No Dia Nacional da Consciência Negra, o Amapá voltou a viver um dos momentos mais simbólicos de sua identidade cultural: a Missa dos Quilombos. Realizada no Anfiteatro do Centro de Cultura Negra Raimundinha Ramos, em Macapá, a celebração integrou a programação da 30ª edição do Encontro dos Tambores, que mais uma vez reuniu tradição, espiritualidade e resistência em um evento que movimenta toda a comunidade afro-amapaense.
A cerimônia, conhecida por unir elementos do catolicismo às tradições das religiões de matriz africana, emocionou fiéis, representantes culturais e grupos tradicionais de marabaixo e batuque. O sincretismo religioso, presente nas músicas, nas danças e nos rituais, reforçou o caráter de encantamento e ancestralidade que define esse encontro anual.
Mais do que uma celebração religiosa, a Missa dos Quilombos funciona como um marco de reconhecimento às raízes negras do estado. É um espaço em que a fé dialoga com a memória histórica e com a afirmação da identidade afro-brasileira, valorizando a contribuição das comunidades quilombolas e das tradições que moldam o imaginário cultural amapaense.
O Encontro dos Tambores, em sua 30ª edição, reuniu uma programação diversificada entre os dias 15 e 26 de novembro, com oficinas, rodas de conversa, apresentações artísticas e debates sobre igualdade racial, direitos humanos e valorização da cultura afro-amazônica. O evento reforça o compromisso do Amapá com a preservação da herança cultural deixada por gerações de povos negros que ajudaram a construir a história do estado.
A Missa dos Quilombos, considerada o ponto alto da programação, sintetiza esse sentimento coletivo. A união entre batuques, cânticos, símbolos religiosos e expressões culturais reafirma que a resistência negra no Amapá é viva, pulsante e essencial para a promoção da justiça social e para a construção de uma sociedade mais plural.
