Em Pracuúba (AP), o prefeito Júnior Leite divulgou com entusiasmo o trabalho realizado na Escola Estadual Maria das Graças, onde a professora de artes, junto com seus alunos, vem produzindo peças artesanais com elevado nível de talento e dedicação. Segundo ele, esse trabalho reflete a força da comunidade que valoriza suas raízes e transforma a criatividade em aprendizado, além de abrir caminhos para geração de oportunidades econômicas.
O artesanato é um componente tradicional da identidade cultural de Pracuúba, marcado pela produção manual de objetos feitos com fibras, sementes, madeira e outros materiais naturais típicos da Amazônia. Essas manifestações artísticas não apenas decoram, mas contam histórias, expressam vivências da natureza e da vida ribeirinha, além de possibilitar que crianças e jovens dialoguem de forma concreta com seu território. A valorização escolar desse saber popular contribui para manter vivas práticas culturais que correm risco de desaparecimento em muitos lugares.
Na Escola Estadual Maria das Graças, o envolvimento com o artesanato vai além de meras oficinas: os projetos de artes desenvolvidos em sala de aula visam despertar no aluno o olhar crítico, o gosto estético, a capacidade de manuseio de materiais naturais e a noção de responsabilidade pela escolha sustentável dos insumos. As peças produzidas servem tanto como objeto de arte quanto instrumento pedagógico para ensino de temas interdisciplinares — biologia, geografia, história, meio ambiente — já que muitos materiais usados têm relação direta com a fauna, flora e recursos do município.
Para a comunidade, esse trabalho traz impacto duplo: cultural e econômico. Por um lado, fortalece a autoestima dos alunos, dos professores e das famílias; por outro, abre possibilidade de comercialização local das peças, participação em feiras artesanais e geração de renda complementar. Em Pracuúba, o artesanato local já é reconhecido como parte importante da cultura municipal, presente em mercados, eventos e como atrativo cultural para visitantes. Ele dialoga com outras atividades produtivas locais, como a pesca artesanal e a extração de produtos amazônicos, compondo o mosaico sociocultural do município.
Além disso, a iniciativa educativa reflete uma política pública que entende a arte como instrumento de inclusão cidadã. Ao trabalhar com professores de artes que dialogam com histórias locais, saberes indígenas ou ribeirinhos, o município fortalece uma educação que respeita diversidade e promove pertencimento. A escola se torna espaço de resistência cultural, onde se ensina muito mais que técnicas manuais, mas a pele, o modo de ser do município de Pracuúba.
O que se anuncia é mais do que uma simples produção artística: é um movimento de afirmação de identidade, valorização das expressões locais e investimento no talento das novas gerações. Se mantido, esse projeto pode servir de modelo para outras escolas da região, multiplicando o poder da arte escolar como vetor de inclusão, resgate do legado cultural e estímulo ao empreendedorismo criativo.