Tartarugalzinho vive dias de comoção após o feminicídio da servidora Raissa Gonçalves, funcionária da Secretaria Municipal de Assistência Social, Trabalho e Cidadania (Semastc). Em nota pública, o prefeito Bruno Mineiro afirmou que a gestão está “abalada” com o crime e reiterou o compromisso da prefeitura, em parceria com a Assembleia Legislativa e demais órgãos, no enfrentamento à violência contra a mulher e ao feminicídio.
Raissa foi encontrada morta em uma kitnet no Centro do município, ao lado do ex-companheiro, que tirou a própria vida após o crime. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio seguido de suicídio, motivado pela não aceitação do fim do relacionamento. A prefeitura decretou luto oficial de três dias e diversas autoridades locais e estaduais manifestaram pesar e solidariedade à família.
Em manifestações nas redes sociais, o prefeito e lideranças políticas destacaram que o episódio evidencia a urgência de fortalecer a rede de proteção – que envolve assistência social, saúde, segurança pública, Judiciário e Ministério Público – e ampliar campanhas de prevenção, acolhimento e orientação às mulheres em situação de risco. A mensagem é de que o enfrentamento à violência de gênero não pode ser isolado nem episódico, mas contínuo e articulado.
O caso de Raissa se soma a um cenário nacional preocupante. Dados recentes mostram que o Brasil registra, em média, quatro feminicídios por dia, mesmo em um contexto de redução geral dos homicídios. São crimes que, em grande parte, acontecem dentro de casa, cometidos por companheiros ou ex-companheiros, o que reforça a importância das denúncias, das medidas protetivas e do apoio às vítimas antes que a violência chegue ao extremo.
No Amapá, levantamentos oficiais apontam crescimento nas denúncias de violência doméstica e de gênero, com aumento significativo dos registros em canais de atendimento e órgãos especializados. Pesquisas nacionais indicam que uma parcela expressiva das mulheres amapaenses já sofreu algum tipo de violência doméstica, o que evidencia a dimensão estrutural do problema e a necessidade de políticas permanentes de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores.
Em meio ao luto, a prefeitura e parceiros têm insistido na mensagem de que casos como o de Raissa não podem ser tratados apenas como tragédias individuais, mas como um chamado coletivo à ação. A orientação é para que situações de ameaça ou agressão sejam denunciadas imediatamente, por meio do 190, do Ligue 180 e dos serviços municipais de assistência social, na esperança de que nenhuma outra mulher tenha sua vida interrompida pelo ciclo de violência.