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Quarta-feira, 20 de Maio 2026
Notícias/Agro

“Açaí com ciência: produtivo e seguro” é tema da palestra de abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

A espécie de açaí a ser focada na palestra é a Euterpe oleracea Mart, ou açaí em touceira

“Açaí com ciência: produtivo e seguro” é tema da palestra de abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
Photo  Aline Furtado Dulcivânia Freitas (DRT-PB 1.063/96) Embrapa Amapá
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“Açaí com ciência: produtivo e seguro” é tema da palestra de abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) no Amapá

 

Curiosidades em 360 graus sobre o açaí, desde o nome da planta, trajetória de consumo entre os povos da Amazônia, aspectos econômicos e as tecnologias para dar impulso à produção sustentável, fazem parte da palestra de abertura da 18ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) no Amapá, intitulada “Açaí com ciência: produtivo e seguro”, foi apresentado nesta segunda-feira, 4/10, a partir das 10 horas, pelo pesquisador da Embrapa Amapá, Nagib Jorge Melém Junior. O evento aconteceu no auditório do Centro de Educação Profissional de Música Walkíria Lima, em Macapá (AP), organizado pela Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia e será transmitido pelo link https://youtu.be/6VsLNJnSaik.     

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Pesquisador Nagib Melém. - Photo  Aline Furtado

 

A espécie de açaí a ser focada na palestra é a Euterpe oleracea Mart, ou açaí em touceira, o mais popular do país e de maior ocorrência principalmente na região do Estuário do rio Amazonas, ponto de encontro entre o rio e o mar, entre os estados do Amapá e Pará. “O conceito do termo Euterpe é Deusa Grega da música, o nome significa “plena alegria”, enquanto oleracea significa o que tem o odor e a cor do vinho”, acrescenta Nagib Melem.  Esta espécie também ocorre no Maranhão, Tocantins, e Mato Grosso, além das fronteiras na Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela e Colômbia.

 

Com relação ao hábito de consumir açaí, o pesquisador da Embrapa vai mostrar dados coletados e publicados pelo professor e pesquisador da Universidade Federal do Pará, Romero Ximenes Pontes, indicando que “o açaí é consumido pelos grupos indígenas desde antes do descobrimento, mas entre as populações mestiças e urbanas, o seu consumo se dissemina por volta de 1849”. O fato é que a década de 1970, o açaizeiro era uma das bases do extrativismo, com beneficiamento restrito ao local de ocorrência da palmeira, e com significativo valor cultural e alimentar.

 

“De 1970 até a década de 1990 vemos um período em que o beneficiamento deste produto do extrativismo passa a ocorrer também na periferia dos centros urbanos (nas chamadas batedeiras), ao mesmo tempo em que ocorria a demanda alta por palmito e a consequente redução da oferta dos frutos de açaí ao mercado consumidor”, detalha Nagib Melém. A partir de 1990 até a década de 2010, o extrativismo passou a incorporar com mais ênfase as técnicas de manejo, incluindo a tecnologia do cultivo em terra firme, assim como o beneficiamento agora já está ampliado aos bairros centrais e distritos industriais que fabricam polpa e outros derivados para comercializar em outras regiões do Brasil e exportar para alguns países. O pesquisador da Embrapa ressalta que “neste período ocorre o chamado “boom da demanda nacional e internacional, além do resgate cultural, aperfeiçoamento das técnicas de manejo e lançamento de variedades para cultivo em terra firme com irrigação”.  

 

Outro dado que revela a importância do açaí no contexto do desenvolvimento sustentável da região está no estudo de uma pesquisa coordenada pelo pesquisador Antonio Claudio Almeida de Carvalho. Após caracterizar e fazer a análise econômica do Arranjo Produtivo Local do açaí nativo no Amapá, os resultados demonstraram sistema endógeno com tendência de maior geração de divisas; valorização das populações tradicionais, distribuição homogêneas dos valores envolvidos; maior vantagem competitiva; produtos orgânicos; que o APL do açaí é o mais importante sistema de base agrária do estado e contribui fortemente para a conservação da floresta e qualidade de vida do extrativista.  Ao final da palestra, Nagib Melem presta uma homenagem in memoriam a Manoel Cravo, Robério Nobre e Silas Mochiutti, três pesquisadores que partiram para a eternidade, e que tiveram uma expressiva contribuição na pesquisa e transferência de tecnologias para aumento da produção de frutos de açaí e manejo e cultivo da espécie em várzeas e terra firme, respectivamente, e também em políticas públicas  voltadas para a geração de emprego e renda a partir do desenvolvimento da cadeia produtiva do açaí.  

 

Fique por dentro da 18ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) no Amapá:

 

http://snct.ap.gov.br/

 

 
 
Reinaldo Coelho

Publicado por:

Reinaldo Coelho

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