Saiba como conquistar uma vaga em uma universidade pública sem vestibular
Chamadas de vagas olímpicas são disponibilizadas para os estudantes que se destacam em competições de conhecimento
As olimpíadas científicas são competições voltadas para alunos do ensino fundamental, médio e podendo incluir universitários do primeiro ano da graduação. As competições chamam atenção dos jovens estudante e se tornou uma alternativa ao vestibular.
Vitor Melo Pellegrino, 19 anos, nasceu em Santa Rita do Passa Quatro, interior de São Paulo. Ele foi aprovado por meio de vaga olímpica na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) nos cursos de engenharia de produção e engenharia mecânica e na Unifei (Universidade Federal de Itajubá) para o curso de engenharia de materiais.
“Minha primeira participação em uma competição foi aos 11 anos na OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia). A escola e os professores incentivavam os alunos a participarem das disputas", comenta. Vitor marcou presença nas principais olimpíadas como a OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), a OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática), a OPF (Olimpíada Paulista de Física), e entre outras.
O maior incentivo veio de dentro de casa. "Meu pai é professor de geografia e meu tio de matemática. Sempre tive o apoio deles para me preparar para as competições e, com o tempo, pude entender o quão importante foi participar dessas provas."
Com uma rotina intensa de estudos, Vitor se dividia em assimilar o conteúdo repassado em sala de aula e participava do Poti (Programa Polos Olímpicos de Treinamento Intensivo) da USP (Universidade de São Paulo) durante a época do ensino fundamental. "Eram aulas da área matemática com estudos de álgebra, teoria dos números, analise combinatória e trigonometria", destacou. Ele também chegou a fazer aulas extras focadas em olimpíadas científicas com professores-voluntários nos fins de semana.
Ao todo, o estudante acumulou 25 medalhas em olimpíadas do conhecimento, com destaque na OIMSF (Olimpíada Internacional de Matemática sem Fronteiras) — conquistou uma medalha de ouro.
As participações nas competições trouxeram, além de conhecimento, uma evolução pessoal. "As olimpíadas requerem disciplina e muito estudo. Toda a experiência adquirida agregou e me ajudou a chegar onde estou hoje, sei que isso deve contribuir para o meu futuro profissional."
Por questões pessoais, o jovem medalhista optou por mudar de universidade após ter sido aprovado no vestibular da Unesp (Universidade Estadual Paulista) para o curso de engenharia de materiais.
Ainda, de acordo com Vitor, há pouca divulgação das vagas olímpicas. "Percebo que poucos estudantes sabem sobre o assunto. Quando cheguei na universidade, colegas de classe, por exemplo, desconheciam essa modalidade de ingresso", lembra. "Dá oportunidade para jovens entrarem no ensino superior público por mérito, sem passar pelo vestibular."
Já Antônio Ítalo Lima Lopes, 19 anos, é natural de Fortaleza, no Ceará, e conquistou medalha de ouro pela OBF (Olimpíada Brasileira de Física) em 2016, prata na Olimpíada Internacional Júnior de Ciências de 2018 e IPhO (Olimpíada Internacional de Física) em 2019.
Ex-aluno do Sistema Farias Brito, ele participou, pela primeira vez, de uma turma olímpica durante o ensino fundamental. "Minha participação em olimpíadas iniciou com a OBR (Olimpíada Brasileira de Robótica), e depois fez provas da OBI (Olimpíada Brasileira de Informatica) e a OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática)", lembra.
"É uma rotina intensa de estudos, que na época cursava aulas extras no período noturno para me preparar", conta. Foi pelo alto desempenho nas competições das olimpíadas cientificas que Antônio conquistou uma vaga na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) sem a necessidade de realizar o processo seletivo tradicional. "Apesar do mérito, tive dificuldades de locomoção para a universidade, não pude permanecer no curso, mas fui aprovado na Fuvest, pelo vestibular tradicional, e hoje estudo engenharia da computação na USP (Universidade de São Paulo)", comemora.
Ivan Guilhon é professor no ITA e coordenador estadual da OBF
DIVULGAÇÃO/ SFBIvan Guilhon, 30 anos, atualmente é professor no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e também é coordenador estadual da OBF (Olimpíada Brasileira de Física).
Medalhista olímpico, o professor possui diversas passagens em olimpíadas do conhecimento: ouro na Olimpíada Brasileira de Física; prata na Olimpíada Internacional de Física e primeiro lugar no prêmio IFT (Instituto de Física Teórica) de Jovens Físicos.
Natural de Fortaleza, no Ceará, Ivan explica que desde jovem já se identificava com números, equações e resoluções matemáticas e no ensino médio descobriu o mundo das olimpíadas científicas."Eu sempre gostei de estudar e naquela época passava mais de 12 horas debruçado sobre os livros", lembra.
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O longo período de estudo se dava pelas aulas extras e focadas em olimpíadas. "O conteúdo dado em sala de aula especial me chamava mais a atenção do que das aulas convencionais", diz. Foi assim que Ivan tomou gosto por olimpíadas e iniciou uma jornada acadêmica, acumulando cerca de 20 medalhadas durante o período escolar.
Ao refletir sobre o seu atual cenário profissional, Ivan diz: "se não fossem as minhas participações em olimpíadas, talvez eu não tivesse chegado na posição que estou atualmente. As competições me ajudaram a me preparar para os vestibulares, a chegar no ITA e estar na docência", comenta.
Para quem tem algum medo ou receio em participar das olimpíadas científicas, o professor sugere três dicas que vão ajudar a destravar:
- Busque modelos de provas anteriores para se familiarizar com a abordagem do exame.
- Procure livros com foco no tema a ser estudado (matemática, química, física, história, etc.)
- Tenha ajuda de professores para ter um estudo melhor direcionado e garantir um bom resultado.
