A Associação Recreativa Império de Samba Solidariedade abriu os desfiles do Grupo de Acesso neste sábado, 14, no Sambódromo Ivaldo Veras, em Macapá. A agremiação levou à avenida o enredo “O Tambor que Liberta: A história dos tambores proibidos”, uma homenagem à ancestralidade, resistência e identidade cultural afro-brasileira.
Fundada em 1983, no bairro Jesus de Nazaré, a tradicional escola apresentou um espetáculo marcado por riqueza estética, evolução consistente e forte conexão com o público. O samba-enredo celebrou a força da cultura negra e a luta histórica por liberdade.
Logo no início do desfile, os versos “Tambor… teu som ecoa em cada canto da nação, feito as batidas de um coração” conduziram a narrativa que destacou o instrumento como símbolo de fé e expressão cultural. A escola retratou a travessia do povo negro, a dor da opressão e a resiliência, representada na mensagem “Nagô, tentaram te silenciar… firma o couro contra a opressão!”.
A escola apostou em fantasias detalhadas e alegorias que representaram a trajetória histórica e simbólica dos tambores, explorando elementos de religiosidade e ancestralidade. Alas inspiradas nos quilombos, nos rituais afro-brasileiros e na força da comunidade deram vida aos versos “nos quilombos, um grito de libertação”.
A bateria foi um dos pontos altos da apresentação, com ritmo firme e cadência envolvente. Os rufos intensos sustentaram a evolução dos componentes e reforçaram a emoção do público ao som do refrão: “nosso batuque é resistência, cantoria que traduz nossa essência”.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira destacou-se pela técnica e sintonia, defendendo o pavilhão com precisão. Já a comissão de frente apresentou uma coreografia que simbolizou rituais de fé e a força espiritual celebrada no enredo, com referências aos orixás.
O desfile também exaltou símbolos da cultura afro-brasileira, celebrando a espiritualidade presente nos versos que evocam os “filhos de Zumbi”, a força do terreiro e a tradição.
A Solidariedade encerrou a apresentação sob aplausos, reafirmando o papel do samba como expressão da memória e da identidade cultural no "Meio do Mundo". O encerramento foi marcado pelo verso: “Vai tremer o chão, vai arrepiar! Celeiro de bambas, é pura emoção! Soli, minha eterna paixão!”.
