Sem luz, sem água, sem internet
Um ano após o Apagão do Amapá, Porto Grande continua sofrendo com oscilações e falta de energia elétrica constantemente

O apagão no estado do Amapá foi considerado um dos maiores blackouts do Brasil desde o Apagão de 1999, que atingiu parte do país. Esta situação ainda ameaça e assombra a população amapaense. Essa catástrofe aconteceu a partir de 03 de novembro de 2020.
E a realidade agora é que a situação ainda está sendo vivenciada, há meses pelos habitantes do município de Porto Grande, que vem sofrendo com oscilações da energia elétrica e com interrupções que já atingiram 24 horas, causando transtornos aos moradores e principalmente prejuízos ao comércio local.
De acordo com informações de alguns moradores a situação vem piorando, nesta segunda-feira (01) a energia foi interrompida desde as 16:00 hs e até o fechamento dessa matéria não havia retornado.
“Já aconteceu de a energia ser interrompida durante a noite e passar 24 hs sem energia. No domingo faltou as 16 horas e chegou as 21:00 horas e hoje foi interrompida as 16 horas”, explicou um morador portograndense.
A população do Porto Grande sofre com a precariedade no fornecimento de energia elétrica no estado. Essa inconstância no fornecimento tem gerado transtornos no fornecimento de água e na manutenção de alimentos. Porém, a conta de Luz não atrasa sempre chega ao consumidor e os preços são absurdos e quando atrasa o corte é imediato.

Os que mais sofrem são os comerciantes que perdem seus produtos que necessitam de refrigeração. A falta de energia impacta, consequentemente, os serviços de internet e de telefonia. A maioria parou de funcionar e mesmo com o retorno parcial da eletricidade, a comunicação ainda segue precária.
Caixas eletrônicos e máquinas de cartão, que precisam de carregamento elétrico, também pararam de funcionar, o que faz com que as pessoas não consigam fazer compras.
O que mais revolta os moradores é de que existe uma Usina Hidrelétrica construída no Rio Araguari em território do município. A Usina Cachoeira Caldeirão, tem uma potencia de 219 MW, tem em sua vizinhança mais duas usinas a Dr Coaracy Nunes e a de Ferreira Gomes. Com todo esse potencial energético, Porto Grande não é beneficiado por um fornecimento regular.

A Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) que ainda é a distribuidora de energia do Amapá já foi avisada da situação e nada foi feito. As autoridades responsáveis não tem se manifestado quanto a situação que causa prejuízo constante a população.
Existe uma Subestação em Porto Grande que sempre deu problemas e nada foi resolvido.
A CEA já informou que espera a melhora dos serviços comerciais e do fornecimento de eletricidade com a chegada da empresa Equatorial Energia, que venceu o leilão de concessão da estatal em junho e que deve começar a operar no final do ano.
"A empresa que será a controladora do serviço tem prazo para assumir até dezembro. Entre as obrigações está o aporte de capital imediato de R$ 400 milhões e R$ 500 milhões em um prazo de cinco anos", diz a CEA.
Para quem mora nos municípios, localizados na região Centro-Oeste do estado, o clima de insegurança e incerteza toma conta. Para o Antônio Santos morador de Porto Grande, o problema no fornecimento é percebido desde antes do famoso apagão.
Ele conta que, quando houve o apagão, todos pensaram que era uma queda de energia comum. "Por aqui, quando chove, a gente fica sem energia e isso é frequente.".
Porém, o que era temporário, se tornou catastrófico, com três meses de duração e a ameaça continua, pois os serviços prestados são precários e precisa de investimentos e revitalização de equipamentos e dos matérias de distribuição, como cabos de fiação.
“É preciso que nossas autoridades se sentem e façam o dever de casa, pois o caos da energia elétrica está aí. Os deputados, senadores e o governo do Estado escutem os municípios e providenciam de imediato uma solução para mais uma catástrofe anunciada”.