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Quarta-feira, 26 de Agosto 2026
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Foi eleita Deputada Federal a primeira mulher indígena a entrar para o Exército Brasileiro

"Irei atuar na questão da autonomia econômica dos povos indígenas para que eles possam produzir em suas próprias terras"

Foi eleita Deputada Federal a primeira mulher indígena a entrar para o Exército Brasileiro
TRE Amapá e Jornal dos Municípios
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Eleita e diplomada pelo Tribunal Regional do Amapá, a indígena Silvia Waiãpi (PL) promete em seu mandato de Deputada Federal primar pelo caminho do conservadorismo e ainda, defender e desenvolver economicamente as aldeias indígenas.

Foto reprodução/Facebook

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Nascida na aldeia Waiãpi, no estado do Amapá, seu nome original é Jawaimã. Tornou-se mãe muito cedo, aos 13 anos de idade, e mudou-se para o Rio de Janeiro sozinha e, com 14 anos, se tornou moradora de rua. “Eu tinha uma pedra que acreditava que era sagrada, e a vendeu para comer. "Com aquele dinheiro eu consegui comer uns dois dias. Depois comecei a vender livros de porta em porta”, contou, em entrevista de 2011, ao UOL 

No Rio, conheceu um camelô que a ajudou a encontrar um local para viver com sua sobrinha, que tinha acabado de se divorciar. Arrumou um emprego no Círculo do Livro. Conheceu poetas e artistas e começou a se desenvolver culturalmente, ao mesmo tempo em que frequentava a escola. 

Estudou teatro e participou de diversas produções da Rede Globo, com a novela Uga Uga (2000-2001), e a minissérie A Muralha (2000). Mas a carreira artística foi interrompida por uma incursão no mundo do esporte. Foi descoberta por um técnico do Vasco da Gama e passou a treinar no clube. Por sua boa performance no atletismo, ganhou uma bolsa para estudar fisioterapia em 2003, no Centro Universitário Augusto Motta.  

Em 2010, voltou a atuar: participou da minissérie A Cura, da Rede Globo. Mas queria, na verdade, entrar para as Forças Armadas. 

Estudou e ingressou no Exército Brasileiro, o que lhe deu o título de ser a primeira mulher indígena a adentrar nas fileiras do Exército Brasileiro.


Sílvia chefiou setor de reabilitação em fisioterapia no Hospital Central do Exército //Foto Divulgação 

No percorrer de sua estrada, ocupou o cargo de Secretária Nacional de Saúde Indígena na gestão do Presidente Jair Bolsonaro. Nessa função, Silvia enveredou por um caminho antes desconhecido, pois suas atitudes em fiscalizar o atendimento de saúde aos povos indígenas, em casas de saúde espalhadas por todo o Brasil, e na busca de fiscalizar como eram gastos o dinheiro público para atendimento a esse público específico, rendeu contra si duas tentativas de assassinato, por grupos que se sentiram ameaçados pela sua gestão. Muitos foram os obstáculos e percalços durante sua vida. Mas, cada um deles serviu para moldar quem Silvia Waiãpi é hoje.

Seu conhecimento e cursos acadêmicos impactam as expectativas de qualquer pessoa. Dentre dezenas e dezenas de cursos, treinamentos, especialização, podemos citar o de Fisioterapia pelo Centro Universitário Augusto Motta. O de Liderança Estratégica pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Sua especialidade em Terapia Intensiva, em Defesa Química Biológica Radiológica e Nuclear. Também em Gestão Financeira e Orçamentária em Organizações Públicas. Possui ainda qualificação para Prevenção e Detectação de Cartéis em Licitações - ENAP. Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo. além do que é pós graduada em Segurança Pública. estendendo-se ainda em Resgate Aeromédico e Transporte Aeromédico Adulto, Neonatal e Pediátrico. Cursou também Política e Estratégia pela Escola Superior de Guerra, sob a matricula0571-ADESG/RJ.

Com todo esse cabedal de conhecimento, ela ainda acumula o título de Membro do Colégio Brasileiro de Medicina de Desastres e Catástrofes, além de outros títulos e cursos de igual importância. 

Sua última honraria recebida foi a "ORDEM DO MÉRITO PRINCESA ISABEL". Honraria essa criada em 09 de dezembros de 2022, e instituída pelo Presidente da República Jair Messias Bolsonaro, e concedida pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, àquelas pessoas que tenham prestado "notáveis serviços" em âmbito nacional ou internacional relacionado a proteção, promoção, atendimento e assistência ao público alvo das mulheres e dos direitos humanos. o Mérito faz alusão à Princesa Isabel, que assinou a Lei Áurea, proibindo a escravidão;

Ministra Cristiane Brito e a amapaense, negra, quilombola e ribeirinha, a senhora Maria Nascimento, recebendo a "ORDEM DO MÉRITO PRINCESA ISABEL"

O evento ocorreu em Brasília no último dia 19 de dezembro do ano corrente e celebrou o Dia Internacional dos Direitos Humanos instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU/1950). No evento a deputada federal eleita se fez representar pela amapaense, a senhora Maria Nascimento, Mulher Negra, Quilombola e Ribeirinha, que atualmente é a presidente do Sistema OCB/SESCOOP-AP. A ausência de Silvia Waiãpi deu-se por ser a mesma data que ela receberia seu Diploma de Deputada Federal no estado do Amapá. "Tenho muito orgulho e a certeza que fui muito bem representada no evento em Brasília pela a digna amapaense Maria Nascimento, que também tem uma longa história de vida em defesa dos direitos das mulheres, em especial as amazônidas." Disse a Waiãpi.

SOBRE OS POVOS INDIGENAS

Na questão da autonomia econômica dos povos indígenas, o foco da Deputada Federal é para que eles possam desenvolver-se e produzir em suas próprias terras, assim como já fazem os indígenas PARECI que plantam arroz, soja, milho, participando do PIB e do ciclo econômico, bem como também fazem os SURUI, de Rondônia, que plantam café. Segundo ela, não há interesse em explorar as terras indígenas de forma predatória, ao contrário. Não se deve subjugar esse povo, e sim dar a ele o direito e a oportunidade do crescimento econômico em suas próprias terras. 

Povo Waiãpi / Foto reprodução

Para a Deputada Silvia Waiãpi, os povos indígenas vivem como se estivessem ainda em 1500, enquanto o resto da sociedade humana vive no século XXI.  Para ela, a ideia poética de que o índio tem que estar nu, falar mal o português, está ultrapassada. Segundo ela, não é um preconceito, mas tem-se que essa imagem de uma forma ou de outra, condena o indígena a não buscar desenvolver-se, como ela assim o fez no decorrer de sua vida.

"Trago o grito, a esperança e a reivindicação de desenvolvimento econômico dos povos do Norte. As pessoas não entendem o que é ver crianças e mulheres se prostituindo nas estradas, porque alguém decidiu que não podemos plantar arroz" Disse indignada.

Além de Silvia Waiãpi, três outras indígenas foram eleitas deputadas federais, no entanto duas de São Paulo e uma de Minas Gerais. Contudo, a única do norte brasileiro, diga-se da Amazônia brasileira é Silvia. O Amapá é historicamente o único estado, cujo seu povo lutou para inserir o seu território dentro da geografia do Brasil.

A Deputada ainda questiona em suas falas públicas o porque da soberania nacional está em risco com as medidas do cenário propostas por Lula, que visa fomentar Ongs internacionais para atuarem em áreas da selva brasileira sob o pretexto de preservação. "Isso fere a soberania e expõem o nosso país à criminalidade. Por isso, não abro mão da soberania nacional. A Amazônia brasileira pertence ao Brasil e ao povo brasileiro, e não podemos permitir que países e ONGs interfiram no território brasileiro e no modo de vida do seu povo" Disse ela.

Diplomação - Foto TRE

Silvia promete levar o debate na Câmara de Deputados sobre as questões de gênero em salas de aula. "Sem controle da família é colocar o estado acima da paternidade e da maternidade. Sou contra a ideologia de gênero e contra o ensino disso dentro da escola. Não sou contra homossexuais, acho que a vida sexual de alguém deve ser vivida entre as quatro paredes" Afirmou.

Vítima de estupro em sua adolescência, a Deputada Silvia Waiãpi também deverá levantar a temática no parlamento. Ela busca tornar imprescritível crime sexuais praticados contra crianças. Disse: "Não posso silenciar diante de tantos crimes contra crianças, mulheres e meninos que são violados."

Dentre muitas outras pautas conservadoras, o mandato de Silvia Waiãpi, vai impactar com propostas arrojadas a Câmara de Deputados a partir de 2023. Aguardemos.

FONTE/CRÉDITOS: Redação
Genesis Comunicação

Publicado por:

Genesis Comunicação

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