A aldeia Kumenê, território da etnia Palikur no município de Oiapoque (AP), vive um momento histórico com a entrega do ramal de quase 24 quilômetros que conecta a comunidade à sede municipal e ao restante do Estado. A obra é resultado de parceria entre a prefeitura, liderada pelo prefeito Breno Almeida, e o governo do Estado do Amapá, e foi inaugurada oficialmente em cerimônia que contou com a presença do cacique da aldeia, Henrique Batista, e demais lideranças locais. Até então, o deslocamento dependia exclusivamente de transporte fluvial e podia levar até sete horas.
De acordo com relatos da comunidade, graças à abertura do ramal o percurso que antes era disputado por rios sinuosos ou florestas remotas agora pode ser feito por via terrestre em aproximadamente uma hora e meia. Essa mudança impacta diretamente no cotidiano da aldeia – melhora o acesso à unidade de saúde local, reduz os tempos de socorro em emergências, facilita a chegada de insumos, suprimentos e favorece a produção agrícola e extrativista dos Palikur.
O ramal de 24 km representa mais que um caminho: simboliza segurança, dignidade e oportunidade. Em regiões indígenas como Kumenê, inserida na Terra Indígena Uaçá às margens do rio Urucauá, o isolamento físico era um obstáculo permanente. A etnia Palikur ocupa historicamente a bacia do Urucauá, numa das áreas mais remotas da Amazônia brasileira, e o ramal traz uma alternativa concreta ao transporte fluvial tradicional, que era sujeito a variações de nível, condições climáticas e dependência de barcos.
A inauguração contou com a comitiva da prefeitura municipal e de secretários que acompanharam a cerimônia junto à comunidade. O prefeito Breno Almeida destacou que a obra “transformou o acesso à comunidade” e reafirmou que o governo municipal permanece comprometido com intervenções que melhorem a qualidade de vida das populações tradicionais. O cacique Henrique Batista agradeceu a parceria entre município e Estado, ressaltando que “o ramal já ajudou a salvar vidas” e que a intervenção significa avanço na autonomia da aldeia.
Especialistas em infraestrutura rural apontam que ramais como esse contribuem não só com mobilidade, mas com inclusão social: facilitam o escoamento de produção, a chegada de serviços públicos, como saúde e educação, e fortalecem o vínculo das comunidades com o território. No caso de Kumenê, o acesso retrô por barco em viagens de sete horas implicava custos elevados, desgaste físico e limitação da autonomia local.
Para o município de Oiapoque, a entrega desse ramal abre também portas para planejamento mais amplo de infraestrutura, conectividade e desenvolvimento sustentável, respeitando as especificidades indígenas. A expectativa agora se volta para manutenção contínua do ramal, articulação de serviços de transporte terrestre e integração com demais políticas de assistência à população Palikur.
Com a estrada inaugurada, a comunidade de Kumenê dá um salto significativo em direção à melhoria da mobilidade, à segurança no deslocamento e à dignidade para sua população – e reforça que desenvolvimento e respeito aos povos indígenas podem caminhar juntos.
