O Amapá perde um dos seus maiores topografo, agrimensores, técnico em infraestrutura, advogado e defensor da Regularização Fundiária das terras amapaenses, o Cabano Bosco Melem

Reinaldo Coelho
JOÃO BOSCO CHAHINI MELEM, natural de Belém-PA, faleceu aos 70 anos de idade por infarto e problemas renais no Hospital São Camilo neste sábado (12). O velório aconteceu no domingo (13) às 10 horas da manhã, na Loja Maçônica Duque de Caxias (em frente ao Diário do Amapá), na Coriolano Jucá. e será sepultado às 14h no cemitério São Francisco na BR 156.
A esposa Carmem Melem, filha Helina Melem - Helô e demais familiares e amigos desse grande cabano e profissional nossos sentimentos pela grande perda e como disse o seu amigo e quem ele muito considerava e respeitava como especialista Alexandre Yared “Vá, meu amigo CABANO, na companhia de Deus, georreferenciar com coordenadas geodésicas o polígono preciso do céu ao lado do nosso senhor Jesus Cristo. Descanse na Paz do Senhor.

Bosco Melem, há mais de duas décadas atuava no Amapá, com dedicação e amor as terras amazônicas, além de técnico e engenheiro, formou-se em Direito e procurou defender a regularização das terras amapaenses, principalmente aos mais pobres, quilombolas e agricultores e produtores familiar. Atuou como Agrimensor, topografo e professor na Escola Agrícola do Pacui. dedicado, prestativo e que amava ensinar. Excelente Topógrafo ajudou na formação de jovens. Bosco foi é e sempre será referência para nossa educação.
Bosco, era Técnico em Infraestrutura na área de agrimensura, lotado no setor COPLAN-SEINF. Fez parte da comunidade acadêmica da UEAP por dois anos. Iniciou seus trabalhos na SEINF, no tempo da IPESAP, deixando várias contribuições no Amapá, uma delas aquisição do terreno para o Campus da Universidade do Amapá-UEAP, no Território dos Lagos. Atualmente estava fazendo parte da regularização urbana por interesse social (REURB-S), através de um grupo pela causa.
Era um político nato, foi candidato a vereador para poder atuar com mais força junto aos órgãos regularizadores e dar sua contribuição técnica e de vasta experiência. Sempre foi ferrenho critico positivo das ações do poder público nessa área do Meio Ambiente e do Direito Ambiental, porém, sempre apresentando soluções legais e com base nas suas atuações in loco, independente de quem estivesse no poder.
Sempre foi um grande ativista de todos os assuntos e participava dos grupos nas redes sociais e contribuía com postagens rápidas e diretas. Mesmo, acometido de enfermidade, não deixava o celular e participava nos questionamentos nas redes sociais. Durante suas três ultimas internações, manteve-se conectado com todos e não repassava sofrimento ou queixas, somente se posicionava, por isso, a grande surpresa de muitos com a brusca notícia de sua passagem.
Um dos grandes nomes do Direito AMBIENTAL NO Brasil, o amapaense Dr. Paulo Figueira postou no grupo UBAU Região Norte o seguinte comentário:
“Perdemos no Amapá um grande profissional, brilhante, probe, um cidadão do bem. Um profissional sempre pronto para cooperar com as instituições públicas, privadas, meio acadêmico.
Eu tive o prazer de conviver principalmente nesses três últimos anos com ele pela OAB AP nas proposituras de lei agrária e ambiental. Cooperou em nossos eventos inclusive pela UBAU Nacional nos seminários, passando todas as informações FUNDIÁRIAS.
Perdemos um grande patriota, um homem do bem comum. Vá em paz meu Amigo. A porta está aberta para vc que nunca desejou o mal de ninguém. Ao contrário era superproativo, colaborador, e que nunca ficou com interfúgio para falar o que pensava em relação a governo, mas não no sentido de atacar, ao contrário se oferecia para colaborar com o Amapá e seus municípios. Perdemos um técnico qualificado e com experiências em regularização fundiária urbana e rural.”.

Tenho 17 artigos e crônicas de meu amigo Bosco Melem, tivemos um relacionamento virtual, conversávamos muitos pelo celular e ele semanalmente me envia sugestões de pautas sobre os problemas fundiários, mineral e principalmente sobre a Cabanagem, que ele se considerava um dos cabanos ativo na Amazônia e me incluiu nessa lista histórica.
“Adeus amigo Melem! Estivemos juntos desde quando você se conectou com nosso trabalho jornalístico e a transformou em amizade pessoal e durante todo esse tempo você plantou em todos que te conheceram a semente da solidariedade do companheirismo e da liberdade e agora eu referencio a sua memória e te digo obrigado amigo! Muito obrigado e que em paz você descanse! O Boscão era dessas pessoas que chamamos de especiais, pessoas que igual a ele sempre se antecipam no relacionamento da amizade, sempre disse o que o amigo precisava ouvir, se tivesse que chamar a atenção de um amigo, sempre no sentido de ajudá-lo, fazia-o sem muitas delongas. Eu tive o privilégio de tê-lo como amigo, verdadeiramente como amigo. Por ocasião do último encontro virtual, na quinta-feira (10), não sabendo de sua última internação, lhe postei um Bom Dia e ele respondeu
Meu amigo.
Como é bom receber um abraço ao acordar.
Fique com meus melhores sentimentos.
Força.
E recebo no sábado a notícia de seu óbito. Uma tristeza enorme tomou conta de todos nós, precisamos exercitar a partir de agora o exemplo que o Bosco Melem, o Boscão, o nosso Papai Noel nos deixa que é "amigo não tem defeito.”
LEIA ESSE ARTIGO EM DUAS MÃOS
DOENÇAS NEGLIGENCIADAS
A MALÁRIA É DOENÇA DE POBRE
O CORONAVÍRUS É DE TODOS

A indústria farmacêutica não tem interesse em investir em doenças que não dão lucro – caso da malária – e sim na vacina contra o COVID19 que atinge bilhões de pessoas de todas as camadas sociais e garantem bilhões de dólares de retorno aos cofres das multinacionais farmacêuticas .
Bosco Melém e Reinaldo Coelho
Essa duas afirmações no título desse artigo é para refletir, porque a malária é do pobre e após séculos ela não tem uma vacina capaz de imunizar a população? O motivo? "Elas estão relacionadas à pobreza, não têm muito interesse para o mercado porque não dão um retorno lucrativo", explica Sinval Brandão, pesquisador da Fiocruz
Apesar de longos anos de pesquisa, poucos progressos aconteceram na erradicação. Justifica-se: Pois ela ocorre em enorme maioria nos meios rurais e o extermínio que ela causa, ocorre principalmente nos caboclos, ribeirinhos, extrativistas e índios, coincidentemente, uma população pobre e invisível ao poder público.
E para o espanto de alguns, não interessa a indústria farmacêutica investir nessas pesquisas e que não darão lucro, pois pobre não interessa aos laboratórios. E são as doenças dos pobres que você já deve ter estudado na escola: teníase, lepra, doença de Chagas, esquistossomose, doença do sono, tracoma, oncocercose, filariose linfática, entre outras. A lista inclui alguns males bastante conhecidos (e até em alta) no Brasil, como dengue, chikungunya e chagas.
Nos primeiros anos deste século, apenas quatro em cada cem novos medicamentos produzidos foram dedicados a doenças que atingem principalmente populações em países tropicais de baixa renda.
Em números concretos, só 37 (cerca de 4%) dos 850 novos remédios registrados entre 2000 e 2011 eram indicados para malária, diarreia, tuberculose e o rol das chamadas "doenças tropicais negligenciadas" listadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
E isso é confirmado, não somente com a malária, pois cerca de um bilhão de pessoas no mundo – um sexto de todos os humanos no planeta – são afetados pelas chamadas "doenças negligenciadas": enfermidades que a indústria farmacêutica não tem interesse em pesquisar, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Já o CORONAVÍRUS é uma praga predominantemente urbana e democrática. O extermínio que ele causa não difere raça, gênero, idade ou poder aquisitivo. Graças a essa natureza difusa, o vírus terá em tempo recorde a sua cura ou vacina. Destaque-se que a camada pobre e miserável, democraticamente foi beneficiada com os investimentos e estruturas de redes de Hospitais de Campanha e Centros de Combate, pois não dava para dar preferencia aos abastados.
Além de que outras industrias médicas, estão ganhando, de seringas, EPIs, medicamentos, respiradores, UTIs, higienização (álcool gel, luvas, máscaras), além dos roubos dos recursos aplicados no combate, bilhões desviados ou superfaturados. O espiral somente sobe a favor dos investidores.
Penso que, o motivo não é a mortandade na população mais desassistida e sim por ela atacar os poderosos e endinheirados com a mesma voracidade. Os grandes laboratórios Pfizer e Moderna devem faturar US$32 bi com vacina contra covid-19 em 2021.
É claro que esse é o motivo dos bilhões investidos de imediato pelos governos de todos os países e os preços cobrados para a aquisição da vacina. Segundo o governo, cada dose do imunizante obtido através do programa COVAX Facility custará US$ 21,90 (cerca de R$ 121,00). No total da iniciativa, está previsto o custo de R$ 2,5 bilhões para os cofres públicos, sendo que o primeiro pagamento de R$ 830.895.256,59 já foi feito, de acordo com o ministério.
Mas em meio a tanto sofrimento provocado pela doença, que já matou mais de 1,5 milhão de pessoas no mundo, o lucro não é bem visto por todos. A Johnson & Johnson e a AstraZeneca se comprometeram a desenvolver os imunizantes sem fins lucrativos.
Apesar de toda a história negativa da malária, ela teve um grande ponto positivo, VENCEU OS INVASORES IMPERIALISTAS NO VIETNÃ. Na Amazônia, ela foi a grande resistência contra a Operação Amazônia da Ditadura Militar que pretendia transformar toda a "FLORESTA INÚTIL EM PATA DE BOI"
A prova dos nove e real é exatamente o paralelo com a MALÁRIA E O CORONA
UMA É DOENÇA DE POBRE, O CORONA É DE TODOS.
