A Prefeitura de Tartarugalzinho decretou situação de emergência diante do agravamento da estiagem que atinge o município. A medida foi adotada na sexta-feira (2) e busca dar respaldo jurídico para ampliar as ações locais e solicitar apoio dos governos estadual e federal diante dos impactos já registrados em diferentes comunidades.
A seca vem provocando redução acentuada do nível dos rios, poços secos, mortandade de peixes, prejuízos à agricultura e dificuldades de deslocamento em áreas ribeirinhas. Segundo informações divulgadas pelo município, os efeitos mais severos chegaram mais cedo neste ano, aumentando a preocupação das equipes responsáveis pelo monitoramento.
O cenário é especialmente sensível para pescadores, agricultores familiares e moradores de comunidades que dependem diretamente dos rios para transporte, abastecimento e geração de renda. Em alguns trechos do rio Tartarugalzinho, a redução do volume de água já deixou áreas de areia expostas e comprometeu a navegação.
A Prefeitura informou que um comitê de crise foi criado para coordenar as medidas de resposta. Entre as ações previstas estão a distribuição de ajuda humanitária e a mobilização de carros-pipa para garantir água potável às localidades mais afetadas.
O quadro ocorre em meio à intensificação do monitoramento climático no Amapá. Desde junho, a Defesa Civil estadual acompanha a possibilidade de formação do El Niño no segundo semestre de 2026. Órgãos como INPE, Inmet, Funceme e Censipam apontaram probabilidade superior a 80% de estabelecimento do fenômeno, associado historicamente à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas em partes da Região Norte.
Tartarugalzinho já vinha enfrentando problemas relacionados à seca nos últimos anos. Em 2025, a Codevasf destinou cerca de R$ 2 milhões para perfuração e instalação de poços em comunidades atingidas pela estiagem, com dez poços inicialmente perfurados e previsão de atendimento a aproximadamente 150 famílias.
Com a situação atual, o município busca acelerar a resposta emergencial e garantir recursos para enfrentar uma estiagem que já compromete abastecimento, produção rural, pesca e mobilidade. O acompanhamento dos níveis dos rios e das comunidades mais vulneráveis deve continuar nas próximas semanas.
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