O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a relação “boa, respeitosa e direta” com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi decisiva para a tramitação de matérias consideradas estratégicas ao país. Em declaração divulgada pela Agência Senado, Alcolumbre avaliou que o diálogo entre as duas Casas permitiu avançar em votações relevantes, mesmo em um ambiente político marcado por disputas ideológicas. Segundo ele, as divergências chegaram a atrasar negociações e a elevar a temperatura no plenário, mas não impediram a construção de uma agenda nacional com resultados concretos.
Entre os exemplos citados está a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia no Palácio do Planalto no fim de novembro de 2025. A medida, de forte apelo social, foi apresentada pelo governo como instrumento de alívio para a classe média e de estímulo ao consumo, além de prever descontos também para rendas um pouco superiores. O tema, porém, não ficou imune a tensões entre Executivo e Legislativo: reportagens registraram que, em meio a ruídos na relação com o governo, Alcolumbre e Motta chegaram a não comparecer ao evento de sanção, gesto interpretado como sinal de incômodo político, ainda que o texto tenha avançado no Congresso.
Outro ponto destacado foi o chamado ECA Digital, marco legal que reforça a proteção de crianças e adolescentes na internet. A proposta cria obrigações para plataformas, jogos, aplicativos e redes sociais, incluindo mecanismos de transparência, controles e deveres de cuidado voltados ao público infantojuvenil. O debate ganhou força em 2025 diante do aumento de denúncias de assédio online, exposição indevida, publicidade direcionada e riscos relacionados ao uso intensivo de telas, levando parlamentares a buscar regras mais claras para o ambiente digital.
Hugo Motta, por sua vez, declarou esperar que o bom relacionamento com o presidente do Senado se mantenha em 2026, com capacidade de aprovar novas propostas de impacto nacional. A sinalização pública de harmonia entre os chefes do Legislativo busca reforçar a imagem de estabilidade institucional num período pré-eleitoral, em que negociações tendem a ficar mais complexas e disputas por protagonismo ganham espaço.
