O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Kuala Lumpur, no domingo, 26 de outubro, recolocou Brasil e EUA em uma mesa de negociação após meses de tensão comercial. Para o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, a reunião simboliza a retomada de uma relação “histórica e estratégica” e inaugura uma etapa em que diálogo e pragmatismo tendem a prevalecer sobre a retórica. A avaliação ecoa nos bastidores do Planalto e do Itamaraty, que veem na conversa um gatilho para abrir frentes técnicas de trabalho.
O pano de fundo é a disputa tarifária que se acentuou em 2025, com sobretaxas americanas sobre exportações brasileiras e ameaças de retaliação. Em Kuala Lumpur, Lula e Trump trocaram gestos de distensão: falaram de comércio e cadeias produtivas, do impacto dos impostos sobre aço e produtos agrícolas e de uma rota para reduzir fricções. Integrantes das duas equipes indicaram a criação de grupos bilaterais para mapear desentraves regulatórios e avaliar concessões graduais, inclusive no acesso a mercados específicos.
A reunião ocorreu à margem da cúpula da Asean e do Encontro de Líderes do Leste Asiático, agenda que o Brasil aproveitou para ampliar contatos com países do Sudeste Asiático. Em público, Lula classificou a conversa como franca e construtiva. Trump, por sua vez, celebrou a aproximação e falou em “bons negócios” no horizonte. Sinais, ainda que preliminares, de que ambos identificam ganhos políticos e econômicos na reaproximação.
No Congresso, a leitura é que uma cooperação renovada pode favorecer investimentos, transferência tecnológica e iniciativas conjuntas em transição energética, segurança alimentar e infraestrutura. Alcolumbre defendeu que a diplomacia avance sem sobressaltos internos e que negociações sejam acompanhadas por transparência, escuta ao setor produtivo e respeito a compromissos socioambientais. A curto prazo, a agenda prioriza segurança jurídica para investidores, previsibilidade tarifária e reativação de fóruns econômicos já existentes, com a missão de produzir entregas mensuráveis.
Se a foto do aperto de mãos não resolve os impasses, ela muda o clima. O gesto político abre espaço para que Brasil e Estados Unidos testem, na prática, a promessa de um relacionamento mais estável e mutuamente vantajoso — e dá ao Congresso o papel de guardião de um caminho que, desta vez, nasce do diálogo.
