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Sexta-feira, 01 de Maio 2026

Colunas/Geral

: Cadeira giratória 

CRÔNICA DA SEMANA

: Cadeira giratória 
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Crônica da Semana: Cadeira giratória 

Por Rodrigo Alves de Carvalho 

 

Luís sempre sonhou com uma cadeira giratória. Imaginava um escritório só dele, com vários livros nas estantes, quadros bonitos nas paredes, uma mesa grande de madeira nobre, e o mais importante e essencial, uma suntuosa e confortável cadeira giratória. 

Sabia que ao sentar em sua cadeira giratória, todos iriam se apequenar diante sua importância, já que ele seria o detentor da cadeira, e é claro, o chefe.  

Sem dúvidas, Luís acreditava que uma portentosa cadeira giratória era um símbolo de status. Quantos megaempresários, milionários, chefes de Estado e pessoas importantes deveriam se sentar em cadeiras giratórias? 

Porque Luís tinha certeza absoluta que uma cadeira normal, imóvel, sem graça e ignóbil não teria o peso e a credibilidade que só uma cadeira giratória proporciona a seu usuário. Com certeza, o bumbum que repousa em uma confortável cadeira giratória será de uma pessoa bem-sucedida. 

Contudo, Luís demorou muito para sentar-se em sua cadeira giratória. Os rumos que o destino escreveu para o pobre rapaz foram bem diferentes do que ele objetivava para sua existência. 

Estudou até a oitava série, mas deixou os estudos para se dedicar ao esporte, queria ser jogador de futebol e depois de encerrar a carreira seria empresário de jogador, sentado em sua cadeira giratória. 

Mas, a carreira não foi longe graças a seu joelho estragado, e quando percebeu que não tinha outras escolhas a não ser pegar no pesado, sua ideia de ganhar a vida em uma cadeira giratória teve que ser adiada. 

Trabalhou na construção civil, trabalhou como estivador, trabalhou como motorista de caminhão, mas não trabalhou em uma cadeira giratória. O mundo girou, a cadeira não, e Luís envelheceu... 

Quando se aposentou, não havia esquecido seu sonho de possuir uma cadeira giratória e sendo assim, comprou-a. 

Agora sim, Luís ficou satisfeito, colocou a bonita cadeira na sala de sua casa, onde recebia as visitas, almoçava e assistia TV, sempre se balançando, reclinando o corpo e se espreguiçando em sua cadeira giratória. 

Infelizmente o destino também não havia escrito uma história longa para Luís e logo ele faleceu. Mas, no leito de morte exigiu que fosse enterrado sentado em sua cadeira giratória, em um caixão especial que ficasse em pé, ao invés de deitado. E assim foi feito. 

Hoje acreditamos piamente que Luís esteja em paz e feliz, da vida que levou neste mundo, dando voltas e mais voltas em sua cadeira giratória... lá no céu.  

Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores

Rodrigo Alves

Publicado por:

Rodrigo Alves

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