Apaixonado por música eletrônica desde a infância, Eduardo Colares sempre carregou a arte no coração. Antes da carreira ganhar forma profissional, sua vida era marcada por uma rotina intensa, dividida entre trabalho e estudos. A música, porém, já o acompanhava de perto, primeiro como admiração, depois como vocação. A ida ao Tomorrowland, em 2015, foi um dos momentos que ampliaram ainda mais essa certeza: ali, diante da grandiosidade de um dos maiores festivais do mundo, a paixão virou projeto de vida.
A grande mudança veio em 2017, após um acidente vivido ao lado da esposa. O episódio serviu como um divisor de águas. Foi quando Eduardo decidiu que não podia mais adiar aquilo que realmente desejava: viver da música. Com determinação, buscou formação em Curitiba, ingressando na Academia Internacional de Música Eletrônica (AIMEC), onde estudou produção musical e music business, além de ampliar sua formação com cursos, workshops e especializações ao longo dos anos.
A mudança para o Sul do país trouxe desafios importantes. Distante da rede de apoio da família e dos amigos, Eduardo e a esposa precisaram construir uma nova realidade com muito esforço. Entre estudos, apresentações e trabalhos paralelos, como motorista de aplicativo, ele foi moldando a própria trajetória. Em Curitiba, uma das cenas mais valorizadas da música eletrônica no Brasil, teve contato com artistas de peso, produtores experientes e um mercado altamente competitivo — cenário que, em vez de intimidá-lo, serviu como combustível para crescer.
Foi nesse ambiente exigente que DJ Hadaward desenvolveu não apenas técnica, mas também visão de mercado. Com parcerias, dedicação e aprendizado constante, sua carreira foi se estruturando de forma sólida. Mesmo durante a pandemia, quando os palcos silenciaram temporariamente, Eduardo encontrou uma oportunidade para aprofundar estudos e triplicar conhecimentos, preparando-se para uma nova fase ainda mais consistente.
Mas a trajetória de Eduardo vai além dos palcos e do estúdio. Desde 2020, ainda em Curitiba, ele participa da realização de um evento solidário idealizado ao lado de um amigo, sempre na semana do Dia das Crianças. Com autorizações obtidas junto a prefeituras e outros órgãos locais, a iniciativa promoveu eventos abertos ao público com o objetivo de arrecadar alimentos e brinquedos destinados a instituições voltadas às crianças. A ação une música, distribuição de lanches e um forte espírito de solidariedade, mostrando que a arte também pode ser instrumento de transformação social.
No ano passado, já de volta a Macapá, Eduardo levou essa mesma proposta para a capital amapaense. Em parceria com outros DJs, o grupo conseguiu autorização para realizar um evento em praça pública e mobilizou a cena local em torno da arrecadação de alimentos e brinquedos. O resultado, segundo ele, foi extremamente positivo, com grande engajamento do público e uma expressiva coleta de donativos.
Para DJ Hadaward, esse trabalho social traduz um valor inegociável em sua caminhada: a música precisa caminhar junto com o respeito e a solidariedade. Ele acredita que o crescimento profissional não deve estar ligado apenas à busca por fama ou retorno financeiro, mas também à oportunidade de olhar para o outro e ajudar quem precisa. Neste ano, vivendo também a emoção da paternidade, Eduardo planeja realizar uma nova edição do evento, desta vez de forma ainda mais especial, com a expectativa de conquistar mais patrocínios e ampliar o alcance da ação no próximo Dia das Crianças.
Mais do que voltar para casa, Eduardo enxergou no retorno a chance de apresentar ao Amapá toda a evolução conquistada fora e de contribuir diretamente para o crescimento da produção musical local. Segundo ele, muitas pessoas sequer sabiam que o artista era amapaense, o que reforçou ainda mais a vontade de fazer sua cidade conhecer de perto o trabalho desenvolvido ao longo desses anos.
Esse novo capítulo ganhou forma com a criação do Latitude Zero, estúdio idealizado para ser mais do que um espaço técnico: uma plataforma de oportunidades. O local oferece serviços de gravação de áudio, produção musical e treinamento para DJs, além de estrutura de qualidade para artistas que desejam gravar, ensaiar ou aprimorar suas performances em um ambiente acolhedor e profissional. A proposta é clara: democratizar o acesso, incentivar talentos e fortalecer a música feita no Amapá.
Com olhar estratégico, DJ Hadaward também defende que a música amapaense tem potencial de sobra para alcançar projeção nacional, mas precisa acompanhar as transformações do mercado. Para ele, talento nunca faltou; o desafio está em atualizar formatos, linguagens e estratégias de divulgação. Dentro dessa visão, o artista já trabalha em lançamentos que unem raízes da música popular amapaense com a música eletrônica, criando uma ponte entre tradição e modernidade — uma proposta capaz de apresentar o Amapá a novos públicos de forma criativa e comercialmente forte.
A história de Eduardo Colares é, acima de tudo, uma história de coragem, reinvenção e propósito. De jovem apaixonado por música a nome promissor da produção eletrônica, DJ Hadaward consolida sua carreira com autenticidade e visão de futuro. E, com o Latitude Zero de portas abertas, ele não apenas celebra a própria conquista, mas também estende a mão a uma nova geração de artistas que sonha em ir mais longe sem precisar sair de casa.

Comentários: