CANDIDATO “CEARÁ”, QUE TENTA A REELEIÇÃO, RECEBE AJUDA DE GARIMPEIRO ACUSADO DE FRAUDE, FALSIDADE IDEOLÓGICA E USURPAÇÃO DE ÁREA DA COOPERATIVA , Adinaldo Mendes, o “Naldo”, braço-direito de Ceará, responde a processo criminal da Polícia Federal e estaria envolvido em outros crimes relacionados à garimpagem.
Neste domingo, 12, os 770 garimpeiros filiados à Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros do Lourenço Ltda. (COOGAL), vão se reunir para escolher a nova diretoria da instituição. A eleição está marcada para iniciar às 8h, na sede da cooperativa. Duas chapas concorrem à presidência da COOGAL: a Chapa 1, formada pelos dirigentes Dalvinha (presidência), Bebê (vice-presidência) e Edilson (diretor-financeiro); e a Chapa 2, cujo candidato à presidência é o atual presidente da Cooperativa, Orleni Ribeiro dos Santos, o “Ceará”, que tenta a reeleição.
Dalvinha é apontada como a favorita na disputa, mas uma manobra do atual presidente Ceará, com a ajuda de um velho conhecido da Polícia Federal, um garimpeiro chamado Adinaldo Mendes Santos Lima, o “Adinaldo”, proprietário de uma mineradora intitulada “Mineração Aurélio”, foram descobertas nos últimos dias.
Temendo perder as eleições, Ceará se aliou a Adinaldo e os dois começaram a prometer terras – que nem existem legalmente – para que garimpeiros votassem nele, Ceará.
A reportagem descobriu que o atual presidente da COOGAL é suspeito de utilizar o poder de sua gestão para coagir garimpeiros a votarem nele, promovendo a distribuição de áreas através de contratos feitos de última hora, beneficiando garimpeiros. Inclusive, garimpeiros hostis em relação à Cooperativa. Um trabalho de investigação jornalística conseguiu levantar dados sobre Adinaldo Mendes Santos Lima, o “Adinaldo”, também conhecido como “Naldo”. Ele é dono da “Mineração Aurélio”. O atual presidente da COOGAL fez um acordo de última hora com Adinaldo, que é suspeito de uma série de crimes.
OS CRIMES
Dentre os possíveis crimes aos quais Adinaldo figura como suspeito, estão: fraude em documentos do Incra (falsificação de documentos públicos);

Possível falsidade ideológica; tentativa de usurpar da Coogal 331 hectares de terras – de uma cooperativa criada com finalidade social;

O uso de uma Ata de Assembleia Geral falsificada – documentação enviada à Agência Nacional de Mineração (ANM); e outros artifícios, como comprovam certidões negativas da ANM devolvendo à Coogal a titularidade da área requerida, como consta no Pedido de Regularização Fundiária do Incra.

Tempos atrás, Adinaldo entrou com pedido de regularização de uma área para benefício próprio e distribuição para garimpeiros amigos seus. Até aí nada de errado, caso a área requerida não fosse de propriedade de outra pessoa: a COOGAL. Tudo com o conhecimento do atual presidente Ceará.
A fraude foi descoberta pelo Incra, que negou a titularidade da área e expediu documento informando o caso.
A reportagem teve acesso à publicação no Diário Oficial da União sobre a discussão da área e as decisões dos órgãos competentes sobre o assunto.
Para quem quiser saber mais sobre a vida pregressa de Adinaldo, basta uma simples consulta ao sistema TucuJuris, do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), para comprovar que “Adinaldo” ou “Naldo”, como também é conhecido, tem vários processos contra a Cooperativa, tentando prejudicar a instituição com fins de interesses próprios.
O próprio Adinaldo, homem de confiança de Ceará, responde processo criminal na Polícia Federal impetrado pelo Departamento Jurídico da Cooperativa dos Garimpeiros do Lourenço (COOGAL) por tentativa de usurpar a área de terra pertencente à Cooperativa.
Uma certidão do Incra mostra a recusa ao pedido de regularização fundiária solicitado por ele, Adinaldo, e declara que a área requerida está em sobreposição a área outorgada à COOGAL, ou seja, ele queria “tomar” uma coisa que já pertencia a outro ser, no caso, a COOGAL.
Além disso, uma publicação no Diário Oficial da União traz a negativa de sessão parcial da COOGAL para a tal Mineração Aurélio, de propriedade de Adinaldo.
A investigação também teve acesso a uma certidão negativa arquivando o processo do Incra sob pedido de titularidade de terras na área da COOGAL. Na negativa o Incra diz o seguinte: “Análise cartográfica procedida junto ao Incra constatou que a área objeto de pedido de regularização fundiária e de registro no SIGEF, em nome de Adinaldo Mendes dos Santos Lima, encontra-se sobreposta à área relacionada ao processo DNPM 803.612̷ 1978, ao qual foi outorgada pela ANM à Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros do Lourenço Ltda."
Por fim, há fortes suspeitas de que foram ou serão expedidos documentos de posse de terras para que garimpeiros votem em Ceará no pleito deste domingo, dia 12. Lembrando que essa conduta é uma conduta criminosa, e fere a legislação brasileira.
