O Governo do Estado do Amapá foi convidado a acompanhar o lançamento do foguete Ariane 6, marcado para o dia 12 de fevereiro, no Centro Espacial da Guiana (CSG), em Kourou, conhecido como o Porto Espacial da Europa. O Ariane 6 é o mais novo foguete de carga pesada desenvolvido pela Agência Espacial Europeia (ESA) e foi projetado para substituir o bem-sucedido Ariane 5, garantindo o acesso independente da Europa ao espaço para o lançamento de satélites comerciais, institucionais e missões científicas.
A participação do Amapá integra a agenda de inovação da atual gestão estadual, que busca aproximar o estado de ecossistemas de ciência e tecnologia de alto nível. O diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá (Fapeap), Gutemberg Silva, esteve presente na cerimônia e destacou a relevância estratégica do momento.
“É com grande entusiasmo que acompanhamos, aqui em Kourou, este momento histórico para a Europa e para o mundo. Para nós, do Amapá, estar presente neste marco é muito mais do que assistir a um lançamento: é reafirmar nosso compromisso com a ciência, a inovação e o fortalecimento de um ecossistema de desenvolvimento baseado no conhecimento”, afirmou.
Desde a implantação do Centro Espacial da Guiana, trabalhadores brasileiros, especialmente os da Região Norte, onde está localizado o Amapá, participaram ativamente da construção das infraestruturas urbanas, logísticas e técnicas da cidade de Kourou.
A importância do Amapá para o CSG está relacionada, principalmente, à sua posição estratégica como vizinho imediato na fronteira terrestre entre o Brasil e a França. Embora o centro seja uma instalação da ESA e do Centro Nacional de Estudos Espaciais da França (CNES), a integração com o estado do Amapá é considerada fundamental para o desenvolvimento do chamado Corredor Transfronteiriço.
O governo amapaense já discute o uso de tecnologias vinculadas ao CSG, incluindo o acesso a cabos submarinos europeus que chegam pela Guiana Francesa e a utilização de satélites gerenciados a partir de Kourou para aprimorar as telecomunicações e o monitoramento ambiental no estado. No campo da segurança, a cooperação na região de Oiapoque é apontada como essencial para a estabilidade operacional da base, garantindo o controle da zona de influência transfronteiriça contra atividades ilegais.
Para Gutemberg Silva, o intercâmbio de conhecimento entre Brasil e França pode impulsionar o desenvolvimento regional:
“O setor espacial mobiliza cadeias produtivas complexas, envolve universidades, centros de pesquisa, startups, indústria de alta tecnologia e políticas públicas articuladas. Esse ambiente inspira o Amapá a fortalecer seus programas de pesquisa, ampliar bolsas, incentivar a inovação e preparar nossos jovens para atuarem em áreas estratégicas como engenharia, tecnologia da informação, energias renováveis, geotecnologias e ciência de dados. Estamos olhando para esse lançamento como símbolo de um futuro em que o Amapá se posiciona como parceiro estratégico, território de oportunidades e estado que investe, de forma responsável e consistente, na construção de uma economia baseada no conhecimento”, completou.
