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Sábado, 02 de Maio 2026

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O Alujá de Xangô: Piratas Estilizados traz a ancestralidade dos tambores e encerra desfiles do Carnaval 2026

Fechando oficialmente os desfiles, a "Mais Querida" e campeã de 2025 do Grupo Especial fez tremer o Sambódromo com enredo épico sobre as tradições iorubás e a resistência negra.

O Alujá de Xangô: Piratas Estilizados traz a ancestralidade dos tambores e encerra desfiles do Carnaval 2026
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Encerrando a última noite de desfiles do Carnaval 2026, evento coordenado pela Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap), em parceria com o Governo do Estado e o senador Davi Alcolumbre, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Piratas Estilizados levou à Avenida Ivaldo Veras o enredo “Toque o Alujá para o Alafim de Oió: A Ancestralidade que ecoa nos Sagrados Tambores dos Piratas Estilizados”.

Fundada em 1974, no tradicional bairro do Laguinho, a agremiação surgiu inicialmente como bloco carnavalesco e rapidamente conquistou protagonismo no cenário cultural local, acumulando títulos e consolidando sua identidade no samba amapaense.

Neste ano, a proposta foi além do espetáculo visual. A escola apresentou um “itan”, termo da tradição iorubá que significa "história", como fio condutor da apresentação. Na cultura iorubá, os itans são narrativas míticas transmitidas oralmente, responsáveis por preservar saberes ancestrais e fundamentos religiosos.

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Narrativa e Resistência Na avenida, o enredo narrou a criação do mundo por Olorum. Segundo a tradição apresentada, foi o som sincopado do tambor criado por Xangô, no ritmo do Alujá, que devolveu a alegria à existência. O tambor, símbolo central do desfile, foi retratado como instrumento sagrado de conexão entre o humano e o divino.

A narrativa também abordou o período da escravidão, destacando como o tambor atravessou o Atlântico com os povos africanos. Mesmo diante da violência e do apagamento cultural, o instrumento tornou-se elo de união e resistência das crenças do povo negro no Brasil. O desfile ressaltou, ainda, o sincretismo religioso como estratégia de sobrevivência, integrando divindades africanas, elementos indígenas e o catolicismo.

Com alegorias imponentes e bateria cadenciada, a Piratas Estilizados transformou a avenida em território de memória e afirmação identitária. O encerramento reafirmou o Carnaval do Amapá como espaço de celebração cultural e valorização das raízes afro-amazônicas.

 

Genesis Comunicação

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