TRAGÉDIAS ACONTECEM HÁ DÉCADAS
E nada de muro de proteção do Canal do Beirol e de outros canais em Macapá

Infelizmente nunca se resolveu essa questão do entorno do canal do Beirol, o tempo todo o poder público só empurra com a barriga.
Infelizmente, as notícias vinculadas sobre os canais que cortam a cidade de Macapá são sempre negativas: transbordamento, pontes quebradas, cheia, poluição ou algum veículo caindo nas águas, por falta de muro de proteção e principalmente de sinalização. E nesse último sábado (29) uma notícia funesta foi divulgada: Mais um acidente no Canal do Beirol, Veículo caiu em cratera que avança no canal e o motorista não resistiu e veio a óbito. Porém, ainda conseguiu salvar o filho de 14 anos.

O trecho onde houve a queda apresenta uma grande erosão no sentido da pista às margens do Canal do Beirol. O local, inclusive, foi sinalizado com estacas de madeira e pinturas no asfalto, indicando a cratera.
Em nota, a prefeitura de Macapá prestou condolências à família e reforçou que o trecho era sinalizado com proteção refletiva e marcação horizontal com pintura no asfalto.

O motorista, em pleno horário diurno, com muita chuva, no momento do acidente, realizou uma manobra defensiva de outro carro e foi direto cair no local em erosão e na área onde não há muro de proteção na Rua Hamilton Silva, esquina Avenida Tembés, no Bairro do Muca. Destaque-se que o Canal do Beirol na maior parte de seu percurso, não tem murro de proteção e as pontes estão destruídas. Isso narrado por moradores que socorreram as vítimas.

A reportagem destaca, porém, que o Canal do Beirol é o maior canal de Macapá e totaliza pouco mais de 5 quilômetros de sua nascente até o rio Amazonas. E na maioria do seu trecho inexiste muro de proteção. Uns dos locais onde os acidentes são constantes é no trecho atrás do Museu Sacaca.
2017 - Do motel para dentro do canal
2017 - DE NOVO, carro cai no Canal do Beirol na saida do motel, 14 de maio de 2017 -

2018 - Por volta das 16h30 de uma sexta-feira (27/07) um motorista perdeu o controle do carro e caiu dentro do canal do bairro Beirol, na Zona Sul de Macapá. O acidente foi num trecho entre as avenidas Acelino de Leão e Diógenes Silva. Ninguém ficou ferido e o condutor preferiu não falar a respeito.

2018 Carro caiu dentro do canal do bairro Beirol, na Zona Sul de Macapá, na manhã desta segunda-feira (25/06/2018). O acidente aconteceu no trecho da Rua Hamilton Silva próximo à Avenida dos Tamoios.

2022 - Carro cai no canal do Beirol e o motorista vem a óbito 29/01/2022
Revolta dos moradores do entorno do Canal do Beirol

É pra ter uma proteção lateral em torno de todo canal, uma vergonha com tantas vítimas que já caíram nesse canal por não ter proteção e os políticos só olhando sem fazer nada
Morador da região próxima do acidente, seu Ermenegildo falou com indignação sobre o problema da existências de buracos nas laterais dos canais, o que facilita as chances de acidentes como o ocorrido no dia de hoje.

“Isso foi uma tragédia anunciada! Não foi só esse carro, não foi só esse carro que caiu. Um dia desses, o carro do Bope quase caiu. Se não tomar providências, mais vidas serão perdidas. Infelizmente, o rapaz veio a óbito”, lamentou o homem.
O presidente da associação de moradores do bairro do Muca, Edi Gama, falou ao Portal Seles Naffer, que os moradores já alertavam o poder público há muito tempo sobre a aparição de crateras ao redor do canal e que outros acidentes já chegaram a ocorrer por essa motivo. Segundo Gama, a erosão já avançou quase dois metros da pista.

“A gente já vinha alertando a Semob e a Seinf sobre essa cratera da Hamilton Silva, e é lamentável esperar acontecer a perda de uma vida para fazer algo. A cratera já está quase no meio da rua. Mês passado, caiu um rapaz de moto. A gente pede mais uma vez que o poder público olhe essas crateras que estão se formando ao redor do canal”, criticou o presidente da associação.
NOTA DA PREFEITURA
Em nota, a Prefeitura de Macapá lamentou profundamente a fatalidade e explicou que o entorno de onde o acidente ocorreu estava sinalizado com rede de proteção refletiva e marcação horizontal com pintura no asfalto. O Município informou ainda que as secretarias de Zeladoria, Iluminação e Obras atuam para evitar que outras ocorrências como essa aconteçam.
POLITICAS PÚBLICAS
Todos os candidatos ao governo estadual ou municipal de Macapá, promete revitalização e obras de segurança e ao assumir, fazem uma limpeza nos canais e ano a ano é o que acontece. Mas, o assoreamento que provoca alagamentos nas residências do entorno e os muros de proteção não acontecem.
Todos os gestores municipais tem conhecimento das dificuldades que os moradores dessas localidades passam, os acidentes não são somente de transito. A falta de pontes e da proteção levam a idosos e crianças ficarem sob ameaça de sofrerem acidentes graves ou fatais. Ressalta-se que a finalidade natural dos canais é o escoamento das águas pluficais, infelizmente os canais de Macapá, pela falta de Saneamento Básico e escoamento de esgoto sanitário, os canais são o sistema de despejos sanitários.
URBANIZAÇÃO DOS CANAIS DE MACAPÁ
A manutenção do canal do Beirol é de responsabilidade da Prefeitura Municipal de Macapá (PMM), mais especificamente da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura Urbana (SEMOB). Dentre as atribuições da SEMOB estão: a construção e a manutenção de obras públicas, incluindo instalações e conservação de bueiros e rede de drenagem pluvial, além das manutenções realizadas em todos os canais urbanos de Macapá.
O maior desejo dos moradores vizinhos desses locais é ouvir alguma previsão de urbanização do entorno des áreas, que somam mais de 10 quilômetros na capital.
Os canais urbanos possuem função de escoar e drenar os níveis pluviométricos das áreas da cidade com o objetivo de evitar alagamentos e demais problemas relacionados ao acúmulo de águas pluviais e negras.
A cidade de Macapá, capital do Estado do Amapá, possui em seu entorno vários canais de desague que são o canal do bairro Beirol/Pedrinhas, canal do bairro Perpétuo Socorro, canal do bairro Santa Inês e o canal da Av. Mendonça Júnior, localizados em pontos naturais e estratégicos possibilitando um escoamento eficaz levando em consideração os fortes períodos chuvosos que a capital sofre.
A ideia de revitalização dos canais, que possa aliar praticidade e preservação ao meio ambiente, ainda está longe de ser concretizada e de acordo com os gestores municipais é falta de recursos.
A realidade dos principais canais da capital

O Canal da Mendonça Júnior, do Beirol, do Jandiá e do Nova Esperança são de locais vulneráveis à poluição e aos acidentes, como quedas de veículos e pedestres. Apesar das inúmeras ações de limpeza da prefeitura não é raro encontrar lixeiras viciadas nas margens e lixo doméstico despejado na água.

O canal da Mendonça Júnior situado no centro da capital de Macapá-AP, no meio do centro comercial da capital, começou com uma obra de revitalização iniciado em 2008 e com apenas 15% dos serviços em 2010 ficou parado até 2021, ou seja 13 anos paralisados. Essa obra que é de responsabilidade do Estado e em agosto de 2021 o governador Waldez Góes em fim de mandato, apresentou no iniciou no segundo semestre de 2021 um novo projeto de revitalização e urbano para o entorno do canal da Avenida Mendonça Júnior, que corta o Centro Comercial de Macapá, com previsão de conclusão em 1 ano. A obra promete espaço com acessibilidade, arborização, bancos, lixeiras, iluminação, entre outros no trajeto entre a orla e a Rua Odilardo Silva, com extensão de 1 quilômetro.
Porém, e o esgoto sanitário, que o mesmo recebe diariamente? e o despejo de resíduos orgânicos para onde vão após a revitalização? Ou continuará sendo despejado no leito do canal? Dando continuidade ao odor nauseante que ora os moradores sofrem?
