Alunos, pais, professores e moradores de Cutias do Araguari transformaram a sexta-feira em um grande aquecimento para o desfile cívico de 7 de Setembro. Pelas escolas e vias do município, tambores, bandeiras e coreografias tomaram forma em ensaios que reuniram diferentes gerações com um objetivo comum: celebrar a Independência do Brasil e reforçar a identidade local. No próximo sábado, as comunidades rurais e os estudantes voltam às ruas para um ato que combina memória, pertencimento e educação para a cidadania.
A tradição dos desfiles escolares em 7 de Setembro permanece como instrumento de pedagogia cívica no país, quando escolas trabalham símbolos nacionais, ética e noções de participação social. Em Cutias, esse sentido ganha contornos próprios. O município — emancipado de Macapá em 1º de maio de 1992 — cresceu às margens do rio Araguari, o maior curso d’água genuinamente amapaense. A história local é marcada pela vida ribeirinha, pela criação de búfalos e pela agricultura familiar, pilares econômicos que moldam o cotidiano e as paisagens dos campos do Amapá.
Os preparativos deste ano envolvem fanfarras, pelotões temáticos e alas que lembram capítulos da trajetória municipal, como a antiga fama da pororoca no Araguari, fenômeno que projetou a região internacionalmente e que se tornou símbolo afetivo para muitos moradores. Professores destacam que o desfile é também um momento de aprendizado fora da sala: estudantes pesquisam marcos da Independência, revisitam a formação do município e discutem direitos e deveres do cidadão.
No sábado, a expectativa é de ocupação de ruas e praças por famílias inteiras. Para além da estética do passo marcado, a prefeitura e a rede de ensino enxergam na celebração uma oportunidade de valorizar o que é próprio de Cutias: o espírito comunitário, a relação com o rio e o compromisso com uma escola que dialoga com a realidade local. Ao final, o que desfila não é apenas a memória do 7 de Setembro, mas um projeto de futuro no qual a educação e a cultura cívica continuam a caminhar lado a lado nas margens do Araguari.
