O translado do avião Bandeirante EMB-110 pelas ruas de Macapá, realizado nesta quinta-feira, 21, reservou um simbolismo histórico profundo: a aeronave cruzou a via que nasceu para ser a primeira pista de pouso da capital amapaense. Ao ingressar na Avenida FAB em direção ao novo Parque Residência — onde já está instalada —, o deslocamento do antigo bimotor refez a rota que conectou o Amapá ao restante do país na década de 1940.
Durante todo o trajeto, iniciado nas primeiras horas da manhã, a operação foi recebida com entusiasmo pela população. Moradores, trabalhadores e estudantes pararam para registrar e acompanhar de perto a aeronave percorrendo o itinerário entre o Aeroporto Internacional de Macapá e o Centro Histórico, transformando a complexa ação logística em um momento de celebração e nostalgia nas calçadas da Avenida FAB.
Entre os cidadãos que interromperam a rotina para acompanhar a passagem do bimotor estava o contador amapaense Paulo Tavares, que relembrou com emoção a infância ao rever a estrutura que não via há décadas.
“Olha a história do Amapá aí. Eu era menino quando esse avião chegou aqui ao governo, faz muitos anos. Ver ele passando agora no meio da rua e indo lá para a Residência Oficial é reviver o nosso passado. Até comentei com as pessoas ao redor sobre a importância disso; é bom demais ver a história do nosso estado sendo valorizada”, relatou o morador antes de registrar o momento em uma fotografia.
Antes de se transformar no principal eixo político, administrativo e cívico do município, a Avenida FAB foi aberta originalmente como uma pista de terra batida. Projetado no período da Segunda Guerra Mundial e consolidado na gestão do governador Janary Nunes, o espaço recebia aeronaves militares e do Correio Aéreo Nacional no trecho que hoje corta a Rua Eliezer Levy. Os voos pioneiros eram fundamentais para o abastecimento do então Território Federal, transportando insumos médicos, mantimentos e promovendo a integração regional antes da transferência definitiva das operações para o atual aeroporto da cidade.
Presente no acompanhamento do trajeto, a secretária de Estado do Turismo, Synthia Lamarão, destacou o impacto do momento para o fortalecimento da identidade cultural e do turismo local, enfatizando o resgate da vocação original da via pública.
“Hoje vivemos um momento histórico em que reativamos simbolicamente a primeira pista de pouso do estado do Amapá. Nada é mais representativo do que ver esse Bandeirante, o primeiro da história do estado, fabricado em 1975 e entregue em 1979, refazer esse caminho. A atual gestão revive a história amapaense para que possamos contá-la aos nossos filhos. É mais uma marca para o turismo, mostrando que preservamos o nosso passado para decolar na direção certa”, afirmou a secretária.
O avião Bandeirante de prefixo FDL (Fox Delta Lima), que percorreu esse antigo campo de aviação, carrega consigo uma parte importante dessa trajetória de conectividade. Adquirido por meio de articulação institucional do governador Aníbal Barcelos junto ao então ministro do Interior, Mário Andreazza, o modelo executivo, com capacidade para dois pilotos e sete passageiros, foi amplamente utilizado em missões administrativas e de apoio à saúde no interior do estado, permanecendo em operação até a década de 1990.

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