O som dos tambores tomou conta do Centro de Cultura Negra Raimundinha Ramos na noite desta terça-feira, 18, quando comunidades tradicionais, mestres de cultura e grupos de expressão afro-amapaense se reuniram em mais uma etapa da programação do 30° Encontro dos Tambores, em Macapá. O "Rufar dos Tambores", ponto alto da noite, reforçou a força ancestral, a espiritualidade e a identidade negra que marcam o evento, que segue até 26 de novembro.
Realizado pela União dos Negros do Amapá (UNA) com apoio e fomento do Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e da Fundação Marabaixo, o Encontro dos Tambores iniciou no sábado, 15, e reúne manifestações tradicionais como marabaixo, batuque, zimba e sairé, além de rodas de capoeira, reggae, hip-hop, feiras, oficinas, moda afro, exposições, literatura e a novidade do Casamento Comunitário Afro-Religioso.
“O Encontro dos Tambores celebra a brasilidade construída pela herança africana, marcada pelo berimbau, pelo povo de terreiro e pelas tradições que fazem parte da nossa história. Os tambores representam paz, união e tudo aquilo que a África nos deixou como cultura e identidade. A nossa Amazônia Negra tem essa força, presente nos tambores do Marabaixo, do Batuque, do Zimba e do Sairé, que ecoam em todo o estado e revelam a grandeza da nossa cultura,” descreveu a secretária de Estado da Cultura, Clícia Di Miceli.
Entre os participantes da noite estava Flávia Albuquerque, 24 anos, estudante que acompanha o evento anualmente.
“A gente vem todos os anos. Já virou tradição. No ano passado, eu e meu amigo chegamos a dançar na abertura, e este ano voltamos para prestigiar quem está se apresentando. É sempre muito especial participar desse momento”, contou Flávia.
Também estiveram presentes os coreógrafos da Comissão de Frente da Estação Primeira de Mangueira, Lucas Maciel e Carina Dias, que vieram ao Amapá especialmente para integrar as apresentações.
“Para nós, é um privilégio estar aqui, prestigiando um evento tão importante para a cultura, ainda mais neste período tão simbólico. É uma honra participar deste momento, especialmente neste ano em que a Mangueira homenageia o Amapá. É uma experiência única, que vamos levar para a vida inteira”, afirmaram os coreógrafos.
