A Prefeitura de Oiapoque anunciou uma ação humanitária voltada ao atendimento de agricultores, pescadores e comunidades indígenas afetados pela praga conhecida como “vassoura-de-bruxa”, doença que tem provocado prejuízos significativos às plantações de mandioca no extremo norte do Amapá. A iniciativa prevê o cadastramento dos beneficiários e a distribuição de alimentos, incluindo farinha para povos indígenas e kits alimentares destinados a trabalhadores rurais e pescadores da região.
A programação prevê duas etapas de entrega: pela manhã, na Aldeia Kuahi Palikur, onde será distribuída farinha para comunidades indígenas, e à tarde, na quadra da Escola Estadual Joaquim Nabuco, com a entrega de kits alimentares para agricultores e pescadores. A ação surge como resposta emergencial ao impacto socioeconômico causado pela praga, que compromete diretamente a produção agrícola local.
A mandioca é um dos principais alimentos da dieta amazônica e também uma importante fonte de renda para comunidades rurais e ribeirinhas. No Amapá, a farinha derivada da raiz é base da alimentação cotidiana e sustenta a economia de milhares de famílias. O avanço da doença, portanto, representa não apenas um problema agrícola, mas também uma ameaça à segurança alimentar de diversas comunidades.
A chamada vassoura-de-bruxa da mandioca é uma doença causada por um fungo que provoca deformações nos ramos da planta, levando ao enfraquecimento e à morte das lavouras. Os primeiros registros da doença no Brasil ocorreram justamente no município de Oiapoque, em 2023, e desde então o problema tem se espalhado para outros municípios do estado, afetando inclusive áreas indígenas.
Diante da gravidade da situação, o Ministério da Agricultura chegou a declarar emergência fitossanitária no Amapá e em áreas do norte do Pará, com o objetivo de intensificar medidas de vigilância, controle e prevenção da disseminação da praga. Além da perda de produção, especialistas apontam que o impacto social da doença pode ser ainda maior em comunidades onde a mandioca representa a principal base de subsistência.
Nesse cenário, ações emergenciais de assistência alimentar, como a promovida pela prefeitura de Oiapoque, buscam minimizar os efeitos imediatos da crise enquanto autoridades e pesquisadores tentam desenvolver estratégias de controle da doença e recuperação das lavouras. A mobilização também evidencia o desafio de proteger sistemas agrícolas tradicionais da Amazônia diante de novas ameaças fitossanitárias.

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