Jornal Dos Municípios

Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 29 de Abril 2026

Notícias/Entretenimento

Walter do Carmo: o pioneiro que levou a BR 156 até o Oiapoque.

"MEU HERÓI FARIA HOJE 91 ANOS... ", Walter do Carmo Junior

Walter do Carmo: o pioneiro que levou a BR 156 até o Oiapoque.
ARQUIVO FAMILIAR
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Walter do Carmo: o pioneiro que levou a BR 156 até o Oiapoque.  

"MEU HERÓI FARIA HOJE 91 ANOS... "Walter do Carmo Junior

Nascido em Prainha, no município de Monte Alegre, no estado do Pará, Walter Pereira do Carmo conhecia o recém-criado Território do Amapá por vir com os pais visitar parentes em Mazagão Velho.  

Aos 17 anos, já funcionário público com formação técnica em agrimensura, começou, sem saber, a traçar seu caminho para o Amapá. Dizem que sua vinda definitiva deu-se ao cumprir uma missão da antiga Comissão de Rodagem do Pará, que depois seria transformada no DEER (Departamento Estadual de Estradas de Rodagem). A missão era, justamente, entregar o projeto da BR 156. 

Publicidade

Leia Também:

Era o decisivo 1952, e Walter, com 22 anos, foi convidado pelo então governador Janary Nunes, para ficar no Amapá. Aceitou e começou a trabalhar no ramal do Aporema e na manutenção do trecho da outrora BR 15, que só chegava até a Base Aérea do Amapá. Foi naquele município que conheceu Helita Ferreira dos Santos, filha de um pecuarista da cidade de Amapá, com quem casou seis meses depois, sendo o governador Janary Nunes um dos padrinhos. Dessa união nasceram sete filhos, Margareth, Walter Júnior, Waldenawer (Keky), Mariângela, Wank, Márcia e Walber. 

PORTA-RETRATO - Macapá/Amapá - ONZE ANOS: Foto Memória de Macapá:  Aniversário em Família

Em 1958 surgiu a oportunidade que mudaria o rumo de sua vida e dos amapaenses. Pauxy Nunes, irmão de Janary, assumiu o governo e priorizou a continuação da abertura da rodovia em direção ao Oiapoque, que passava em aldeias indígenas. O medo de enfrentar os índios, que tinham pouco contato com a civilização, dificultava a contratação de empresa. Sem dinheiro, mas muita vontade de começar o serviço, fundou a Construtora Comercial Carmo LTDA. 

 

“Aqui chegamos e muito mais longe iremos”. (Walter do Carmo, ao chegar em Oiapoque com a BR 156) 

Em 1968 as máquinas pesadas, nunca antes vistas por aqui, chegaram via marítima, e o serviço começou. A estrada era aberta até Amapá, e a missão era chegar até a fronteira. Foram meses embrenhado nas matas com homens e equipamentos, abrindo o caminho que até então era percorrido por poucos.  

Entre Macapá e Amapá, já chefe de família, Walter do Carmo viveu todas as particularidades de um desbravador, quando o mundo oferecia poucos recursos para aventura, como a abraçada pelo então empreiteiro. 

“Nunca fui rico, apenas tinha crédito na praça”. (Walter do Carmo)  

No dia 24 dezembro de 1974, em um pequeno Jeep, Walter do Carmo, na companhia de Zé Grande e do mestre Ouvídio, escoltados por uma Toyota, dirigida por Vicente Cabraia, conseguiram chegar até o Oiapoque. E após dezesseis anos, como foi acertado com Pauxy Nunes, a BR156, que liga Macapá à fronteira foi entregue ao então governador Ivanhoé Martins. 

Além da BR 156, Walter do Carmo foi o responsável por levar o progresso para outros cantos do Território. Foi ele quem abriu os ramais para que veículos entrassem mais facilmente nos municípios de Amapá e Calçoene, Base Aérea do Amapá e para a localidade de Lourenço. Construiu ainda campos de pouso em Tartarugalzinho, Calçoene e Cunani. 

Tudo corria bem até que o contrato com o Governo foi reincidido na administração de Artur Azevedo Hening, em 1975, ignorando uma das cláusulas do contrato que previa o translado do maquinário para a capital. As máquinas utilizadas na construção da BR 156 ficaram abandonadas ao longo do primeiro traçado da estrada e jamais foram recuperadas. Pela quebra do acordo contratual foi movida uma ação contra o Território, que foi vencida pelo empresário muitos anos depois, quando a Construtora Comercial Carmo LTDA já estava fechada. O dinheiro serviu para pagamento de indenizações trabalhistas e multas do INSS. 

Construtor, pioneiro, desbravador e aviador 

 

Nos anos 70 construiu as tradicionais escolas José de Alencar, José de Anchieta, Antônio João, Princesa Isabel e Castelo Branco. Além do primeiro Ginásio coberto da cidade, o Paulo Conrado Bezerra e os clubes mais bem frequentados, Círculo Militar, Macapá e Amapá Clube. Além de desbravador e construtor, Walter gravou seu nome na história do Amapá como pioneiro, palavra que levava ao pé da letra. Foi um dos fundadores do Lions Clube, Maçonaria, Igreja Messiânica, e sua paixão: o Aeroclube. 

Realizou um sonho de infância em seus anos de ouro, quando tornou-se aviador. Ao conhecer o boliviano, Capitão Belarmino Bravo, juntou seu desejo e espírito empreendedor, à paixão do visitante, e juntos formaram a primeira turma de pilotos “brevetados” da cidade, e fundaram o Aeroclube de Macapá, em 1956. Na turma estava Hamilton Silva, que morreu em 1958, no acidente de avião em que também faleceram o deputado Coaracy Nunes e seu suplente, Hildemar Maia. Diziam na época que estava prevista a ida de Walter do Carmo nesta viagem. 

“Prefiro dormir sem ceia do que acordar com dívida” (Walter do Carmo) 

Em 1985 o governador Jorge Nova da Costa, acreditando em seu potencial, deixou sob sua responsabilidade o asfaltamento de 50 km da BR 156, e Walter do Carmo foi buscar no Paraná a empresa CR Almeida para o serviço.  

No ano de 2003 o governador Waldez Góes o nomeou assessor especial, como conselheiro da gestão, cargo com que sobreviveu até 2010.  

Ao morrer, no último dia 14 de junho de 2014, recebia apenas a pensão do INSS. 

A ação de milhões ajuizada pelos associados e familiares do Aeroclube, por ter o Governo do Amapá instalado órgãos públicos, hoje Centro Administrativo, na avenida Fab, sem desapropriar a área, foi vitoriosa na Justiça e os sócios do Clube foram indenizados.  

Texto da jornalista Marileia Maciel 

 

Reinaldo Coelho

Publicado por:

Reinaldo Coelho

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Jornal Dos Municípios Ap Online
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR