O senador Randolfe Rodrigues exaltou em suas redes sociais o lançamento da obra póstuma do escritor Fernando Canto, intitulada “Um pouco além do arquipélago, onde acho que Deus mora”. Segundo Randolfe, preservar o legado do autor é manter viva sua voz literária: “seguimos bebendo da fonte de suas palavras”.
A obra, organizada e revisada por Sônia Canto, reúne prosas poéticas, crônicas e poemas que transitam pela paisagem afetiva da Amazônia, evocando a espiritualidade que brota da natureza e a complexa culturalidades do Amapá, incluindo imagem dos rios, da Samaumeira e do Bailique — lugares que perpassam o imaginário do autor. A publicação foi lançada como parte das homenagens ao Dia Nacional do Escritor, em evento realizado pelo Sesc Amapá, em Macapá, que reuniu vinte e dois autores regionais.
Fernando Canto, natural de Óbidos (PA), radicado no Amapá desde a infância, faleceu em outubro de 2024 aos 70 anos. Ao longo de sua trajetória, escreveu mais de 20 livros, com contos, poemas, crônicas, romances e estudos sociológicos, além de ter influência marcante na música por meio do Grupo Pilão. Foi presidente da Academia Amapaense de Letras e membro consagrado do Conselho Editorial do Senado.
Além do novo título, o governo estadual prepara uma coletânea em três volumes intitulada “Publicações Reunidas de Fernando Canto”, que reunirá toda sua produção literária desde 1984, incluindo o inédito romance Cabeças de Vidro. A previsão é de que saia no segundo semestre de 2025, em parceria com a Editora O Zezeu e FAPEAP.
Randolfe destaca a relevância da obra de Canto como uma verdadeira ponte entre Brasil e Amazônia, entre o cotidiano e o espiritual. Em suas redes, escreveu: “Eu o admiro tanto que nem sei de nada. Vivo para aprender!” — uma admissão de humildade diante do legado literário do autor.
A voz de Randolfe reforça o reconhecimento institucional e cultural de Fernando Canto: um intelectual cuja escrita econômica, porém profundamente poética, tornou-se símbolo da literatura amapaense, atravessando fronteiras regionais.
O lançamento do livro póstumo e os projetos que o sucedem representam uma forma de resistência cultural, mantendo viva a memória de um autor que traduziu o Amapá em palavra. É também um convite para novas gerações explorarem esse universo sensível e resistente, mantendo o compromisso de que a literatura amazônica continue a ecoar nos rios, nas margens e nas páginas da história brasileira.
