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Quinta-feira, 30 de Abril 2026

Notícias/Saúde - COVID 19

Covid-19: o pesadelo da 2ª onda, das novas cepas e sem UTIs  

O Brasil não tem UTIs suficiente para atendimento de pacientes há décadas e hoje com a pandemia a situação se tornou crítica e letal

Covid-19: o pesadelo da 2ª onda, das novas cepas e sem UTIs  
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Covid-19: o pesadelo da 2ª onda, das novas cepas e sem UTIs  

UTIs LOTADAS 

 

O Brasil não tem UTIs suficiente para atendimento de pacientes há décadas e hoje com a pandemia a situação se tornou crítica e letal, nove em cada 10 cidades do país não têm leito de UTI e "exportam" pacientes. 

 

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Reinaldo Coelho 

Antes do estouro da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2),  descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China, a maioria dos países foram pegos de surpresas e revelou publicamente aquilo que a população já reclamava há décadas e os governantes sabiam, mas não mudavam esse quadro catastrófico: As redes de saúdes estavam quebradas e sem estruturação para atendimentos emergenciais, e os países mais “pobres” eram os que estavam mais deficitários em equipamentos de ponta. 

Entre esses o Brasil, que tem a saúde administrada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e mesmo sendo um dos melhores programas de saúde pública do mundo, não vem conseguindo aumentar a eficiência e a estrutura dos atendimentos no Brasil. 

O setor de saúde de todos os países afetados pela pandemia do novo coronavírus são instados a enfrentar desafios em vários aspectos para alcançar o nível requerido de assistência à Covid-19. A adaptação da capacidade hospitalar é um desses desafios no Brasil - e no mundo.

PACIENTES ESPERAM NOS CORREDORES HOSPITALAR 

 

Todos foram pegos de ‘surpresa’, o que não deveria acontecer. Uma das ferramentas essenciais para salvar a vida de pessoas com problemas respiratórios são as UTIs e os respiradores mecânicos, desconhecidos da maioria dos pacientes, mas essenciais para os profissionais da saúde. 

ANTES DA PANDEMIA 

Superlotação: imagens mostram pacientes em corredores de hospital público  do DF | Distrito Federal | G1

O Brasil possuía leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em apenas 545 dos 5.570 municípios — ou 9,8% deles —, segundo dados de janeiro de 2020 do CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde). Desses 550, apenas 482 cidades têm vagas disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde), ou 8,6% do total nacional.  

 

Em dezembro de 2019, a situação, de  acordo com os dados da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre as regiões de saúde cuja população é superior a 500 000 habitantes, destacam-se, por apresentarem um baixo índice, as seguintes regiões:  Vitória da Conquista/BA, com uma população total de 805 505 habitantes, que possui um índice de 11 leitos de UTI a cada 100 000 habitantes; e Marabá/PA, com população de 569 686, que possui um índice de 3,4 leitos de UTI a cada 100 000 habitantes. Requer atenção as regiões que, embora apresentem população superior a 200 000 habitantes, não possuem nenhum leito de UTI.  

O quadro abaixo mostra que estas 8 regiões se concentram no Nordeste, e que 4 delas estão localizadas no Ceará. 

Regiões de Busca a Serviços de Saúde de Baixa e Média Complexidade com população superior a 200 000 habitantes e que não possuem registro de leitos de UTI. 

 

INICIO DA PANDEMIA 

No país, havia 50 mil leitos de UTI habilitados em janeiro de 2020, sendo apenas 22 mil deles disponíveis pelo SUS. Os demais eram de hospitais que fazem atendimento apenas mediante pagamento ou convênios. O Ministério da Saúde anunciou, em março de 2020, que ia alugar leitos da rede privada, em caso de necessidade para tratar pacientes com covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. 

Em março de 2014, cinco anos antes do início da pandemia no Brasil e nos 12 anos de governo petista, foi comprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU)   que mais de 60% dos hospitais públicos estavam /estão  sempre superlotados  e que em 80% dos hospitais fiscalizados pelo TCU, faltam médicos e enfermeiros e quase a metade desses hospitais tem leitos fechados, exatamente pela falta de profissionais. 

Os hospitais sempre cheios são uma reclamação recorrente entre os pacientes da rede pública de saúde. “Nunca tem vaga, ou não tem médico pra atender”, reclama uma mulher. E agora piorou pois os atendimentos preferenciais são para os que estão com Covid19 e as outras doenças sumiram, não tem vaga. 

 

ESSE FOI O GARGALO E LEVOU A MORTE DE MILHARES DE BRASILEIROS 

As vítimas da covid-19 e da falta de eficiência no Brasil | Exame

A falta de leitos de UTI é apontada como o maior desafio para o caso de o Brasil registrar uma epidemia com demanda grande de pacientes infectados com o coronavírus. E já estamos com essa situação, a cidade de Manaus é um retrato do descaso que os governantes há anos vêm proporcionando ao sistema de saúde brasileiro, recursos de bilhões de reais são disponibilizados, a obrigatoriedade de investimento de 25% de recursos orçamentários na Saúde, não levaram ao avanço em equipar as   redes hospitalar. 

Aumento de leitos em Manaus foi mal planejado, diz especialista -  17/01/2021 - UOL Notícias

Sem leitos em suas cidades, sem oxigênio, sem médicos pacientes com problemas mais graves são transferidos para cidades maiores com hospitais mais bem equipados — os chamados polos regionais. São eles que devem receber eventuais casos graves da covid-19. 

Quando a atenção primária de saúde é boa, como é o caso de países ricos, UTIs podem ser menos necessárias. Mas, quando a saúde primária é ruim, como no Brasil, vamos precisar de mais, descrevem os especialistas e principalmente os médicos que estão usando habilidades desconhecidas para salvar vidas. 

'Ver a guerra sem ter armas'; médicos relatam drama com falta de oxigênio no  AMEstamos apavorados': o drama de médicos na linha de frente do atendimento ao coronavírus no Brasil. 

Os médicos relatam que os pacientes com covid-19, a doença causada por esse vírus, estão se multiplicando rapidamente — em um dos hospitais, o número de casos quadruplicou em dois dias, segundo uma médica. 

Ao mesmo tempo, faltam equipamentos de proteção adequados, e o risco de serem infectados aumenta ainda mais o estresse e o medo em sua rotina diária. Uma das médicas ouvidas pela BBC News Brasil afirmou que ela e seus colegas trabalham "apavorados". 

OS GRUPOS DE RISCOS 

Casos graves de coronavírus — mais frequentes em idosos e pessoas com deficiência de imunidade — necessitam internação em UTI com isolamento respiratório, principalmente pela chance de propagação da doença por gotículas. 

Situação do Amapá 

O Amapá foi o primeiro estado brasileiro a decretar um isolamento social rígido (lockdown) em todos os seus municípios. Iniciada no dia 19 de maio de 2020, a medida se estenderia até o dia 28, mas foi prorrogada por mais cinco dias. 

Portal Governo do Amapá - Centro Covid HU contabiliza 27 pacientes e 10  altas na primeira semana de atendimento

Tendo ocupado o primeiro lugar em índice de contaminação por COVID-19 no país, o Amapá contava, também, com gargalos estruturais importantes no serviço público de saúde, fortemente agravados com a pandemia: até o dia 19 de março, o estado possuía 91 leitos de UTI, mas somente três deles aptos a receber pacientes de COVID-19, nenhum dos quais na capital, Macapá, que concentra 70% da população amapaense. 

Na ocasião, foi anunciada a criação de 53 novos leitos e, posteriormente, a construção de quatro hospitais de campanha. Assim, dado o elevado índice de contaminação, o estado se situou entre os primeiros lugares do país quando consideradas as taxas de mortalidade, embora, felizmente, não possua uma taxa de letalidade tão alta. 

Portal Governo do Amapá - Governador acompanha implantação de hospital de  campanha em Santana

O primeiro caso de COVID-19 no estado foi confirmado no dia 20 de março, após uma disputa administrativa entre as autoridades sanitárias do estado e representantes do Ministério da Saúde a respeito de quem estaria incumbido de realizar o transporte das amostras até o Instituto Evandro Chagas, em Belém – até aquele momento, o Amapá não possuía laboratórios certificados para a realização dos testes. Sete dias separaram o anúncio do primeiro caso suspeito da primeira confirmação, e os momentos da pandemia já ensejavam carências importantes na coordenação das políticas de saúde entre o Governo do Amapá e o Ministério da Saúde, inseridas em um contexto mais amplo de desgaste das relações entre os executivos estadual e federal desde o aumento acelerado do número de queimadas na Amazônia em 2019. 

PARCERIAS EFICIENTES 

A relação entre o governo estadual e as prefeituras, contudo, demonstrou um grau mais elevado de fluidez e coordenação – Macapá à frente, dadas as especificidades locais: desde o início, os governos municipal e estadual demonstraram atuar em sinergia, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde em relação à necessidade de isolamento social como forma de evitar o contágio abrupto e generalizado, fazendo um contraponto à narrativa do Presidente da República. 

Antes da confirmação do primeiro caso de coronavírus, tanto a prefeitura de Macapá como o Governo do Amapá emitiram decretos suspendendo as aulas nas redes pública e privada, bem como estabelecendo diretrizes para o funcionamento das autarquias e dos serviços públicos. A parceria entre os níveis municipal e estadual também incluiu a garantia de abrigo aos moradores de rua de Macapá, com o aluguel de um hotel para receber até 70 pessoas. 

A despeito dos decretos de suspensão das aulas, das recomendações de isolamento social e mesmo a instauração do isolamento social rígido em meados de maio, os problemas estruturais advindos da oferta precária de leitos de UTI no sistema público – aliada à demora na inauguração dos novos leitos e hospitais de campanha – conduziram o estado a uma situação preocupante: no dia 02 de junho de 2020– portanto, após os 15 dias de lockdown –, o Amapá estava entre os cinco estados brasileiros cuja ocupação dos leitos de UTI era superior a 90%, com 99% dos leitos (públicos e privados) ocupados.  

Macapá é, ainda, a segunda pior capital do país em cobertura de coleta de esgoto (em 2019, atingia apenas pouco mais de 10% dos moradores da cidade, o que apresenta um desafio adicional ao sistema de saúde. 

Hospital Universitário da UNIFAP 

Nesse sentido, a inauguração do Bloco 1 do Hospital Universitário da UNIFAP – fruto de uma ação concertada entre a Universidade Federal do Amapá, a Bancada Federal do Amapá, o Governo do Amapá e o Ministério da Saúde (junto à articulação do Presidente do Senado, Davi Alcolumbre) – representa uma importante alteração no cenário local. Inaugurado no dia 05 de junho, o primeiro bloco do HU-UNIFAP contém 102 leitos (32 deles de UTI), o que representa um aumento de 60% na oferta de leitos em todo o estado[6]. Com o aumento acelerado no número de casos e de óbitos, o crescimento da capacidade instalada no SUS propiciado pelo Hospital Universitário é um importante alento, sobretudo em um contexto de pressões constantes pelo retorno da atividade econômica – já discutidas no âmbito da construção de um plano de reabertura gradual do comércio e dos serviços amapaenses. O aumento da capacidade instalada do SUS no estado e o isolamento social rígido proporcionaram, ao mesmo tempo, uma redução na procura por serviços de saúde e na taxa de ocupação de leitos, além de uma tendência de queda nas internações. Resta ver o impacto da retomada (ainda que gradual) das atividades econômicas no Amapá. 

 Que não caiamos na falsa dicotomia entre economia e saúde pública! 

Reinaldo Coelho

Publicado por:

Reinaldo Coelho

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