MUNICÍPIO DE AMAPÁ – Se você olhar as redes sociais ou os discursos bonitos da Prefeitura de Amapá, vai achar que a saúde pública na zona rural vai de vento em poupa. Mas a realidade bate na cara de quem mora na comunidade de Vista Alegre. Enquanto a saúde pede socorro na UBS local, a prefeita Kelly Lobato e sua equipe administrativa mostram que são especialistas na arte de tapar os ouvidos e fechar os olhos para quem precisa de atendimento médico básico.
A foto do interior da Unidade Básica de Saúde (UBS) Vista Alegre não deixa mentir. O corredor que deveria ter médicos, enfermeiros e remédios parece o cenário de um filme de terror ou um depósito de entulho abandonado. Portas trancadas, chão imundo e poeira são tudo o que o morador encontra se precisar de um curativo. O prédio virou um monumento ao descaso com o dinheiro do povo.
O mistério dos R$ 250 mil: Cadê o dinheiro que estava aqui?
A grande atração da saúde municipal não é o atendimento médico, mas sim um mistério digno de investigação: onde foram parar os mais de R$ 250.000,00 enviados pelo Ministério da Saúde que deveriam reformar a UBS de Vista Alegre? Será que esse dinheiro ainda existe nos cofres públicos ou já desceu pelo ralo da incompetência? Ou para o bolso e as contas de alguém?
A única coisa que funciona perfeitamente nessa obra é a placa. Há mais de um ano ela está lá, firme e forte, anunciando uma "reforma fantasma" que nunca começou. Nenhum tijolo foi assentado, nenhum pintor apareceu, mas o dinheiro sumiu do mapa. Enquanto a prefeitura finge que planeja, o povo assiste ao tempo passar sem ver a cor do benefício.
Posto Fantasma: Sem médico, sem enfermeiro e sem técnicos
Além do prédio destruído, a comunidade convive com o fantasma de uma equipe de saúde que só existe no papel. A Unidade Básica está completamente desamparada:
Técnico de enfermagem: Apesar de devidamente contratado pelo município, o profissional simplesmente não comparece para cumprir os plantões habituais.
Agente Comunitária de Saúde (ACS): A responsável pelas visitas preventivas não reside na comunidade e não realiza o trabalho de campo regular com as famílias.
Com o abandono total do posto de saúde e a ausência dos profissionais, três comunidades inteiras foram riscadas do mapa da assistência básica: Vista Alegre, Vulcão do Norte e Santo Antônio. Juntas, essas populações estão totalmente desassistidas.
Como a prefeita Kelly decidiu trancar as portas da saúde na região, o morador que tiver a audácia de adoecer precisa virar atleta de esportes radicais para tentar uma consulta na sede do município:
No inverno (tempo de chuva): Prepare o colete salva-vidas. São de 40 a 50 minutos batendo lata em uma canoa ou voadeira, e depois mais 20 minutos atolado em um ramal completamente intrafegável e cheio de lama.
No verão (tempo de sol): A tortura muda de estilo. O paciente encara 40 minutos de poeira e sacolejo em uma moto até a beira do rio, conta com a sorte para conseguir uma canoa para atravessar e depois enfrenta aproximadamente mais 20 minutos de ramal — tudo isso debaixo de sol escaldante ou de temporais.
É mais de uma hora de sofrimento e humilhação apenas para chegar ao hospital da sede e, com sorte, tentar pegar uma ficha de atendimento. Uma verdadeira martirização humana patrocinada pelo abandono da gestão municipal.
A pergunta que não quer calar na região é: até quando a população vai ter que carregar o peso dessa incompetência nas costas? Os moradores exigem que o Ministério Público e os vereadores fiscalizem urgentemente as contas da prefeita Kelly para descobrir onde foi parar o dinheiro da reforma de Vista Alegre e por que profissionais estão sendo pagos sem trabalhar. Afinal, saúde é um direito que está na lei, mas que em Amapá só existe na placa da prefeitura.
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