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CAMPUS BINACIONAL OIAPOQUE DA UNIFAP AMEAÇADO 

Reitor da Unifap pretender fechar mais um curso no campus de Oiapoque: HISTÓRIA 

CAMPUS BINACIONAL OIAPOQUE DA UNIFAP AMEAÇADO 
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CAMPUS BINACIONAL OIAPOQUE DA UNIFAP AMEAÇADO 

Reitor da Unifap pretender fechar mais um curso no campus de Oiapoque: HISTÓRIA 

 

 

Entre as ações pela não exclusão do curso, protestos aconteceram de forma simultânea no campus Marco Zero, em Macapá e no campus Binacional de Oiapoque, na terça-feira (13). 

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Estudantes protestam contra a extinção do curso de história no campus binacional da Unifap — Foto: Nixon Frank/Rede Amazônica

 

Reinaldo Coelho

Uma longa história de lutas para a interiorização do ensino superior no Estado do Amapá. Uma luta abraçada por toda a comunidade acadêmica, de educadores, da população e dos estudantes residentes nos mais longínquos municípios amapaenses.  

O atual reitor da Universidade Federal do Amapá (Unifap), Júlio Sá, diferenciado de todos os que já estiverem a frente da reitoria, vem tentando desmontar o Campus Binacional da Unifap em Oiapoque, criado em 2007, ou seja, há 14 anos funcionando e beneficiando a comunidade fronteiriça e indígena que fica localizada no extremo Norte do estado, a 590 quilômetros da capital Macapá e com uma rodovia sem uma funcionalidade adequada devido os tradicionais atoleiros, que prejudica a mobilidade dos cidadãos. 

O município que tem cerca de 28 mil habitantes (IBGE-2020) e sua população necessita de profissionais, preferencial, habitantes oiapoquenses, trazendo assim um crescimento social e econômico para a localidade e entorno. Além de evitar o êxodo de jovens para outros centros, acarretando a suas famílias despesas que tirariam recursos locais e dificultariam a moradia em bairros periféricos, causando o inchaço habitacional.  

Reitor da Unifap - Prof. Dr. Júlio César Sá de Oliveira

 

Porém, o reitor não olha o prisma humanístico de suas ações administrativas e sua primeira tentativa veio através da proposta feita no dia 9 de fevereiro, ao secretário de Educação Superior do MEC, Wagner Vilas Boas de Souza, quando apresentou a dificuldade financeira e de viabilidade para se manter dois cursos na cidade, em março deste ano. Propondo  ao Ministério da Educação de transferir para o campus Santana dois cursos de graduação, direito e enfermagem, ofertados no campus Binacional em Oiapoque.  

Enfermagem e direito são dois dos 8 cursos ofertados desde 2013 pelo campus Binacional. O reitor pontuou no documento enviado ao MEC, que as turmas não atingem a lotação máxima, sofrem com a evasão e que o município não oferta a estrutura para aplicação de disciplinas de alta complexidade, no caso do curso de enfermagem, e instituições jurídicas para estágio, necessárias para os acadêmicos de direito. 

Porém, ele já tinha negociado com a Prefeitura de Santana que é o segundo maior município do estado e integra a Região Metropolitana de Macapá. O reitor pontuou que a sugestão de mudança para lá aconteceu porque a prefeitura ofertou terreno para instalação da estrutura física dos cursos. 

Em março após a repercussão negativa na sociedade amapaense retrocedeu e reitor Júlio Sá, enviou um ofício ao Ministério da Educação (MEC) pedindo a desconsideração do pedido feito 17 dias antes.  E justificou que deixava de priorizar as mudanças devido a Bancada Federal do Amapá   terse  comprometido a destinar recursos e intervir junto à prefeitura e ao Estado para que Oiapoque tenha melhorias de estrutura e para a prática dos cursos.   

Além disso, Sá ressaltou que o governador se comprometeu "a envidar esforços para resolver melhoria da estrutura estadual que dá suporte aos estágios supervisionados dos cursos".  

No dia 24 de fevereiro, deputados federais e senadores pelo Amapá se mobilizaram para disponibilizar cerca de R$ 5 milhões em recursos para o campus Binacional da Unifap, como condição para a manutenção dos cursos em Oiapoque.  

 

O mais surreal são as postagens no site da Unifap, onde são mostrados a infraestrutura do Campus Binacional de excelente qualidade e que durante a pandemia ajudou no atendimento contra a Covid 19 no município. 

MAIS UMA DECISÃO NEGATIVA

Porém, cinco meses após todo o imbróglio, com os Cursos de Enfermagem e de Direito,  o Magnifico Professor Doutor Reitor Júlio Sá, retornou a ideia de retirar cursos do Campus Binacional de Oiapoque e o da vez é o Curso de História.  

E as justificativas para a extinção são as mesmas alegadas no pedido para extinção dos Cursos de Direito e Enfermagem. E são elencados problemas gerais da Unifap relacionados a falta de espaços adequados como laboratórios, salas e auditórios. Além disso, a instituição pontuou a evasão de estudantes, a baixa procura pelo curso e a falta de biblioteca adequada às disciplinas. 

Para os estudantes de história, a exclusão do curso é uma forma de limitar o acesso à educação em uma região que precisa de mais oportunidades educacionais. 

Egressa do curso de História é aprovada em Especialização da UNIFAP.

 

O colegiado do curso de Licenciatura em História do campus Binacional parabeniza ELINELMA DO SOCORRO LAURINDO DA CRUZ, egressa do curso (turma 2015), pela aprovação na Especialização em Estudos Culturais e Políticas Públicas da UNIFAP. Conforme consta no resultado final do processo seletivo para a turma 2021 da especialização, Elinelma teve seu projeto de pesquisa aprovado com a nota 10 (dez). Intitulado “Do antigo Contestado à atual contestação: a vila Cunani e a permanência dos conflitos pelo uso dos recursos naturais na fronteira franco-brasileira”, a pesquisa a ser desenvolvida por Elinelma é fruto de seu TCC, orientado pela professora Doutora Ana Cristina Rocha Silva. Na proposta para a especialização, o objetivo é ampliar a discussão a respeito dos conflitos surgidos na vila Cunani, após a institucionalização do Parque Nacional do Cabo Orange. Orgulhosos do resultado, os/as professoras/es deste colegiado externam a felicidade pela aprovação de Elinelma na especialização citada e fazem votos de que, após ela, a egressa siga adiante, no mestrado. Ao considerar-se sua dedicação e competência, sabemos que essa etapa não demorará.

 

Elinelma do Socorro Laurindo da Cruz, egressa do curso de História (na imagem), turma 2015.

 

E um dos mais revoltado com essa atitude do atual reitor é o ex-Reitor Dr. José Carlos Tavares, que postou em sua rede sociais seu posicionamento sobre o assunto: 

 

“Hoje, dia 14/07/021, em que a Unifap foi pautada na mídia local, devido mais um curso que o Reitor atual quer acabar no campus Oiapoque, eu procurei esta foto que mostra exatamente o dia que apresentei ao Ministro da educação a época, Fernando Haddad, o plano para criação do campus binacional do Oiapoque. O que foi criado com muita dedicação e luta, hoje estamos assistindo desmoronar devido um Reitor irresponsável e professores que querem benesses devido a troca de votos.” 

 

 

HISTÓRIA 

Na foto abaixo está o então Reitor na época, José Carlos Tavares Carvalho, no centro, com equipe, em cerimônia de lançamento das obras de construção de três prédios no campus em Oiapoque, visando a implantação do Campus Binacional. 

A Universidade Federal do Amapá (Unifap) criada em 1990, e em 1996 começou a discutir com o governo estadual e as prefeituras municipais o processo de interiorização de suas ações para a formação de mão de obra qualificada, chegando aos extremos Norte e Sul do estado, nos municípios de Laranjal do Jari e Oiapoque, constituindo, assim, os campus Sul e Norte, respectivamente. 

O caminho foi longo e muitas superações tiveram de ser feitas. A interiorização começou com o sistema modular de ensino aplicado nos meses de o período de recesso escolar (janeiro, fevereiro e julho), com sistema intensivo de aulas diárias, conforme a estrutura curricular de cada curso. O primeiro programa ocorreu no período de 1999 a 2004, denominado I Projeto Norte de Interiorização e veio o II Projeto Norte de Interiorização que atendeu professores e alunos do Ensino Médio. 

Em 2007 foi criado e implantado no Campus Norte o curso de Licenciatura Intercultural Indígena, com o objetivo de formar professores para as escolas indígenas do estado. O curso possui formato de módulos, com aulas nos períodos de Janeiro/fevereiro e Julho, ofertando 30 vagas anualmente. Foi o primeiro curso implantado no campus, com corpo docente e infraestrutura próprias. 

Em 2011 foi dado início à construção de novos edifícios, com o objetivo de ampliar a capacidade do campus e receber novos cursos.  

 

 

 

 

 

 

 

 

  

Reinaldo Coelho

Publicado por:

Reinaldo Coelho

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