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Quarta-feira, 23 de Setembro 2026
Notícias/Entrevista da Semana

 Marven Junius Franklin: O Poeta da Fronteira 

Descendente de confederados norte-americanos que aportaram no Norte do Brasil na segunda metade do século XIX

 Marven Junius Franklin: O Poeta da Fronteira 
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ENTREVISTA DA SEMANA 

 Marven Junius Franklin: O Poeta da Fronteira 

 

 

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Fomos buscar na fronteira do Brasil com a Guiana Frances, no extremo Norte do Amapá, em Oiapoque Marven Junius Franklin, nascido em Santarém/PA. Descendente de confederados norte-americanos que aportaram no Norte do Brasil na segunda metade do século XIX depois da Guerra de Secessão.  

É graduado em Educação Física pela Universidade de Brasília (DF) e especialista em Educação Física Escolar pela Universidade Cândido Mendes (RJ); É professor de Educação Física da Secretaria Municipal de Educação de Oiapoque-AP; Formado em Gestão de Telecomunicações pela Faculdade Integrada do Ceará (FIC) e MBA em Sistema de Informação (SI) pela Escola Superior Aberta do Brasil (ESAB). 

Possui Experiência nas várias modalidades educacionais, inclusive no ensino médio profissionalizante.  

Na área literária, é poeta e já teve trabalhos publicados em várias revistas de literatura e sites especializados, como a Mallarmargens –Revista de poesia e arte contemporânea nos anos de 2016 e 2017.  

 

Em 2016 foi agraciado com o prêmio X CLIPP – Concurso Literário de Presidente Prudente (Ruth Campos) promovido pela Secretaria de Cultura de Presidente Prudente/SP.  

Em maio de 2017 teve trabalhos publicados na Revista Philos (Revista de Literatura da União Latina/Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de literatura lusófona.  

De 10 de julho a 06 de agosto de 2017 esteve com seus trabalhos na Exposição Poesia Agora, promovida pela Caixa Cultural do Rio de janeiro. A exposição exibiu trabalhos dos principais poetas em atividade no Brasil.  

Em setembro de 2017 foi selecionado para participar da edição do livro Vozes de Aço (XIX Antologia Poética de Diversos Autores que homenageou o escritor/acadêmico Geraldo Carneiro.  

 

Em setembro de 2017 foi premiado em 2° lugar no Concurso Nacional Novos Poetas, Prêmio CNNP 2017 integrando a coletânea. Em outubro de 2017 foi agraciado com Menção Honrosa no 4º Concurso de Poesia promovido pela ALACIB - Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil de Mariana/MG.  

Em 2018 participou da Coletânea Poesia, poemas e outros versos realizada pela Associação literária do Estado do Amapá (ALIEAP) e da coletânea do V Concurso Nacional Cidade Poesia, promovida pela Associação dos Escritores de Bragança Paulista/SP.  

Em 2018 lançou o livro Rio Oiapoque [in blues] pelo Sesc de Macapá/AP e e Belém/PA. Foi agraciado com o diploma de honra ao mérito pela Secretaria de Estado e Cultura do Amapá pelos relevantes serviços prestados em prol da divulgação do livro e ao desenvolvimento cultural e artístico do estado do Amapá. Ainda em 2018, participou das antologias "V anuário da poesia paraense" e da coletânea "Poética sobre as águas". Em 2018 foi primeiro colocado no III Prêmio Henrique José De Souza De Literatura, promovido pelo Instituto Cultural Brasileiro de Ação e Cidadania Hélio Jefferson de Souza Filho/SP.  

Em fevereiro de 2019 foi agraciado com o Título de "Destaque da Literatura do Extremo Norte, oferecido pela Secult/PA/Baile dos Artistas. Em agosto foi selecionado como colaborador da REVISTA CEAT-50 ANOS, publicação feita pelo Centro Educacional Anísio Teixeira do Rio de Janeiro e Revista Philos, que homenageou o escritor/músico/compositor Chico Buarque, vencedor do Prêmio Camões.  

Em novembro de 2019 recebeu o convite, através da curadoria do escritor Juca Ribeiro, para participar do SALÃO CARIOCA DO LIVRO – LER, no Rio de Janeiro, um dos maiores eventos da literatura brasileira. Em dezembro foi vencedor do Prêmio Literário LIVRARIA ASABEÇA & BIGNARDI PAPÉIS 2019 e recebeu o título de CIDADÃO OIAPOQUENSE, oferecido pela Câmara Municipal de Vereadores de Oiapoque/AP.  

Em março de 2020 foi agraciado com a Menção Honrosa no XVIII Concurso "Fritz Teixeira de Salles" em Monte Sião/MG e foi vencedor do Projeto Converso - Concurso Nacional de Poesia de Bolso, promovido pelo Fundo Municipal de Cultura de Betim/MG.  

Em 2021 é finalista do Prêmio Off Flip de Literatura. 

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A editoria do Jornal dos Municípios (AP) conversou com o nosso poeta fronteiriço. Acompanhe: 

Jornal dos Municípios (AP) – Caro poeta Marven Junius Franklin, para começar gostaríamos de saber como se deu sua paixão pelo tear da escrita? 

MARVEN JUNIUS FRANKLIN – Minha avó paterna nos contava histórias e lia poesias para nós – me falou de Cervantes. A literatura me foi apresentada por meu pai quando eu recebi dele de presente o livro “O LIVRO DO RISO E DO ESQUECIMENTO” do escritor theco Milan Kundera – não deixei mais a literatura. A poesia logo surge como a minha forma favorita de expressão literária. Lembro que nosso pai montou uma acanhada biblioteca na sala de casa. Uma estratégia que funcionou. Em momentos de tédio – próprio da infância/final da adolescência – eu recorria aos livros como uma forma de viajar, sair e conhecer o mundo. Depois veio a influência de meu irmão Benny Franklin (poeta) que mantinha uma pequena estante com livros de poesias em sua casa. Eu simplesmente os devorava! Nessa fase já confeccionava pequenos fragmentos sem saber que já esboçava minhas primeiras composições literárias. 

Jornal dos Municípios (AP) – Poderia nos falar sobre como surgiu sua relação com a literatura, especificamente a poesia? Como aconteceu seu processo de escrita? De que modo aproxima a chama e o cristal na materialização de seus poemas? 

MARVEN JUNIUS FRANKLIN – A literatura surge da influência familiar como já disse. Acho que a literatura caminha comigo desde a infância, através das histórias contadas por minha avó e pelas confabulações acerca do mundo, da cultura e das coisas sobrenaturais que mantinha com meu pai. A característica de minha obra é a poesia, pois foi com ela que tive o primeiro contato com a literatura efetivamente, quando passava marés lendo os livros na estante de meu irmão. Meu processo de escrita é simples: esboço fragmentos mentalmente, depois os materializo no papel (esboço) e logo os organizo no computador – dando a forma final. 

 

Jornal dos Municípios (AP) – Sabido que tem uma parte de seu material poético publicado em blogs e sites de cultura virtual e publicações em revistas literárias. Pergunto: você acha que os meios eletrônicos são uma forma de divulgação moderna que ameaça o livro impresso? Como a partir desses meios podemos pensar numa modernização literária? 

MARVEN JUNIUS FRANKLIN – A internet trouxe – a meu ver, a democracia literária (que me perdoem os conservadores). O autor desconhecido passa a ser lido, mesmo sem ter lançado um livro. O autor da internet passa a ser respeitado dentro do processo literário nacional e mundial. As redes sociais são o exemplo máximo disso e não vislumbro que isso possa ser tornar uma ameaça ao livro impresso – ao contrário, a internet ajuda os autores a divulgar livros, lançamentos, eventos literários e etc. Digo sempre que a literatura se modernizou e passou a atingir um público maior. 

 

Jornal dos Municípios (AP) – Você escreveu um livro Blues em Oiapoque, como se deu essa ideia? 

MARVEN JUNIUS FRANKLIN – Na verdade o nome do livro é ‘RIO OIAPOQUE [IN BLUES]’ e foi uma forma de homenagear minha cidade do coração – minha Arcádia literária. O blues surge no momento em que atraquei em Oiapoque. Estava vindo de uma vida despedaçada, sem destino e sem perspectivas após uma longa jornada pelo Brasil e América Latina (munido de mochila e sonhos, um andarilho). E foi na chegada – em uma madrugada densa, que ouvi um blues vindo de uma barraca de lanche na Praça da Cidade, em meio a uma neblina surreal – uma característica das noites em Oiapoque. Isso marcou a minha vida.... Pois o blues, o rio (que conheci no dia seguinte), foi decisivo na minha efetivação como poeta. A cidade me abraçou e eu não a alarguei mais. Nessa cidade eu me estabeleci e hoje sou parte dessa paisagem... Em meio a catraias, o verde da mata, o burburinho do mercado municipal e a neblina que me inspira muito. 

 

Jornal dos Municípios (AP) – Marven gostaria de saber como você vê a Literatura no Amapá e, para ser mais específico, em Oiapoque? 

MARVEN JUNIUS FRANKLIN – Me considero um poeta amapaense, nortenho, amazônico. O Amapá tem grandes escritores como Fernando Canto, Obdias Araújo, Paulo Tarso Barros, Lulih Rojanski, Cesar Bernardo e outros. Penso que a literatura do Amapá vive um momento de afirmação de todo o seu potencial. Passa a ser nacional, através da conquista de prêmios nacionais e em publicações em revistas literárias por escritores que estão se afirmando no contexto literário amapaense e a nível nacional (poetas de grande talento, diga-se de passagem). A literatura de Oiapoque – a literatura de fronteira, como eu gosto de falar, está em fase de afirmação e apesar de ter escritores de qualidade, ainda falta esse aparelhamento como a estruturação de uma associação literária de peso para que se possam efetivar eventos e coletâneas, por exemplo. 

Jornal dos Municípios (AP) – Gostaria que nos falasse se tem mais algum trabalho ainda no prelo, ou engavetado? 

MARVEN JUNIUS FRANKLIN – Estou prestes a lançar dois livros esse ano, com o patrocínio da lei Aldir Blanc, que se chamam “ O pequeno Admirador de Marés” de para a faixa etária infanto-juvenil, que já está para a editora e o livro de poemas “ Martinica”. 

 Jornal dos Municípios (AP) – Se pudesse recomendar um livro aos leitores, qual seria? 

MARVEN JUNIUS FRANKLIN – Eu venho de uma influência da geração Beatnik, sempre que me fazem essa pergunta eu sugiro livros dessa escola literária da contracultura americana como "Pé Na Estrada", de Jack Kerouac, "Uivo", de Allen Ginsberg. 

Jornal dos Municípios (AP) – Qual a sua maior preocupação ao escrever? 

MARVEN JUNIUS FRANKLIN – Ser verdadeiro é minha maior preocupação. A literatura voltada à resistência contra tudo que afronte a dignidade humana. Oiapoque espera muito de mim e isso me torna imune a tudo que não seja verdade dentro do processo literário. Tenho compromisso social com o meu Estado e com o meu município. 

Jornal dos Municípios (AP) – Quem é o escritor Marven Junius Franklin? 

MARVEN JUNIUS FRANKLIN – Considero-me um Quixote navegando a esmo, buscando a cura para a solidão. Sou o poeta da névoa densa e dos girassóis imaginários e que espera todos os dias os pores do sol na sacada da Marripá Tour. Sou um Quixote contemporâneo que, em vez dos galopes, viaja em catraias multicoloridas em direção do quimérico. 

 

Reinaldo Coelho

Publicado por:

Reinaldo Coelho

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