64 anos, que estejam em atraso para completar o esquema vacinal.
A ação deste dia está programada para iniciar às 9h com 200 doses destinadas a cada ponto de drive-thru e 300 doses para vacinação na quadra da Igreja Jesus de Nazaré. Pedimos para aqueles que não fazem parte do público-alvo da ação, ou que não conseguiram se vacinar hoje, que aguardem a chegada de nova remessa do imunizante.
Esse comunicado deveria ter sido feito na segunda-feira (10), evitando que a corrida de idosos aos pontos de vacinação determinado ficassem lotados e sem ninguém para orientar e justificar a falha e o desrespeito com os idosos, que estavam sujeitos a contaminação e devido a chuva pegar resfriado.

"Não disseram anda aos que estavam na fila e ao serem questionados, se na quarta-feira (12) haveria a continuação, não sabiam, disseram só que era para prestar atenção na caderneta e nas postagens no site da prefeitura de Macapá o dia certo para tomar. Fico preocupado, na expectativa da data para tomar e quando a gente chega não tem", reclama Mario Costa, aposentado e com comorbidade devido um AVC.
VALIDADE DA VACINA.

Sobre o fim do estoque do imunizante aos idosos, Nayma Picanço, subcretária de Vigilância em Saúde da capital, explicou que nos últimos dias houve uma procura maior que as doses reservadas, em função de ausências nas semanas anteriores onde deveriam ter tomado.
"A gente teve uma superlotação em todos os postos, todos os drives-thru, na semana passada. Tudo o que tinha disponível de CoronaVac para 2ª dose de idosos foi feito", argumentou.
Nayma completou que desde o início da vacinação houve um quantitativo maior de idosos do que as doses recebidas pelo Ministério da Saúde.
"É levado em consideração o último Censo, então vacinamos muito mais na 1ª dose, então com essa busca ativa na segunda e terça-feira, ficamos as doses para completar o ciclo", completou.
Sobre o fim do prazo de 28 dias para a 2ª dose, a subsecretária explicou que segue o recomendado pelo fabricante de que o imunizante pode ser aplicado depois do prazo.
"A gente tem um esquema na bula da CoronaVac que a qualquer momento essa pessoa ela pode vir a tomar a 2ª dose, mas o quanto antes é melhor. Por isso vamos abrir 3 dias específicos para que esse público tome, devido ser um percentual grande de pessoas nessa faixa etária", detalha.
Os fabricantes da Coronavac orientam um intervalo de 14 a 28 dias entre a primeira e segunda dose.
Especialistas explicaram ao RJ2 que o atraso de poucos dias não compromete a eficácia, mas é preciso um planejamento pra que esse prazo não estenda muito e acabe desorganizando a campanha de imunização.
MP-AP diz que prefeitura de Macapá descumpriu orientação para vacinar idosos
No último dia de abril, uma sexta-feira (30), em reunião com a secretária da Semsa, os ministérios públicos Estadual e Federal, com a Defensoria Pública do Estado (DPE-AP), antes da confirmação de envio pelo Ministério da Saúde (MS) de novas doses da Coronavac, orientaram para que o chamamento dos idosos fosse feito por data agendada para recebimento da D2, e não por nome, e que houvessem mais pontos para atendimento de um maior número de pessoas que precisam completar o esquema vacinal.
Esse orientação tornou a se repetir no início desse mês, com referência a vacinação ‘organizada’ na UBS São Pedro a promotora Fábia Nilci relatou à secretária da Semsa, Karlene Lamberg, que era inadmissível a situação em que se encontravam os idosos, na UBS São Pedro, com alguns sentados no chão.
