
A mulher de Dom Philips, Alessandra Sampaio, disse que o indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, que estavam desaparecidos desde domingo (5), no Amazonas, foram encontrados mortos. A informação ainda não foi confirmada pelas autoridades brasileiras.
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Bruno e Dom despareceram há mais de uma semana na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas. Eles tinham sido vistos pela última vez ao chegarem à comunidade São Rafael. De lá, eles partiram rumo a Atalaia do Norte, viagem que dura aproximadamente duas horas, mas não chegaram ao destino.
Ameaças - Segundo a lideranças indígenas, Bruno Pereira recebia constantes ameaças de madeireiros, garimpeiros e pescadores.
"Enfatizamos que na semana do desaparecimento, conforme relatos dos colaboradores da Univaja, a equipe [Bruno e Phillips] recebeu ameaças em campo. A ameaça não foi a primeira, outras já vinham sendo feitas a demais membros da equipe técnica da Univaja, além de outros relatos já oficializados para a Policia Federal, ao Ministério Público Federal em Tabatinga, ao Conselho nacional de Direitos Humanos e ao Indigenous Peoples Rights International", destacou a entidade, na segunda-feira.
Quem eram Bruno Pereira e Dom Phillips - Além de indigenista, pessoa que reconhecidamente apoia a causa indígena, Bruno Pereira era servidor federal licenciado da Funai. Ele também dava suporte a Univaja em projetos e ações pontuais.
Em nota divulgada após o desaparecimento, a Funai enfatizou que "ele não estava na região em missão institucional", porque estava "de licença para tratar de interesses particulares".
Segundo a nota da Univaja, Bruno era "experiente e profundo conhecedor da região, pois foi Coordenador Regional da Funai de Atalaia do Norte por anos".
Phillips e Bruno faziam expedições juntos na região desde 2018, de acordo com o The Guardian.
Em uma rede social, Jonathan Watts, editor do Guardian, disse, após o sumiço, que o jornal estava preocupado e procurando informações sobre o colaborador.
"O Guardian está muito preocupado e procurando urgentemente informações sobre o paradeiro de Phillips. Estamos em contato com a embaixada britânica no Brasil e autoridades locais e nacionais para tentar apurar os fatos o mais rápido possível", escreveu Watts.
As famílias do indigenista e do jornalista fizeram apelos pela celeridade nas buscas. A família falou sobre a angústia na espera de notícias e disse que tinha esperança que os dois tinham sofrido um acidente.
Buscas - Equipes da Marinha, Exército e Força Nacional foram enviadas à Atalaia do Norte para auxiliarem nas buscas. O Governo do Amazonas também enviou uma força-tarefa da Secretaria e Segurança Pública do Estado composta por policis civis e militares, além de mergulhadores do Corpo de Bombeiros.
As buscas contaram, ainda, com o apoio de voluntários e comunitários e indígenas da região.
As forças de segurança usaram embarcações e aeronaves nas buscas