A migração da criminalidade para o ambiente digital tem exigido respostas rápidas das instituições e atenção constante da população. Em entrevista ao programa JudiciRádio Notícias, desta quinta-feira (15), a advogada Gisele Lopes e o oficial investigador Rodson Juarez, da Delegacia Especializada de Repressão à Fraude Eletrônica, discutiram o crescimento dos estelionatos digitais no estado, as estratégias utilizadas pelos criminosos e as medidas de prevenção.
O golpe do falso advogado ocorre quando criminosos utilizam fotografias, logotipos e dados de escritórios de advocacia para criar perfis falsos no WhatsApp. Por meio desses contatos, informam aos clientes que há valores judiciais disponíveis para recebimento e solicitam pagamentos antecipados, geralmente via Pix. Ao explicar como as vítimas são induzidas ao erro, Gisele Lopes destacou que os criminosos exploram a expectativa de receber valores relacionados a processos judiciais.
“Os criminosos utilizam a identidade visual do escritório ou fotografias do advogado para criar perfis falsos. Em seguida, entram em contato com os clientes e informam que existem valores disponíveis para recebimento. Essa expectativa acaba por convencer a vítima a realizar o pagamento”, detalhou Gisele Lopes.
A advogada também alertou para o uso de documentos falsificados com referências ao Poder Judiciário, uma estratégia que busca conferir legitimidade às cobranças. Segundo ela, os criminosos utilizam nomes de tribunais e elementos visuais semelhantes aos de documentos oficiais para tornar a fraude mais convincente.
“Há casos em que os golpistas produzem documentos com os nomes do Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Esses materiais procuram transmitir credibilidade, mas não correspondem aos procedimentos oficiais para o recebimento de valores judiciais”, ressaltou Gisele Lopes.
As práticas criminosas podem envolver quadrilhas estruturadas e recursos tecnológicos, como inteligência artificial para imitar vozes, simulação de audiências e aplicativos maliciosos capazes de comprometer celulares. Apesar da sofisticação das abordagens, as operações deixam registros que podem contribuir para a identificação dos envolvidos.
O oficial investigador, Rodson Juarez, explicou que informações sobre conexões, números de telefone e movimentações financeiras auxiliam o trabalho policial na apuração dos crimes.
“Esse tipo de crime deixa rastros digitais e financeiros. Há registros relacionados ao endereço IP utilizado, aos números de telefone envolvidos e às transferências realizadas. Esses elementos podem contribuir para identificar os responsáveis e rastrear os valores movimentados”, afirmou Rodson Juarez.
O investigador também chamou a atenção para a responsabilidade de quem cede ou aluga a própria conta bancária para receber e movimentar dinheiro proveniente de fraudes. Conhecidas como contas de passagem, essas contas podem integrar o esquema criminoso, e seus titulares podem ser responsabilizados conforme as circunstâncias e sua participação nos fatos.
Outro alerta diz respeito ao perfil das vítimas. Juarez destacou que pessoas de diferentes níveis de escolaridade e áreas profissionais podem cair nesse tipo de golpe, já que os criminosos elaboram abordagens para dificultar a identificação da fraude.
“Não são apenas pessoas com pouca instrução ou dificuldade no uso de ferramentas digitais que se tornam vítimas. Há registros de profissionais de diferentes áreas, inclusive médicos, defensores públicos e integrantes das forças de segurança. Os criminosos constroem narrativas que dificultam a identificação da fraude e induzem as pessoas ao erro”, pontuou.
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