A chegada do período chuvoso do inverno amazônico traz um alerta e uma preocupação, principalmente para os pais, em relação às síndromes respiratórias, comuns nessa época entre as crianças. Para garantir a segurança dos pequenos, o Governo do Amapá já iniciou a preparação das unidades de referência, como o Pronto Atendimento Infantil (PAI) e o Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), para o período de pico das doenças, que costuma se intensificar entre os meses de abril e junho.
Até o momento, o PAI e o HCA têm registrado atendimentos dentro da normalidade, segundo dados do setor de epidemiologia das unidades. No período de 29 de dezembro de 2025 a 4 de janeiro de 2026, foram registrados 62 casos de Síndrome Gripal (SG) e 11 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), forma mais grave da doença. No mesmo período do ano passado, foram contabilizados 91 casos de Síndrome Gripal e 10 de SRAG. Apesar dos indicadores apontarem um cenário estável, as unidades já se preparam para o aumento da demanda esperado nos próximos meses, e o momento exige atenção permanente.
Para a responsável técnica do Setor de Epidemiologia, Ingrid Martins, esse quadro pode mudar de forma repentina, o que reforça a importância da prevenção, especialmente pela vacinação.
“Manter o cartão de vacina das crianças atualizado é fundamental. Quem ainda tem alguma dose em atraso deve procurar a unidade de saúde quanto antes, porque a vacina evita que uma gripe simples evolua para um quadro mais grave, que pode levar à internação e até ao óbito. O pico das síndromes gripais ocorre entre abril e junho e, com o fim das férias e o retorno às atividades, o risco de contágio aumenta”, alerta.
O médico epidemiologista do HCA, Rinaldo Júnior, explica que as síndromes respiratórias afetam as vias aéreas das crianças e são causadas, na maioria das vezes, por vírus comuns nesta época do ano, como os da gripe, da covid-19 e da bronquiolite. Segundo ele, a prevenção começa ainda na gestação.
“Hoje já temos vacina contra a bronquiolite disponível no SUS para gestantes a partir da 28ª semana, o que protege o bebê desde o nascimento. Após os seis meses, a criança também pode receber as vacinas contra a gripe e a covid, que são seguras e eficazes”, destacou.
Cuidados simples
Além da vacinação, que pode ser feita nas unidades básicas de saúde, o especialista reforça cuidados simples no dia a dia.
“Lavar bem as mãos, ensinar a criança a cobrir a boca ao tossir ou espirrar, manter ambientes ventilados e evitar contato com outras crianças quando estiver doente são atitudes que reduzem muito a transmissão. Se a criança apresentar sintomas, o ideal é mantê-la em casa por alguns dias, até melhorar, evitando que o vírus se espalhe, principalmente no ambiente escolar”, orienta o médico.

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