A Câmara Municipal de Santana sediou o 1º Seminário sobre exploração de petróleo, iniciativa do vereador Adelson Rocha, reunindo gestores, especialistas e representantes da sociedade para discutir como o município pode se preparar para a abertura da fronteira petrolífera da Margem Equatorial. O prefeito Bala Rocha destacou o potencial de geração de empregos e renda e defendeu planejamento para que a cidade capture oportunidades sem perder de vista a responsabilidade socioambiental.
O debate ganhou urgência após o Ibama autorizar a perfuração de um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas, em águas profundas ao largo do Amapá, movimento que a Petrobras iniciou de imediato. A etapa é apenas investigativa, mas marca a entrada efetiva da região no mapa da indústria, com estimativa de cinco meses para os trabalhos do primeiro poço. Caso haja êxito, a estatal projeta um ciclo que pode levar anos até a produção, a depender das descobertas e da viabilidade econômica.
Para Santana, a posição logística é um trunfo. O Porto de Santana passa por modernização e novos arrendamentos, com investimentos federais próximos de R$ 90 milhões para ampliar capacidade e eficiência. A infraestrutura portuária, somada à retroárea disponível e à vocação de serviços, pode transformar o município em base de apoio a operações marítimas, manutenção, suprimentos e escoamento, criando cadeias de valor locais.
A agenda, porém, exige preparo. Vereadores e especialistas têm reforçado a necessidade de qualificar mão de obra, fortalecer o ensino técnico, ordenar o território e aprimorar a governança ambiental. A experiência de outras cidades petrolíferas indica que ganhos fiscais e empregos dependem de contratos locais, exigências de conteúdo e transparência nos royalties. Em paralelo, entidades ambientais cobram padrões rigorosos de prevenção e resposta a emergências, especialmente pela sensibilidade ecossistêmica da foz do Amazonas.
Ao final do seminário, ficou a mensagem de que o “novo ciclo do petróleo” não será automático. Santana se move para diversificar a economia, aproveitar o porto e preparar pessoas e empresas. Entre a pressa e a prudência, a cidade quer estar pronta para decidir seu caminho quando a geologia e as licenças disserem o próximo passo.
