Criminosos utilizam nomes de magistradas, magistrados, servidoras, servidores e órgãos do Tribunal de Justiça do Estado do Amapá (TJAP), além de dados reais de processos judiciais e recursos de inteligência artificial, para aplicar golpes contra cidadãs e cidadãos. Diante desse cenário, o Poder Judiciário amapaense reforça o alerta à população e orienta sobre como identificar fraudes, evitar prejuízos e agir com segurança diante de contatos suspeitos.
Durante entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (4), na sede do Tribunal, o presidente do TJAP, desembargador Jayme Ferreira, e o juiz auxiliar da Presidência, André Gonçalves, explicaram que os criminosos exploram a boa-fé das pessoas com informações verdadeiras obtidas em fontes abertas.
Na conversa com a imprensa, os magistrados apresentaram registros de tentativas de golpes e detalharam que as abordagens ocorrem, principalmente, por WhatsApp, ligações telefônicas e chamadas de vídeo. Os criminosos informam números reais de processos, citam nomes de partes, advogadas, advogados, magistradas, magistrados e servidoras ou servidores. Também prometem liberar valores ou acelerar a tramitação processual mediante pagamento antecipado. Em muitos casos, recorrem à pressão psicológica para impedir que a vítima confirme as informações pelos canais oficiais.
"Eles utilizam um fato verdadeiro. Utilizam o número do processo, o nome da pessoa e mencionam uma decisão judicial. Dizem que ela tem direito a receber determinado valor e, na expectativa de receber mais rapidamente, a pessoa acaba caindo no golpe. É um crime que explora a boa-fé das pessoas", alertou o presidente do TJAP.
O desembargador destacou que nenhuma servidora, nenhum servidor, magistrada ou magistrado entra em contato com partes para solicitar depósitos, PIX, pagamento de taxas ou qualquer valor relacionado ao andamento do processo.
"Não acredite em funcionário que liga para agilizar processo. O servidor é proibido de agir dessa forma. Também não acredite em magistrado que faça contato direto com a parte para pedir dinheiro. Isso nunca acontece. Esses criminosos utilizam a credibilidade da Justiça para enganar as pessoas", enfatizou Jayme Ferreira.
Segundo o presidente, o Tribunal também atua em cooperação com os órgãos de investigação sempre que identifica tentativas de fraude.
"Já localizamos autores de golpes em casos anteriores e encaminhamos todas as informações à Polícia Civil. As investigações resultaram na prisão de integrantes de organizações criminosas em diferentes estados brasileiros. Sempre que identificamos esse tipo de crime, colaboramos com as autoridades responsáveis", informou o chefe do Poder Judiciário.
Jayme Ferreira esclareceu que, até o momento, não existe qualquer indício de participação de magistradas, magistrados, servidoras ou servidores do Tribunal nesses crimes.
"Não há qualquer indício de participação de servidor ou de magistrado. Tudo o que conseguimos apurar demonstra que os criminosos utilizam informações obtidas em fontes abertas para construir as fraudes", garantiu o presidente do TJAP.
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