Prefeitura de Macapá monitora pontos de alagamento e mobiliza equipes de emergência


Reinaldo Coelho
É possível compreender a Amazônia e suas peculiaridades a partir de suas cidades, ou mais especificamente, das pequenas e das grandes cidades localizadas às margens de seus rios, como Macapá, Belém, Manaus e todas as capitais da Região Norte.
É preciso falar delas não porque são importantes do ponto de vista econômico e político, mas porque são lugares em que pulsam modos de vida que diferem significativamente do padrão caracterizado como urbano e predominante em outras regiões do Brasil.
No Brasil, a maioria das cidades sofre com problemas de alagamentos, inundação, cheia, decorrente de uma série de fatores, podem-se destacar principalmente dois: a ocupação desordenada das áreas de escoamento natural das águas pluviais e a falta de um sistema de drenagem urbano que possa evitar que esses alagamentos ocorram.
Os dois fatores elencados dependem diretamente da ação do poder público na área de habitação e saneamento básico. Problemas como os alagamentos urbanos são provocados pelo acúmulo de águas no leito das ruas, somadas aos sistemas de drenagem deficientes, produzidos pelo escoamento superficial das águas pluviais e seu excedente que não infiltra no solo já impermeabilizado devido ao uso incorreto.
A realidade do serviço de saneamento do município de Macapá, assim como da grande maioria das cidades brasileiras, é deficiente e demonstra a grande falta de preocupação do poder público no planejamento urbano. Em Macapá além da expansão desordenada e descontrolada, se efetivou com a ocupação das áreas de ressaca, que tem como naturalidade ser receptora das águas pluviais.
Esses problemas de alagamentos acontecem devido a interferência, lá atrás, de administrações que não estudaram tecnicamente a situação geográfica da cidades amapaenses, pois a urbanização foram ‘acontecendo’ e aplicados sistemas de asfaltamento para cumprir programa politico e os aterramentos de igarapés e canais foram enterrados e a natureza retorna e cobra o que é de direito o curso das águas.
Macapá e demais cidades sedes dos municípios amapaenses no período invernoso amazônico tem suas ruas e domicílios invadidos pelas águas das chuvas torrenciais em que em minutos despejam centenas de milímetros de águas.
Esta semana iniciou com chuvas e o centro comercial e pontos de alagamentos, já mapeados, com grande volume de água. E a atual gestão teve sua primeira experiencia com essa crise natural e o prefeito de Macapá, Dr.Furlan, esteve nas ruas do centro da cidade nesta segunda-feira (1º) para monitorar a situação dos pontos alagados devido às fortes chuvas. Acompanhado da equipe de secretariado, o gestor também conversou com comerciantes que tiveram prejuízos com a inundação e ressaltou o trabalho que o Município vem desenvolvendo na limpeza dos canais e desobstrução de passagens de água.
Segundo o Núcleo de Hidrometeorologia e Energias Renováveis (NHMet), do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), o grande volume de chuvas coincidiu com a alta da maré no Rio Amazonas. Por essa razão, apesar das frentes de limpeza da Prefeitura de Macapá, diversos pontos da cidade foram inundados.
Comportas

A Secretaria Municipal de Obras (Semob) é a pasta responsável pelo manejo das comportas da cidade, que são monitoradas 24h, de acordo com um protocolo profissional pré-definido, seguindo a tábua das marés.
“A Semob segue um protocolo ininterrupto de monitoramento das comportas da cidade, inclusive em regime de plantão por 24h. Este trabalho é realizado por profissionais capacitados”, explicou o secretário Otávio Fonseca.
Obras

No centro de Macapá, comerciantes reclamam de novos pontos de alagamento, inclusive de trechos que passaram por obras no final do ano passado. A comerciante Elizabeth Moraes, que tem um empreendimento no centro comercial, disse que foi a primeira vez que a loja dela alagou. “Já enfrentamos outras chuvas fortes, mas esta foi a primeira vez que minha loja foi pro fundo. Perdi muita mercadoria e isso é inadmissível porque a rua passou por uma obra recentemente.”
O prefeito iniciou um processo de auditoria dos investimentos nos diversos trechos de Macapá que recentemente receberam serviços de recapeamento.
Limpeza
A Secretaria da Zeladoria Urbana iniciou na manhã desta segunda-feira a limpeza do canal do bairro Santa Inês. O trabalho deve retirar cerca de cem toneladas de entulhos e desobstruir o local, evitando causas de alagamento.
O Canal do Santa Inês, que também corta os bairros Trem, Beirol e antigo Conjunto Mucajá, foi o primeiro a receber os serviços do Plano de Atendimento Emergencial (PAE), criado para preparar a cidade para o período chuvoso que promete ser rigoroso esse ano.

A equipe conta com o trabalho de 60 homens, 7 caçambas, 3 retroescavadeiras e duas pás mecânicas. O entorno da Escola Antônio Barbosa e Praça do Skate também receberam manutenção. Ainda foi feita a poda de árvores e retirada de pequenas lixeiras irregulares.
Conscientização

A Prefeitura tem atuado diariamente na conscientização da população para manter a cidade limpa. A prática do descarte irregular do lixo contribui para o entupimento de bueiros e galerias de esgoto. A Zeladoria Urbana dispõe do Disque Denúncia pelo número 99970-1078, que funciona das 08h às 12h e das 14h às 18h. O contato também recebe mensagem de texto e WhatsApp.
